
Daniel Bramatti
A dupla de criadores do Skype, software que popularizou as chamadas telefônicas pela internet, e do Kazaa, um dos mais populares programas de compartilhamento de arquivos, agora vai ajudar a internet a "engolir" a TV tradicional.
O dinamarquês Janus Friis e o sueco Zennström anunciaram nesta semana o lançamento do Joost, software que permite a recepção de TV ao vivo, em tela inteira, com qualidade razoável de imagem.
Como o Skype e o Kazaa, o sistema se baseia na tecnologia P2P (peer to peer), que subverte o tradicional formato de rede dividida entre servidores (de onde o conteúdo é distribuído) e clientes (que baixam os arquivos). Numa rede P2P, cada computador é um "nó", que ao mesmo tempo baixa e oferta conteúdo.
No formato tradicional, quanto mais usuários baixam um arquivo de um mesmo servidor, mais sobrecarregado e lento ele fica. Numa rede P2P, mais usuários em rede abrem mais caminhos por onde os arquivos podem fluir, o que resulta em maior eficiência e rapidez.
O Joost terá um sistema híbrido: poderosos servidores darão o "pontapé inicial" na transmissão de imagens comprimidas; depois, os prováveis milhões de espectadores ajudarão a espalhar os arquivos por toda a rede, a partir do disco rígido de seus próprios computadores.
Assistir TV pelo Joost deve ser grátis, já que o serviço será custeado por anúncios. Mas a tecnologia pode permitir a inclusão de canais por assinatura. Os usuários poderão colocar seu próprio conteúdo na rede, criar seus próprios canais de TV? Provavelmente não, por risco de violação de direitos autorais. Até pouco tempo, os inventores do Kazaa ainda pagavam dívidas resultantes de condenações judiciais por conta do uso da rede como plataforma de pirataria.
Para ter uma amostra do software, que ainda está em fase de testes, é preciso se inscrever no site www.joost.com e agüentar a fila de espera. Como a empresa quer, por enquanto, manter certo controle sobre o tamanho da rede, está distribuindo um número limitado de senhas de acesso.
Terra Magazine obteve uma dessas senhas, após algumas semanas de espera, e testou a versão 0.7.3.1 do software. A seguir, um relato das primeiras impressões:
Aparência e funcionamento:
Quando o software entra em ação, a imagem proveniente de um dos canais ocupa toda a tela do computador. Quando se move o mouse pela tela, aparecem os comandos: no alto, um ícone que, quando clicado, exibe informações sobre o programa em exibição; à esquerda, a seção "meus canais"; embaixo, um seletor de canais, um controle de volume e uma barra de busca; à direita, a seção "My Joost" (detalhes abaixo).
Interatividade:
A seção "My Joost" é o paraíso da interatividade. Há um canal de "chat" que permite bater papo com outros espectadores do mesmo programa. Há um canal de "RSS Feeds", totalmente configurável, que leva à tela manchetes de sites informativos, para quem quiser ver TV sem se desligar do mundo real. Há um espaço para dar notas aos programas em exibição. E muito mais virá por aí, já que a arquitetura do software permite o desenvolvimento de extensões (como no navegador Firefox) que ampliam sua capacidade.Qualidade:
A imagem tem qualidade inferior à da TV normal, mas muito superior à de sites como Youtube, por exemplo. No canal "Red Hot Chili Peppers", um vídeo de cerca de 20 minutos pôde ser visto sem interrupções nem congelamentos de imagem.
Conteúdo:
Por enquanto, limitado. Há curtas-metragens, clipes e séries antigas (há um canal "Lassie", acreditem). Os donos do Joost esperam fazer acordos com emissoras tradicionais para jogar todo seu conteúdo na rede. Em tese, o número de canais pode chegar a milhares.
Requisitos:
Conexão em banda-larga e, por enquanto, Windows. Versões para Linux e Mac a caminho, segundo a empresa.
Terra Magazine