Maria Alice Rocha
Parece que a supremacia da moda está com os dia contados. Depois das polêmicas com a magreza das modelos, novas controvérsias têm emergido com muita freqüência nas últimas semanas.Resumindo, as imagens de moda, estilistas queiram ou não, têm sim um impacto significativo no comportamento da sociedade. A anorexia tem forte correlação com as imagens de celebridade e modelos magérrimas.
Por conta disso, as agências de regulação da publicidade em vários países europeus estão com o sinal de alerta para as marcas de moda, em todos os sentidos. No entanto, não há uma regra explicítica a qual as empresas precisem se adequar. A história tem mostrado que o julgamento tem uma grande parcela de subjetividade.
Vários anúncios provocativos já foram exibidos em inúmeros espaços públicos sem causar prejuízo de imagem da marca. Na maioria das vezes, o alarde era parte da estratégia. Benetton, Calvin Klein, Yves Saint Laurent e Gucci/Tom Ford são alguns dos exemplos que ficaram na memória.
Já no ano passado uma tendência em "barrar" a moda se desenhou. Comprovadamente, as apologias às drogas, como nos editoriais de moda "heroína-chic", fizeram as suas vítimas na sociedade. Da mesma forma, as mensagens sado-masoquistas expostas para um público generalizado causam desconforto para muitos.
Em 2006, um anúncio da marca italiana Diesel foi proibido de ser veiculado no Reino Unido. Na publicidade, o corpo de um homem seminu envolvido por três pares de pernas femininas sugeriam um comportamento sexual ofensivo para alguns.
No começo deste mês, a publicidade da marca italiana Dolce & Gabbana, após ter tido a sua veiculação proibida na Espanha, foi discutida na Europa como um todo. Na peça, uma mulher aparece imobilizada por um homem, com outros homens observando em volta. A posição da modelo foi considerada submissa e inaceitável para o feminismo do século 21. Por bem, a empresa decidiu retirar o comercial do mundo inteiro.
A polêmica da semana causou surpresa até ao "agressor". Giorgio Armani foi acusado em incitar o turismo sexual de crianças na sua campanha para a marca Armani Junior. A Defensoria do Menor em Madri considerou que a marca pode, se não estimular, ao menos descriminalizar a prostituição infantil.
Na campanha para o verão 2007, a famosa casa italiana, segundo a Defensoria, apresenta meninas com traços orientais, maquiadas e e com pouca roupa. Mais que isso, apresenta meninas em roupas mais apropriadas para adultos. Armani se diz estarrecido com a repercussão.
Enquanto os fórums se alimentam da discussão a respeito dos limites da publicidade de moda, a onipotência do "ilimitado" mundo da moda encontra, finalmente, uma barreira: a da responsabilidade social.
Mas a polêmica parece ter apenas começado, visto que os que alguns chamam de censura da liberdade de expressão, outros chamam de bom senso. Vamos ver no que vai dar.