
Atualizada às 19h46 Bob Fernandes
Enviado especial à Venezuela
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Ele é o fundador e presidente da Smartmatic, empresa de tecnologia que criou o software das máquinas de votação e apuração onde 16 milhões de venezuelanos votam hoje.
"Fraude" é a expressão que freqüenta as manchetes, chama a atenção de 1.400 observadores internacionais vindos de todos os continentes, expressão que está na boca do povo. Ele, Antonio Mugica, assegura que "não existe" possibilidade de fraude:
- Temos 250 mecanismos de segurança e todos eles com o mais alto grau de criptografia. Cada eleitor, ao votar, recebe uma cópia em papel do voto, e o deposita numa urna. Depois da votação encerrada, 54% das urnas são sorteadas e auditadas, da mesma forma que as auditorias pré-eleição foram nove e mais uma será feita depois, com acompanhamento do Conselho Nacional Eleitoral e todos os partidos. Ganhem nas urnas, porque fraude é impossível.
Antonio Mugica tem em Barbados a sede da sua empresa, mas tem residência também em Caracas e em Boca Raton, na Flórida.
O jovem engenheiro eletrônico, formado na Venezuela, pós-graduado nos Estados Unidos, passa 80% do seu tempo em viagens pelo mundo. Com seu software votaram há pouco, para a renovação do Congresso, 16 estados dos EUA, além da capital, Washington.
A contar-se o pacote vendido à Venezuela no referendo de 2004, mais a mesma quantia na eleição legislativa de 2005 e a de hoje - no total, US$ 96 milhões - e os US$ 98 milhóes pagos pela tecnologia, Antonio Mugica faturou, só na Venezuela, US$ 194 milhões.
Em todo o mundo, nesse período de dois anos, Antonio Mugica faturou US$ 500 milhões.
"Isso não é nada", diz ele a Terra Magazine, na manhã desse domingo, num salão do Hotel Tamanaco, onde se hospeda. Camisa cinza sem gola, blazer e calça pretos, barba por fazer, Mugica, emenda:
- ...não é nada porque só os dois criadores do Google valem, cada um deles, US$ 14 bilhões.
Leia entrevista:
Terra Magazine - Que produto você vendeu à Venezuela?
Antonio Mugica - A tecnologia de votação e mais o pacote todo. A programação, distribuição, operação e recolhimento das máquinas. Para isso, tenho 17 mil empregados, 16 mil deles temporários.
Mas não é a Cantv (NR: empresa de telefonia, banda larga e celular) quem faz a votação?
Não, na Cantv está o centro de totalização dos votos.
Quanto você ganha numa operação como essa?
Posso te dizer quanto eu faturo. São US$ 200 milhões por ano. A eleição de hoje, para a qual disponilizo, além da tecnologia, 17 mil empregados para toda a operação, custa US$ 32 milhões.
Por que tantos empregados?
Deles, 16 mil são temporários. Eles entregam, montam, recolhem as máquinas, além de dar suporte técnico, uma parte desses 17 mil.
Estou aqui há três dias e a expressão que mais ouço é "fraude". A fraude é possível? Em 2004, no Referendo, as acusações foram muitas... Em 2004 a oposição valeu-se da "fraude" como discurso político, mas a fraude é impossível.
Por quê?
O sistema tem nove auditorias prévias, e todos os partidos, além do CNE, acompanham, além de uma outra auditoria pós-eleição. Pela manhã a ata da máquina acusa zero votos. Cada eleitor que vota recebe uma cópia do voto e o deposita numa urna. Ao final da eleição, 54% destas urnas com votos são sorteadas para uma auditagem comparativa e a ata registra quantos votos há em cada máquina.
Mas não é possível fraudar isso?
Nao. É o sistema mais seguro e, mais do que isso, mais auditável do mundo, mais seguro e auditável que o do Brasil e da Índia. Só os mecanismos de segurança, todos criptografados no mais alto grau, são mais de 250. Não há como fraudar. Vão às urnas e ganhem as eleições, não há como ter fraude.
E por que tantas acusações em 2004?
Discurso político. Em 2004 foram auditados 2% dos votos, o que é muito, estatisticamente. Na eleição legislativa, há um ano, 47% e, hoje, serão auditados, por sorteio, 54% dos votos. Isso é um absurdo estatístico, mas será feito.
Você vendeu seu pacote para algum outro país?
Sim, nos Estados Unidos. Na eleição para o Congresso que acabou há pouco, a Smartmatic fez as eleições em Washington e em 16 estados.
Lá, quanto você faturou?
Lá, a mão de obra, os serviços, são mais caros, mas... lá, eu não poderia te dizer agora.
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