
Paulo Scott
Na revista de domingo do jornal New York Times saiu um artigo intitulado "Reeducação" (assinado pela escritora Ann Hulbert), que me fez pensar.O foco da matéria foi a estudante Tang Meijie, um dos pivôs de uma nova ambição da China: aceitar do Ocidente um modo crítico (e mais livre) de pensar e agir.
O rigor do sistema educacional chinês traz vantagens enormes, mas estabelece metas que funcionam muitíssimo bem dentro de um contexto; todavia, com sérias dificuldades de sucesso em situações que exijam doses altas de imaginação e criatividade.
Aqui em Porto Alegre, tenho acompanhado (de longe) o trabalho que é realizado pelo Programa de Português para Estrangeiros - PPE, do Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sob a coordenação da professora Margarete Schlatter (ela foi minha professora de inglês quando eu tinha 19 anos, mas não deve lembrar disso), e arrisco palpitar que, a exemplo do que acontece em outros países do Ocidente, os alunos chineses vêm aprender mais do que a língua e a cultura do brasileiro, penso que vêm em busca de uma quebra de rigidez.
O modelo que eles criaram os colocou em um dilema, pois, hoje, existem desafios que se impõem com urgência sobre a China globalizada e que esbarram na tradição forjada pela Revolução Cultural - isso, hoje, eles já conseguem perceber, só não conseguem prospectar as soluções.
Essa dificuldade (em parte, esse medo) pode ser visto no modo como ainda lidam com a ociosidade.
Observo sua quase impagável perplexidade diante do deixa rolar dos brasileiros.
Escrevo tudo isso talvez motivado pelos meus alunos e orientandos que voltam dos Estados Unidos dizendo que o negócio é estudar mandarim, que sua próxima viagem é para a China (e a minha também deve ser); e tem estas matérias todas dizendo quem dará as cartas daqui a pouco. Como essa do NY Times.
Curioso, de qualquer forma, dois países grandes, eles tirando o pé da tábua, nós aqui precisando acelerar.
Terra Magazine