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Terça, 1 de maio de 2007, 08h14

Joost concretiza convergência entre TV e Internet

Daniel Bramatti

A contagem regressiva começou. Joost, o serviço/software que promete levar a TV para a Internet, chacoalhando as estruturas de ambas, está prestes a ser lançado - com o aval de grandes anunciantes, como Coca-Cola e Motorola, e de grandes produtores de conteúdo, como a rede norte-americana CBS.

Não se trata da TV pela Internet que conhecemos hoje: vídeos em tela pequena, com baixa resolução, que de tempos em tempos "congelam" até que mais alguns kilobytes sejam baixados do servidor. Joost, criado pelos inventores do Skype e do Kazaa, será vídeo em tela cheia, com qualidade próxima à da TV, e sem congelamentos ou sobressaltos - banda larga, claro, é imprescindível.

Vantagens para o espectador: inúmeros canais sem custo, interatividade, possibilidade de assistir a qualquer programa em qualquer horário e de pausar a transmissão. Vantagens para os anunciantes: chance de se exibir para o mercado global ou para públicos segmentados - os moradores de determinado país ou até de determinada cidade, por exemplo. Vantagens para os produtores: alcance mundial, possibilidade de reexibição infinita de programas e conseqüente otimização de ganhos com anúncios, risco inexistente de pirataria (por enquanto).

A combinação seduziu 32 anunciantes de peso - entre eles HP, Nike, Intel, Microsoft, Visa e até o exército dos EUA. Eles estarão no barco do Joost já no lançamento da nova plataforma - que pode até ocorrer nesta terça-feira, segundo o jornal "The New York Times". Do lado dos produtores, o número de canais ultrapassou 80 já na versão de testes. CBS e Viacom - detentora das marcas MTV e Paramount Pictures - ainda vão disponibilizar seu conteúdo, em troca de parte da receita com publicidade.

Terra Magazine testou Joost em janeiro (leia aqui) e nos últimos cinco dias. Não houve grandes mudanças. Na primeira vez, a execução dos vídeos foi perfeita. Na segunda, houve pequenos "engasgos" e congelamentos da imagem, mas nada comprometedor.

A versão mais recente do software, que por enquanto tem distribuição limitada, traz algumas novidades. Há integração com serviços online de e-mail, como Gmail e Hotmail, por exemplo. Enquanto assiste TV, o usuário pode ver quem, entre os listados em seu catálogo de endereços, está no Joost e o que está assistindo. Também pode iniciar um bater-papo online com um único clique, enquanto a programação é exibida ao fundo.

A tecnologia por trás de tudo é a mesma que transformou Kazaa e Skype em fenômenos de massa e popularizou o compartilhamento de arquivos e a telefonia pela Internet: conexão "peer to peer", ou "P2P", para os íntimos. Esse sistema subverte o tradicional formato de rede dividida entre servidores (de onde o conteúdo é distribuído) e clientes (que baixam os arquivos). Numa rede P2P, cada computador é um "nó", que ao mesmo tempo baixa e oferta conteúdo.

No formato tradicional, quanto mais usuários baixam um arquivo de um mesmo servidor, mais sobrecarregado e lento ele fica. Numa rede P2P, mais usuários em rede abrem mais caminhos por onde os arquivos podem fluir, o que resulta em maior eficiência e rapidez.

O Joost terá um sistema híbrido: poderosos servidores darão o "pontapé inicial" na transmissão de imagens comprimidas; depois, os prováveis milhões de espectadores ajudarão a espalhar os arquivos por toda a rede, a partir do disco rígido de seus próprios computadores.

O sistema é imume a piratas, em tese, porque os usuários não conseguem gravar os programas exibidos, mas talvez seja questão de tempo até que um hacker quebre essa proteção.

Leia abaixo a descrição detalhada do Joost feita por Terra Magazine em janeiro, adaptada para contemplar as pequenas alterações no programa:

Aparência e funcionamento:

Quando o software entra em ação, a imagem proveniente de um dos canais ocupa toda a tela do computador. Quando se move o mouse pela tela, aarecem os comandos: no alto, um ícone que, quando clicado, exibe informações sobre o programa em exibição; à esquerda, a seção "meus canais"; embaixo, um seletor de canais, um controle de volume e uma barra de busca; à direita, a seção "My Joost" (detalhes abaixo).

Interatividade:

A seção "My Joost" é o paraíso da interatividade. Há um canal de "chat" que permite bater papo com outros espectadores do mesmo programa. Há um canal de "RSS Feeds", totalmente configurável, que leva à tela manchetes de sites informativos, para quem quiser ver TV sem se desligar do mundo real. Há um espaço para dar notas aos programas em exibição. E muito mais virá por aí, já que a arquitetura do software permite o desenvolvimento de extensões (como no navegador Firefox) que ampliam sua capacidade.

Qualidade:

A imagem tem qualidade inferior à da TV normal, mas muito superior à de sites como YouTube, por exemplo.

Conteúdo:

Por enquanto, limitado. Há curtas-metragens, clipes, documentários e coletâneas de gols. Em tese, milhares de canais podem fazer parte da rede.

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Reprodução
Tela do Joost: filme ao fundo e, em primeiro plano, feed de notícias do Terra e lista de contatos do Gmail para eventuais bate-papos

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