
Maria Alice Rocha
Pesquisas de mercado indicam que mesmo com a mudança do homem nesse começo do século 21, a maioria das roupas são compradas por suas parceiras, que enfrentam problemas na escolha do tamanho e caimento. A idéia é de minimizar as trocas e oferecer maior satisfação tanto para quem compra como para quem recebe o produto. Em tempos de compras de Natal, isso é mais que necessário.
Uma cadeia de lojas de moda masculina na França inovou a forma de escolha e compra de vestuário. A marca Celio, na qual 50% das compras são feitas por mulheres, acabou de realizar a terceira edição dos Shoppenboys (os garotos das compras, numa mistura de alemão e inglês).
Os Shoppenboys são um grupo de dezessete homens com morfologias variadas que "visitam" as lojas da Celio vestindo apenas uma cueca tipo samba canção. Eles são baixinhos, altos demais, magros, gordos, corcundas, barrigudos, etc.; têm idade entre 19 e 63 anos e vestem tamanhos que variam de Pequeno a ExtraExtraGrande.
Apesar do sucesso e do alvoroço que a mídia francesa fez em relação à iniciativa, que ocorreu sábado passado (dia 2 de dezembro) na loja da Avenida Champs Elysées, em Paris, o alvo não são as mulheres que entram na loja, nem a intenção é atraí-las com uma nova versão dos musculosos do "Clube das Mulheres".
As mulheres, ao entrar na loja, procuram uma morfologia semelhante dos seus parceiros ou daqueles para quem ela está procurando uma vestimenta. Com a ajuda do Shoppenboy, elas recebem dicas, opiniões, e eles experimentam as peças que elas escolheram, no sentido de mostrar o efeito da roupa no corpo.
A iniciativa tem como meta beneficiar diretamente o consumidor. E o sucesso pode ser explicado pela simplicidade da ação, que traz na sua essência um conceito tão em falta no mercado atual: a aproximação da moda com as pessoas reais, comuns, ordinárias e verdadeiras, sem o glamur das passarelas e seus corpos surreais.
A primeira vez que os Shoppenboys apareceram, foi na inauguração da nova loja Celio em Nice, no sul da França, em maio passado. A repercussão ultrapassou as expectativas e a empresa decidiu repetir a dose, dessa vez em Paris.
A empresa, líder no mercado de roupa prêt-a-porter masculina, atua em 28 países e tem 400 lojas. Percebe que muita coisa tem mudado desde a primeira edição do evento. O número de correspondências solicitando o serviço aumentou exponencialmente, e no momento há estudos de como atender os consumidores sem banalizar a idéia.
Mais que isso, não foi só as mulheres que gostaram da iniciativa. Os homens, também insatisfeitos com a pressão da mídia de moda, estão se cadastrando para, voluntariamente, se transformar em um Shoppenboy por um dia. A lista já conta, no momento, com cerca de 900 nomes que desejam protestar contra a ditadura da moda para os corpos masculinos.
Apesar da potencial luta pela "humanização" da moda, a guerra dos sexos continua. Enquanto alguns grupos acusam a marca de transformar o homem em objeto, um grupo maior ainda torce para que alguma loja feminina adote o mesmo conceito e disponibilize manequins vivas para a prova de roupa, que supostamente eles intencionam comprar para suas amadas.
Quem viver, verá os próximos capítulos.
Terra Magazine