Terra Magazine

 

Segunda, 4 de dezembro de 2006, 08h03

Entre Aspas, Diálogos Contemporâneos

O jornalista Fernando Eichenberg, colunista de Terra Magazine, lança esta semana o livro de entrevistas Entre Aspas - Diálogos Contemporâneos, pela editora Globo.

Leia trechos de algumas entrevistas do livro:
» Jean-Luc Godard
» Jean Baudrillard
» Claude Lévi-Strauss
» Emir Kusturica
» Julia Kristeva
» Philippe Starck

Os lançamentos acontecem em São Paulo nesta segunda-feira dia 4 (livraria Cultura, 19h), no Rio de Janeiro na terça 5 (livraria Argumento de Copacabana, 20h) e em Porto Alegre na quarta-feira 6 (livraria Arvoredo, 19h).

O livro reúne 27 entrevistas feitas por Eichenberg, que vive em Paris, para diversos meios de comunicação brasileiros - revistas, jornais e televisão - de 1999 a 2005. A lista dos entrevistados é um impressionante rol de intelectuais e artistas europeus, do compositor Henri Salvador ao filósofo Jean Baudrillard, passando por atores (Isabelle Huppert, Fanny Ardant, Michel Piccoli, Charlotte Rampling), escritores (Antonio Tabucchi, Chantal Thomas, Ismail Kadaré), diretores de teatro e cinema (Jean-Luc Godard, Emir Kusturica, Eric Rohmer, Peter Brook, Wim Wenders, Patrice Chéreau, Jean-Pierre Jeunet), alem de intelectuais como Paulo Virilio, Tzvetan Todorov, Julia Kristeva, Claude Lévi-Strauss, o maestro Pierre Boulez, o designer Phillipe Stark e até por um técnico de futebol, Aimé Jacquet.

A quantidade e variedade de entrevistados, no entanto, não diz tudo sobre a qualidade do livro. Eichenberg dirige as conversas de forma discreta mas com a segurança de quem conhece profundamente cada um de seus interlocutores, abrindo espaço para que discorram com tranquilidade sobre seus trabalhos e sem perder a oportunidade de extrair deles histórias engraçadas e surpreendentes.

Na apresentação que abre o livro, Moacyr Scliar imagina a dificuldade de não apenas conversar mas de estabelecer um diálogo "interessante e revelador" com uma tal lista de celebridades, e saúda o verdadeiro "tour de force" jornalístico e intelectual de Eichenberg. "Na verdade", escreve Scliar, "cada resposta dada pelos entrevistados é um miniensaio. Não há, neste livro, uma única linha com a qual não se aprenda algo; mais, não há um única linha que não seja fonte de prazer intelectual. Aprender com prazer é, convenhamos, o sonho de qualquer leitor."

Muitas vezes, tão boas quanto as entrevistas são as introduções a elas, um verdadeiro "making of" de encontros memoráveis. Sobre a entrevista com Emir Kusturica, o jornalista conta que foi integrado à banda do cineasta (a No Smoking Orchestra, que estava em turnê), com "acesso aos camarins e a assistir ao show dos bastidores do palco" e "como único estrangeiro na comemoração pós-concerto madrugada adentro, não entendendo uma palavra do que dizia o divertido bando de sérvios". Para encontrar Wim Wenders, uma viagem até Berlim e a espera no escritório do cineasta, onde os contínuos andam de patinete. Depois da entrevista gravada com o ator Michel Piccoli, a conversa com direito a tâmaras secas e uma viagem de metrô.

Surpresa com a quantidade de informações e citações que Eichenberg parece ter dela, Fanny Ardant ri e garante: "eu ja disse muita bobagem na minha vida". Mas surpreende ao falar de sua formação em ciência política e de como, leitora voraz, organiza sua biblioteca pelo país de origem do autor.

Do designer Phillipe Stark, que vive de inventar objetos, ouve que 80% deles "são inúteis, servem apenas para roubar o dinheiro do consumidor. São objetos cínicos, de comércio, não são objetos de serviço. Digo também que 95% dos objetos não têm bom senso, em termos político, sexual, afetivo."

Patrice Chéreau, diretor cinema e teatro, diz a ele que não perde o sono com críticas ruins: "Não me preocupo, porque meus filmes se valorizam com o tempo. Terei uma carreira póstuma magnífica."

Depois de um ano de telefonemas e tratativas para agendar um encontro, ouve de Jean-Luc Godard um admirado "Você insistiu e conseguiu o que queria".

O livro oferece também pequenas trocas entre entrevistados: Michel Piccoli fala de Peter Brook e de Godard, sobre quem também fala Isabelle Huppert. E Godard fala mal de Bertolucci, Tarantino e Spielberg, que esperamos tenham a oportunidade de revidar, talvez num próximo volume.

Leia aqui os textos de Fernando Eichenberg em Terra Magazine.

 

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