
Paulo Scott
Confesso que prestei mais atenção no horário político e análises da imprensa neste período que antecede ao segundo turno do que no primeiro.
Dos programas eleitorais pouco se pode esperar. Tem essa infalível mistura de verdades, meias-verdades e, digamos, inverossimilhanças. Brada-se a ética, fragmentando-a como se houvesse graus éticos, ênfases éticas dispostas num quadro de compensações ou ética melhor, ou gravidades e infrações justificáveis, não-atentatórias, perdoáveis, menos pior, passados perdoáveis, modificáveis, isso tudo e mais.
Os que sustentam a ética têm sim é compromisso de auditá-la, identificá-la em seus suportes, pactos e coligações. Parece-lhe que me dirijo a candidato em especial? Não. Todos sustentam éticas; dirijo-me a todos.
A desfaçatez (eu não seria imprudente de me valer das dubiedades da palavra cinismo) da versão escolhida e apresentada faz parte do jogo. Por isso, a experiência dependerá da identificação quase emotiva do leitor com um candidato ou outro. A verdadeira informação se demora, em muitos casos, somente o bom historiador dela se aproximará.
Para a maioria, talvez não haja diferença visível entre PT e PSDB. Por vezes, eu próprio - dependendo do assunto -, não encontro diferenças entre os dois. Milhões deixaram de ser miseráveis. O País não cresce como deveria. Nosso crédito externo é melhor. Nosso sistema educacional ainda é uma fantasia. Gangorra? Gangorra.
Notei que a imprensa pronuncia-se com estampa de imparcialidade. De propósito, eu? Sim, premeditadamente de propósito. Deixo bem claro que apóio incondicionalmente toda crítica e denúncia, mas algumas capas e insistências, a partir de meias-provas, sinceramente, não me lembro de ter ocorrido em mandatos anteriores.
A tragédia é tragédia porque é inevitável. São horripilantes as histórias de alcova: cretinice e estupidez. País de imbecis (que outro adjetivo a nós?), excesso de gratuidade.
Para o infinitamente distante: moeda em dois lados iguais.
Terra Magazine