Terra Magazine

› Terra Magazine › Colunistas › Caique Severo

Sexta, 13 de abril de 2007, 08h32

Joost é bom cruzamento entre internet e TV

Caique Severo

Finalmente achei tempo para testar o Joost, o novo serviço de vídeo pela internet dos mesmos criadores do Kazaa e do Skype. A conclusão é simples: a idéia é genial e a execução, perfeita, mas ainda falta muito para ser um sucesso. Os principais problemas são a falta de conteúdo importante e a velocidade do download dos programas.

Para usar o Joost, você deve ter um convite enviado por algum amigo, porque o serviço ainda está em testes. Com o convite você pode se cadastrar e baixar o programa para instalar na sua máquina. A interface é muito fácil de usar e, apesar de o programa funcionar no computador, seria muito fácil manipulá-lo com um controle remoto de TV no conforto do sofá.

Como falei, o conteúdo ainda é limitado: desenhos animados antigos, programas de TV canadenses, programas independentes de games, esportes e videoclipes. Mas o modelo faz muito sentido e quando o serviço tiver alguns milhões de usuários, provavelmente conseguirá atrair produtores de conteúdo melhores.

O que eu mais gosto é que o Joost pegou o que há de melhor na internet, a capacidade de oferecer uma grande variedade e profundidade de conteúdos on demand (quando você quiser assistir), com a qualidade de imagem e som e facilidade de uso da TV. Ao contrário de serviços de IPTV, que têm uma limitação na quantidade de conteúdos simultâneos oferecidos por causa da necessidade de distribuir esse conteúdo o mais perto possível do consumidor, o modelo do Joost é virtualmente sem limites. Para oferecer mais conteúdo, basta colocar mais servidores.

Os problemas técnicos que enfrentei não foram poucos, mesmo com a minha conexão de 4 Mbps. Não consegui assistir a alguns canais, pois sempre aparecia uma mensagem de que aquele conteúdo não estava disponível. Não fiz uma análise técnica aprofundada, mas acho que esse problema tende a diminuir ao longo do uso do serviço e à medida que mais pessoas passem a utilizá-lo. Até onde eu entendi, o Joost utiliza um sistema de distribuição semelhante aos serviços peer-to-peer, nos quais cada usuário contribui com a sua capacidade de banda para oferecer pedaços dos arquivos aos demais participantes. Em um sistema assim, quanto mais gente, melhor a performance.

Outro problema foi que os comerciais são inseridos abruptamente no meio dos programas, provavelmente a cada X minutos, mesmo naqueles que têm interrupções de blocos muito claras. Obviamente, a inserção do comercial é automaática. É bem irritante. Não que isso não aconteça na TV "tradicional". No domingo, enquanto assistia ao seriado 24 horas, na Fox, o canal inseriu um pedaço de um filme no local de um dos segmentos do programa. Realmente, certas coisas não podem ser confiadas aos computadores.

Enfim, não há nada demais no modelo do Joost. Qualquer canal poderia distribuir seu conteúdo dessa forma, com o seu próprio programa de download. Lógico que massa crítica importa, pois quanto mais usuários, melhor a performance do sistema. Mas para mim é um modelo definitivo. A única mudança é que, em vez de ser tocado no computador, ele deveria estar na sala de estar.


Caique Severo é jornalista e trabalha com internet desde 1995.

Fale com Caique Severo: caiquesevero@terra.com.br

Terra Magazine

 
AP
Tela do Joost, serviço de grande potencial, mas ainda com limitações

Busque outras notícias no Terra

Terra Magazine América Latina, Veja a edição em espanhol

Argentina Chile Colômbia Equador Estados Unidos México Peru Venezuela