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Sexta, 13 de abril de 2007, 08h19

Governo força greve na PF, diz líder da Fenapef

Felipe Corazza Barreto

O movimento de paralisação e operação-padrão da Polícia Federal já tem mais dois capítulos agendados. Na quarta-feira, dia 18, a PF entra em operação padrão novamente por 24 horas. Nos dias 25 e 26 a categoria realizará uma assembléia geral, em Brasília, para decidir se haverá uma greve por tempo indeterminado.

A reivindicação dos policiais federais é que o governo cumpra um acordo firmado em dezembro do ano passado garantindo o pagamento da segunda parcela da recomposição salarial dos policiais federais.

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Marcos Wink, presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) crê que a vontade do ministro Paulo Bernardo é empurrar os servidores da PF para uma situação de greve por tempo indeterminado. Com a situação caótica, segundo Wink, será mais fácil passar no Congresso as medidas que restringem ainda mais o direito de greve de servidores públicos:

- Se ele quer a greve, nós vamos dar a ele

Leia a íntegra da entrevista com Marcos Wink:

Terra Magazine - Como foi o cancelamento da reunião com o governo federal?
Marcos Wink - Nós tínhamos uma reunião no Ministério do Planejamento marcada para a terça-feira. Na segunda eles já ligaram e adiaram para a quarta-feira. Marcaram para as 14h30. Chegamos lá às 14h15, todas as representações da PF. Fomos recebidos por um funcionário que nos disse que aguardássemos 10 ou 15 minutos porque o secretário nacional de Recursos Humanos estava tratando de um assunto e já viria para a reunião. Nós esperamos duas horas. Ficamos até as 16h15. Por várias vezes consultamos algum funcionário. Um dizia "não, ele foi até ali falar com o ministro", outro "não, ele já está aqui, está reunido ali". Moral da história: ficamos ali por duas horas e não sentamos para conversar. Para nós isso é um desrespeito.

E quais são os próximos passos na negociação?
Nós temos um movimento marcado para a quarta-feira (18). Vamos fazer um movimento de paralisação em todo o Brasil. O movimento vai ser de 24 horas. Vamos fazer operação padrão em aeroportos, portos e fronteiras.

A greve por tempo indeterminado ainda não está definida?
Não. Nós estamos convocando uma assembléia nacional para os dias 24 e 25 aqui em Brasília. Aí a decisão pode sair, vamos ver o que vai sair da assembléia.

E na relação com o governo?
Pela manhã da quinta-feira nós procuramos a Comissão de Segurança Pública da Câmara, falamos com seu presidente e encaminhamos um documento. Ele se comprometeu a criar uma comissão ali de alguns parlamentares para intermediar essa nossa relação com o Ministério do Planejamento.

O sentido da luta é qual?
O que gente quer é que o governo cumpra um acordo que ele mesmo propôs.

O movimento da quarta-feira deve causar mais um episódio na crise nos aeroportos, então?
Com certeza vai agravar. E a gente sente que o governo é que está nos empurrando para isso.

Empurrando por quê?
O ministro Paulo Bernardo quer aprovar as medidas que proíbem greve, e não está vendo possibilidade, parece que ele está nos empurrando para a greve para, daí sim, ter um campo fértil para ir ao Congresso e tentar aprovar essa lei. Se ele quer a greve, nós vamos dar a ele.

Seria jogar com o pior dos mundos...
É isso. E o que nos chateia é que esse pessoal que está no governo hoje se construiu fazendo greve. Agora se consolidaram no poder e estão querendo acabar com a greve. É um absurdo.

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Roosewelt Pinheiro/Agência Brasil
Marcos Wink, presidente da Fenapef

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