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Quarta, 21 de março de 2007, 10h08

IBGE: novo cálculo do PIB vê economia 11% maior

Daniel Bramatti

O recálculo do PIB, com nova metodologia aplicada pelo IBGE, mostra que a economia brasileira é muito maior do que se imaginava - para ser mais exato, R$ 211 bilhões maior. Em 2005, o Produto Interno Bruto foi de R$ 2,148 trilhões - 10,9% acima do valor estimado pelo cálculo anterior.

Também foi muito maior do que se estimava o avanço da economia no governo Lula. Em 2003, 2004 e 2005, respectivamente, o crescimento em relação ao ano anterior foi de 1,1%, 5,7% e 2,9% - pela metodologia antiga, as taxas eram de 0,5%, 4,9% e 2,3%. O resultado de 2006 será divulgado na próxima semana.

O IBGE mudou a metodologia de cálculo para tentar medir melhor o tamanho da economia - a base de dados usada agora é muito mais abrangente e precisa, segundo especialistas. Com o cálculo anterior, o instituto não conseguiu "enxergar" uma geração de riqueza de R$ 211 bilhões em 2005 - valor que supera a soma dos PIBs de Santa Catarina e do Paraná.

Você não sentirá nenhuma diferença no seu bolso - porque o que muda não é a economia real, e sim a "régua" usada para medi-la - mas o fato é que a partir de hoje, a renda per capita do brasileiro também aumenta 10,9%, de R$ 10.519 para R$ 11.662 (valor anual em 2005).

O PIB é a soma de todas as riquezas geradas em um país. Uma fábrica de sapatos que vende um lote por R$ 1 milhão após gastar R$ 800 mil na produção, por exemplo, contribui para o PIB com R$ 200 mil. O trabalho do IBGE é coletar e organizar estatísticas dos mais variados setores econômicos para tentar somar todas essas contribuições e, com isso, traçar um quadro o mais fiel possível do tamanho da economia do país.

Apesar de mais impreciso, o cálculo do PIB feito anteriormente não pode ser considerado errado - obedecia a uma metodologia aceita internacionalmente, normatizada pela ONU. Ao retratar a evolução de uma economia com milhões de atores e fatores de influência, porém, é impossível atingir precisão absoluta. Com a nova metodologia, o IBGE dá um passo em direção a uma maior precisão. "O cálculo vai melhorar, vai ficar muito mais referenciado na realidade", afirmou, no mês passado, Roberto Luís Olinto Ramos, coordenador de Contas Nacionais do IBGE, que chefia a equipe responsável por mensurar a geração de riquezas no país.

Mudanças metodológicas não são muito freqüentes, mas é improvável que o Brasil seja acusado de manipular suas estatísticas para se mostrar ainda mais rico que o Haiti. Em 2005, a China mudou a base de dados de seu PIB e descobriu que ele era 17% maior.

As mudanças no cálculo do IBGE são complicadas para os leigos. Em termos gerais, pode-se dizer que a nova contabilidade detecta de forma mais precisa o peso do governo na economia - estima-se hoje que o setor público responda por cerca de 15% do Produto Interno Bruto.

Houve uma mudança considerável na base de dados do PIB, com a incorporação de levantamentos anuais do IBGE até então desprezados, como Pesquisa Anual da Indústria, Pesquisa Anual de Serviços, Pesquisa Anual de Comércio e Pesquisa Anual da Indústria da Construção.

O PIB antigo não media com grande acuidade a contribuição das pequenas empresas para o PIB. Essa lacuna foi preenchida com a inclusão de dados do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica no cálculo. Os dados foram cedidos pela Receita Federal - em forma bruta e não individulizada, para não ferir o sigilo dos contribuintes.

 

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