Terra Magazine

 

Quinta, 29 de março de 2007, 12h45

Saiba onde foi parar o porco de Roger Waters

Daniel Bramatti

Desde o final da noite do último sábado, uma questão atormenta parte dos 45 mil espectadores do show de Roger Waters em São Paulo: onde foi parar o porco que saiu voando do Morumbi?

Breve esclarecimento para quem não estava lá: o porco (ou porca) inflável gigante foi um dos diversos efeitos pirotécnicos da megaprodução apresentada pelo ex-integrante do Pink Floyd (leia aqui).

Não é possível que um bicho daquele tamanho desapareça sem deixar vestígios, certo? Com base nessa premissa, Terra Magazine pediu aos leitores pistas sobre seu paradeiro. A boa notícia: já sabemos o que aconteceu. A má notícia: o porco explodiu.

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O suíno inflável entrou em cena quando Waters e banda tocavam "Sheep". Puxado por cabos e observado por 90 mil olhos, teve de dar uma volta olímpica ao redor do gramado enquanto exibia na própria pele mensagens políticas contra o homem mais poderoso do planeta.

Ao final do percurso, foi largado à própria sorte. Contrariando sua natureza de quadrúpede terrestre, subiu ao céu que tem um dos maiores tráfegos aéreos do mundo. Em seu pescoço, uma linha pontilhada com os dizeres "corte aqui". Convenhamos, é muita pressão.

E foi à pressão que o bicho não resistiu. Pressão interna, que ficava mais alta que a externa a cada metro que subia.

Não sabemos a que altitude chegou, mas é fato que sobrevoou o Jockey Clube, cruzou o rio Pinheiros e, cerca de seis quilômetros depois do ponto de partida, estourou, na madrugada de domingo.

Seus restos mortais se espalharam por uma área próxima ao cruzamento entre as avenidas Henrique Schaumann e Paulo VI, no bairro de Pinheiros.

O trajeto percorrido sugere que o porco ia do Morumbi para o Parque Antarctica - notório templo de adoração da figura suína, como poderá atestar qualquer palmeirense.

Ou talvez estivesse buscando nas chaminés das fábricas abandonadas da Lapa, mais adiante, uma paisagem parecida com a de seu local de nascimento - a capa do álbum "Animals", de 1977. O trágico passamento do mascote deixará para sempre a dúvida no ar.

Vários leitores responderam ao questionamento de Terra Magazine sobre o paradeiro do porco, mas a maioria fez apenas suposições. Somente Daniel Moraes apresentou um testemunho acompanhado de provas - ele recolheu um pedaço do, digamos, pernil.

Leia a seguir entrevista exclusiva do detentor de um dos souvenires mais cobiçados pelos fãs de Waters e do Pink Floyd.


Como e quando você encontrou os destroços do porco?
Foi talvez mais surreal do que o próprio show... Estava em direção à Vila Madalena, vindo do Pacaembu pela avenida Sumaré. Havia um grande pedaço no meio da avenida, após a estação Sumaré do Metrô. Inocentemente eu desviei, e ainda reclamei da sujeira da cidade. Não progredi mais de 50 metros até notar que aquela lona rosa só poderia ter caído do céu para estar espalhada daquele jeito.

O trajeto do bicho indica que ele se dirigia ao Parque Antarctica. Você acha que ele procurava companhia?
Pode ser. A julgar pela cor, estamos falando de uma fêmea. Nada mais justo do que ela sair à procura de companhia - por sinal, boa companhia. É uma pena que a porquinha tenha caído antes de alcançar o Palestra. Ia nascer um porco "mangueira": verde e rosa.

Que destino você dará ao pedaço que recolheu?
Minha intenção é vendê-lo. Acredito que existem pessoas que podem dar a ele um destino melhor do que eu.

Você é um daqueles fãs inveterados do Pink Floyd e do Roger Waters ou um admirador moderado?
Como qualquer baixista, admiro muito o Roger. Mas não sou um fã daqueles que têm todos os discos e conhece todas as formações que a banda já teve. Tenho os discos mais clássicos, como "The Dark Side of the Moon" e "Pulse", e já fiz algumas covers com minha antiga banda, na época em que só tocávamos classic rocks.

O que você achou do show?
Não costumo gostar de shows em estádios, mas alguns, como o do U2, são especiais. Foi o caso do show de sábado: um telão espetacular, efeitos visuais e muita, muita gente. Estamos falando de um mito do rock e de um álbum - "The Dark Side of the Moon" - que não é apenas uma coletânea de músicas aleatoriamente organizadas. Existem algumas coisas que todos devem fazer antes de morrer, e assistir a um espetáculo dessa proporção é uma delas.

 

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