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Segunda, 27 de novembro de 2006, 07h53

Quem quer a calcinha da Galisteu?

Márcio Alemão

Adriane Galisteu concedeu uma entrevista à Joyce Pascovitch e declarou que não usa uma calcinha mais de três vezes.

Usou, lavou, usou, lavou, usou, vai pro lixo.

Será que a peça passa por mais uma lavada antes de ir para o lixo?

E será que não seria possível aproveitar essa peça íntima de alguma outra maneira?

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Imagino que devam ser caras. Calcinhas de famosas grifes. No lixo? E a turma do fã clube? Adriane deve ter um. Por que não doá-las ao fã clube que, oportunamente, poderia realizar uma exposição itinerante e beneficente por esse Brasil afora? Doe um quilo de arroz e venha ver as calcinhas da Adriane Galisteu. Olha aí uma idéia pra retomar o Fome Zero!

Pense nesse Brasilzão carente de eventos. Um garimpo perdido no meio do Pará. O que esses rapazes não fariam para ver as calcinhas da Galisteu? Quanta alegria essa moça poderia proporcionar em vez de cometer esse ato perdulário!

É verdade que posso estar sendo injusto. Vai que é uma superstição. Nesse caso devemos respeitar a atitude de Adriane. Quem sabe, ao longo de sua vida, toda vez que ela usou uma calcinha pela quarta vez, alguma coisa deu errado. Quando assinou o contrato com o SBT, será que usava uma calcinha tetra-usada?

Artistas são lotados de cismas. O saudoso Edson "Bolinha" Cury não lavava suas camisas. Muito lindas, diga-se. Afirmava que as cores iam embora e o ponto forte de suas camisas era justamente as cores. Obeso, tocava um programa de horas e, imagino, deveria transpirar muito. Dizia que as deixava tomar ar e tudo bem. Sei não. De qualquer forma, não as jogava fora.

Mas seja qual for o motivo, o que de fato tem alguma relevância nessa história é a total e absoluta irrelevância da mesma.

Será que algum dia teremos o prazer de ler o cabeçalho de uma revista, jornal, portal, dizendo "ENTREVISTAMOS A HIPER FAMOSA FULANA" e, logo na seqüência, uma linha esclarecendo: "Infelizmente, nada do que foi dito é aproveitável ou vale a pena ser reproduzido"?

Não viverei para ver esse dia, estou certo.

E para que não me acusem de hipócrita, é verdade que acabo me deliciando com essas gigantescas besteiras que são ditas com igual gigantesca naturalidade.

O fator "celebridade", no mundo todo, parece ter um peso redentor sobre a asneira.


Márcio Alemão é publicitário, roteirista, colunista de gastronomia da revista Carta Capital, síndico de seu prédio, pai, filho e esposo exemplar.

Fale com Márcio Alemão: marcio.alemao@terra.com.br

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