
Maria Falcão
Pesquisadores do Missouri (USA) divulgaram na semana passada dados sobre um tipo de câncer que vem crescendo nos últimos anos. É o Driver's side skin cancer, o que, em português, é algo como câncer de pele do lado do motorista, por manifestar-se principalmente no lado esquerdo do corpo - queixo, crânio, braço e mão.A pesquisa foi apresentada durante o 65º encontro anual da Academia Americana de Dermatologia, pelo Dr. Scott Fosko. Nesse estudo, ele e sua equipe coletaram informações de 898 pacientes com diagnóstico de câncer de pele assimétrico (em apenas um lado do corpo) feito por biópsia. A coleta de dados aconteceu por meio de um inquérito sobre os hábitos dessas pessoas ao dirigir, tais como se eles tendem a dirigir com as janelas abaixadas ou levantadas, se usam película nos vidros e outros hábitos relacionados.
Do total pesquisado, 53% dos casos de câncer ocorreram do lado esquerdo do corpo, e quase dois terços (64%) deles, em homens. Também de acordo com os achados do estudo, homens passam 3 ou mais horas por semana dirigindo, enquanto que as mulheres passam em torno de 1 hora por semana, apenas. Os homens passam 91% do tempo em que estão no carro no assento do motorista e passam uma quantidade considerável de horas dirigindo com as janelas abertas.
Estudos semelhantes, conduzidos em países onde o assento do motorista é do lado direito, chegaram a resultados semelhantes de distribuição do câncer de pele - lado direito da cabeça, face e braço.
Dentre os tipos de câncer de pele encontrados, o carcinoma de células basais, o menos agressivo dos tipos, foi a causa de 608 casos, enquanto que o carcinoma de células escamosas foi encontrado em 178 pesquisados. Cânceres de células escamosas geralmente não são muito sérios se identificados num estágio precoce da doença e se tratados corretamente.
Os investigadores acreditam que o aumento de casos de câncer em motoristas se deve à tendência de fabricação de carros com maiores janelas e tetos solares, e ausência de vidros matizados nas janelas dos motoristas. Em adição, as películas usadas hoje em dia ajudam a bloquear os raios ultra-violetas, especialmente UVB, mas não os UVA.
Enquanto uma nova tecnologia para bloquear raios ultra-violetas não é desenvolvida, Dr. Fosko recomenda dirigir com as janelas suspensas, fazendo uso de protetor solar.
Tipos de cancer de pele
Há vários tipos de câncer de pele, mas os 3 mais comuns são: o carcinoma basocelular (CBC), o carcinoma espinocelular (CEC) e o melanoma maligno (MM).
O CBC é o câncer mais comum em seres humanos e representa 70% dos cânceres que ocorrem na pele. É mais freqüente em pessoas de pele clara, com mais de 40 anos de idade e tem relação direta com o acúmulo da exposição solar ao longo de anos. A maioria ocorre no rosto, sendo a ponta do nariz particularmente vulnerável. Por ter uma taxa de crescimento lenta e não dar metástases, ou seja, não se espalhar a outros órgãos, tem o melhor prognóstico (evolução clínica) entre os cânceres.
O CEC representa cerca de 20% dos tumores malignos de pele. Pode ocorrer em área de pele sadia ou, mais freqüentemente, em áreas com cicatrizes de queimaduras, feridas antigas, úlceras crônicas e com lesões decorrentes do efeito cumulativo da radiação solar. É mais comum após os 50 anos em pacientes do sexo masculino. Tem crescimento mais rápido que o CBC e pode se espalhar a outros órgãos, ou seja, dar metástases. As lesões atingem principalmente o rosto e áreas expostas dos braços, como em alguns casos de caminhoneiros e motoristas de táxi.
Já o melanoma (MM) traz o maligno até no nome. Sua incidência dobrou nos últimos 10 anos, em todo o mundo. É o câncer da pele de pior prognóstico, devido ao seu alto potencial de produzir metástases enviando células tumorais para outros órgãos, onde se desenvolvem. É mais comum em pessoas de pele clara com história de queimaduras solares que ocorreram antes da idade adulta. Pode se originar da pele sã ou de "sinais" de pele. Sinais de alerta são o aumento de tamanho em extensão e/ou profundidade de um sinal de pele, mudança em suas cores originais, ulceração (formação de ferida), sangramento ou sintomas como coceira, dor ou inflamação.
Seja qual for o tipo do câncer, o diagnóstico precoce e tratamento adequados são fundamentais para a cura. Não estranhe se seu/sua dermatolgista solicitar o exame de toda a sua pele, mesmo que sua queixa seja a de queda de cabelos...
* Colaborou Cristina Salaro, dermatologista, pós-graduada pela Harvard Medical School.
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