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Quarta, 2 de maio de 2007, 08h00

CNN segue CBS e embarca na plataforma Joost

Daniel Bramatti

Joost, o serviço/software que promete levar a TV para a Internet, chacoalhando as estruturas de ambas, será oficialmente lançado até o final do mês.

A nova cria dos inventores do Kazaa e do Skype já conta com o aval de 32 anunciantes do porte de Coca-Cola, Nike, HP e Motorola.

Do lado dos produtores de conteúdo, a CNN foi a última a embarcar na nova plataforma. Juntou-se à Viacom (MTV, Paramout Pictures) e à rede de TV norte-americana CBS. A Sony também vai colocar na rede algumas séries antigas cujos direitos detém, como "As Panteras".

Não se trata da TV pela Internet que conhecemos hoje: vídeos em tela pequena, com baixa resolução, que de tempos em tempos "congelam" até que mais alguns kilobytes sejam baixados do servidor. Joost será vídeo em tela cheia, com qualidade próxima à da TV, e sem congelamentos ou sobressaltos - banda larga, claro, é imprescindível.

Vantagens para o espectador: inúmeros canais sem custo, interatividade, possibilidade de assistir a qualquer programa em qualquer horário e de pausar a transmissão. Vantagens para os anunciantes: chance de se exibir para o mercado global ou para públicos segmentados - os moradores de determinado país ou até de determinada cidade, por exemplo. Vantagens para os produtores: alcance mundial, possibilidade de reexibição infinita de programas e conseqüente otimização de ganhos com anúncios, risco inexistente de pirataria (por enquanto).

Terra Magazine testou Joost em janeiro (leia aqui) e nos últimos dias. Não houve grandes mudanças. Na primeira vez, a execução dos vídeos foi perfeita. Na segunda, houve pequenos "engasgos" e congelamentos da imagem, mas nada comprometedor.

A versão mais recente do software, que por enquanto tem distribuição limitada, traz algumas novidades. Há integração com serviços online de e-mail, como Gmail e Hotmail, por exemplo. Enquanto assiste TV, o usuário pode ver quem, entre os listados em seu catálogo de endereços, está no Joost e o que está assistindo. Também pode iniciar um bater-papo online com um único clique, enquanto a programação é exibida ao fundo.

A tecnologia por trás de tudo é a mesma que transformou Kazaa e Skype em fenômenos de massa e popularizou o compartilhamento de arquivos e a telefonia pela Internet: conexão "peer to peer", ou "P2P", para os íntimos. Esse sistema subverte o tradicional formato de rede dividida entre servidores (de onde o conteúdo é distribuído) e clientes (que baixam os arquivos). Numa rede P2P, cada computador é um "nó", que ao mesmo tempo baixa e oferta conteúdo.

No formato tradicional, quanto mais usuários baixam um arquivo de um mesmo servidor, mais sobrecarregado e lento ele fica. Numa rede P2P, mais usuários em rede abrem mais caminhos por onde os arquivos podem fluir, o que resulta em maior eficiência e rapidez.

O Joost terá um sistema híbrido: poderosos servidores darão o "pontapé inicial" na transmissão de imagens comprimidas; depois, os prováveis milhões de espectadores ajudarão a espalhar os arquivos por toda a rede, a partir do disco rígido de seus próprios computadores.

O sistema é imume a piratas, em tese, porque os usuários não conseguem gravar os programas exibidos, mas talvez seja questão de tempo até que um hacker quebre essa proteção.

Leia abaixo a descrição detalhada do Joost feita por Terra Magazine em janeiro, adaptada para contemplar as pequenas alterações no programa:

Aparência e funcionamento:

Quando o software entra em ação, a imagem proveniente de um dos canais ocupa toda a tela do computador. Quando se move o mouse pela tela, aarecem os comandos: no alto, um ícone que, quando clicado, exibe informações sobre o programa em exibição; à esquerda, a seção "meus canais"; embaixo, um seletor de canais, um controle de volume e uma barra de busca; à direita, a seção "My Joost" (detalhes abaixo).

Interatividade:

A seção "My Joost" é o paraíso da interatividade. Há um canal de "chat" que permite bater papo com outros espectadores do mesmo programa. Há um canal de "RSS Feeds", totalmente configurável, que leva à tela manchetes de sites informativos, para quem quiser ver TV sem se desligar do mundo real. Há um espaço para dar notas aos programas em exibição. E muito mais virá por aí, já que a arquitetura do software permite o desenvolvimento de extensões (como no navegador Firefox) que ampliam sua capacidade.

Qualidade:

A imagem tem qualidade inferior à da TV normal, mas muito superior à de sites como YouTube, por exemplo.

Conteúdo:

Por enquanto, limitado. Há curtas-metragens, clipes, documentários e coletâneas de gols. Em tese, milhares de canais podem fazer parte da rede.

Leia também:
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Reprodução
Tela do Joost: filme ao fundo e, em primeiro plano, feed de notícias do Terra e lista de contatos do Gmail para eventuais bate-papos

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