
Alan Infante, da PrimaPagina
Uma organização não-governamental que busca criar condições para que meninos de rua do Recife voltem a viver com a família usa a cultura afro-brasileira para alfabetizá-los. A ONG segue o método do educador pernambucano Paulo Freire - que privilegia as palavras relacionadas ao cotidiano dos estudantes - para ensinar língua portuguesa a cerca de 30 crianças que freqüentam as aulas. Além de facilitar o aprendizado, a pedagogia permite uma identificação maior dos meninos com a atividade.Os cursos de alfabetização são apenas uma das diversas atividades em que a Comunidade dos Pequenos Profetas utiliza a cultura afro-brasileira para interagir com os meninos e meninas que freqüentam a casa. A entidade faz uma série de oficinas de artesanato, música e esportes em que introduz componentes com raízes africanas. Algumas ações envolvem inclusive o aprendizado de elementos do candomblé, segundo a advogada e assistente social Silvania Lucia, do UNV (Programa dos Voluntários das Nações Unidas, na sigla em inglês).
Um exemplo de como é feita a combinação da cultura afro-brasileira com as atividades da organização é a celebração do Dia Internacional do Voluntário (5 de dezembro), que será comemorado quinta-feira junto com as atividades em homenagem ao dia de Iemanjá (8 de dezembro). "O evento contará com a participação de um pai de santo, que falará sobre os orixás femininos, terá a apresentação de um afoxé e uma palestra sobre a importância do voluntariado", resume Silvania.
O objetivo principal da ONG é ajudar as crianças a voltarem para casa ou a pelo menos entrarem em um abrigo do governo. "Conversamos com as crianças e fazemos visitas aos pais para entender por que o menino ou a menina saiu de casa. Depois tentamos criar condições para essa criança voltar a morar com a família", conta Silvania. "Em muitos casos, as crianças saem de casa devido à violência doméstica, mas muitas vezes a causa do problema é mesmo a pobreza. Porque saem para pedir dinheiro, depois voltam para a casa e dão o dinheiro para os pais, mas, se um dia não trazem dinheiro, apanham. Aí elas acabam ficando na rua", conta.
O trabalho é realizado pela Comunidade dos Pequenos Profetas desde 1982. Silvania estima que, nos últimos 12 meses, foram atendidas 340 crianças. "Cerca de 30% dos meninos voltam a morar com a família e outros 30% vão morar em abrigos. Os outros 40% ficam na rua, mas muitas vezes freqüentam as oficinas", conta.
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