
Paulo Scott
Depois do Slam Poetry e com o firme propósito de manter a tênue origem protocolar e culturalmente-analítica desta minha coluna, referirei o Pecha Kucha.
Ouvi a expressão pela primeira vez da boca do genial escritor André Czarnobai. Ele me falou de um negócio que surgiu em Tóquio, em 2003, e se espalhou pelo mundo. Trata-se de um evento performático cujo destaque é o formato bastante especifico: 14 pessoas se sucedem em um palco, mostrando 20 imagens pelo tempo exato de 20 segundos cada uma. Cada performance terá seis minutos.
Como seria óbvio perguntar: qual o motivo para não serem 20 convidados? Reza a lenda que mais do que 14 apresentações torna o evento muito cansativo - embora haja outras explicações cabalísticas por aí (se vocês procurarem tenho certeza de que encontrarão).
Os eventos são à noite porque o slideshow tem de ser explorado em toda sua potencialidade (a ponto de a imagem estar em primeiro lugar, na frente da palavra ou da música). Não é à toa que a audiência, na sua maioria, é formada por gente ligada à fotografia, arquitetura e design, mas a interatividade com leitores, poetas, dramaturgos, músicos e atores é significativa.
Não há restrição de conteúdo, porém cada vez mais se afirmam a performances com alguma inclinação narrativa.
A utilização de slide, mesmo que o programa seja um Powerpoint, traz um ar retrô às performances, a platéia se submete ao tempo, à suspensão de algo que pode ser esmiuçado, afinal, nos dias de hoje, manter a atenção por mais de 20 segundos em uma imagem projetada não é pouca coisa.
Uleshka Asher, editor da famosa revista virtual Ping Mag, diz que o segredo está na simplicidade. Garante que freqüenta os Pecha Kucha para saber o que de mais quente está acontecendo em Tóquio e no mundo.
O primeiro Pecha Kucha no Brasil está programado para ocorrer em março, em Porto Alegre, no cultuado bar Ocidente. Prometo cobertura especial para esta coluna e recomendo: se estiverem por perto... bem, vocês sabem.
Terra Magazine