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Quarta, 14 de março de 2007, 15h05

Saias justíssimas

Maria Alice Rocha

Parece que a supremacia da moda está com os dia contados. Depois das polêmicas com a magreza das modelos, novas controvérsias têm emergido com muita freqüência nas últimas semanas.

Resumindo, as imagens de moda, estilistas queiram ou não, têm sim um impacto significativo no comportamento da sociedade. A anorexia tem forte correlação com as imagens de celebridade e modelos magérrimas.

Por conta disso, as agências de regulação da publicidade em vários países europeus estão com o sinal de alerta para as marcas de moda, em todos os sentidos. No entanto, não há uma regra explicítica a qual as empresas precisem se adequar. A história tem mostrado que o julgamento tem uma grande parcela de subjetividade.

Vários anúncios provocativos já foram exibidos em inúmeros espaços públicos sem causar prejuízo de imagem da marca. Na maioria das vezes, o alarde era parte da estratégia. Benetton, Calvin Klein, Yves Saint Laurent e Gucci/Tom Ford são alguns dos exemplos que ficaram na memória.

Já no ano passado uma tendência em "barrar" a moda se desenhou. Comprovadamente, as apologias às drogas, como nos editoriais de moda "heroína-chic", fizeram as suas vítimas na sociedade. Da mesma forma, as mensagens sado-masoquistas expostas para um público generalizado causam desconforto para muitos.

Em 2006, um anúncio da marca italiana Diesel foi proibido de ser veiculado no Reino Unido. Na publicidade, o corpo de um homem seminu envolvido por três pares de pernas femininas sugeriam um comportamento sexual ofensivo para alguns.

No começo deste mês, a publicidade da marca italiana Dolce & Gabbana, após ter tido a sua veiculação proibida na Espanha, foi discutida na Europa como um todo. Na peça, uma mulher aparece imobilizada por um homem, com outros homens observando em volta. A posição da modelo foi considerada submissa e inaceitável para o feminismo do século 21. Por bem, a empresa decidiu retirar o comercial do mundo inteiro.

A polêmica da semana causou surpresa até ao "agressor". Giorgio Armani foi acusado em incitar o turismo sexual de crianças na sua campanha para a marca Armani Junior. A Defensoria do Menor em Madri considerou que a marca pode, se não estimular, ao menos descriminalizar a prostituição infantil.

Na campanha para o verão 2007, a famosa casa italiana, segundo a Defensoria, apresenta meninas com traços orientais, maquiadas e e com pouca roupa. Mais que isso, apresenta meninas em roupas mais apropriadas para adultos. Armani se diz estarrecido com a repercussão.

Enquanto os fórums se alimentam da discussão a respeito dos limites da publicidade de moda, a onipotência do "ilimitado" mundo da moda encontra, finalmente, uma barreira: a da responsabilidade social.

Mas a polêmica parece ter apenas começado, visto que os que alguns chamam de censura da liberdade de expressão, outros chamam de bom senso. Vamos ver no que vai dar.


Maria Alice Rocha é doutoranda em moda na University for the Creative Arts de Rochester, Inglaterra, e professora e pesquisadora de moda, vestuário e consumo na Universidade Federal Rural/PE.
 

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