
Maria Falcão
Acho engraçado notar que, a cada fase de vida, parece que a gente recebe um "pacote-de-possíveis-assuntos" para falar entre amigos. Isso difere, claro, conforme o sexo, condição socioeconômica, grau educacional, outras características mais, e até conforme o grau de futilidade do grupo ao qual se pertence! E às vezes, trocar de "pacote", ainda que momentanemente, pode ser fatal!Bom, um dos assuntos do meu pacote (que lembro já ter feito parte do da minha avó e da minha mãe também) são aquelas manchas escuras no rosto, que aparecem principalmente no verão e mais ainda em mulheres grávidas ou que usam hormônios. Perdi a conta de quantas vezes ouvi testemunhos e relatos desse problema no verão. E, pra não dizerem que fui pouco amiga ou omissa (já que não tenho nem vestígio de tal coisa até então), achei de bom tom, agora que o verão acabou e que é um bom período para abusar dos tratamentos de pele, saber e falar um pouco mais sobre o assunto.
Segue assim uma entrevista com a dermatologista Cristina Salaro, pós-graduada pela Harvard Medical School.
Terra Magazine - O que são essas manchas escuras no rosto, tão comuns em mulheres grávidas ou que fazem terapia de reposição hormonal?
Cristina Salaro - O nome dado a esse problema é melasma. É um problema estético muito comum, mais freqüente em mulheres, mas que também pode ocorrer em homens. As manchas são escuras e acastanhadas na face, principalmente nas regiões malares (maçãs do rosto), na testa, nariz, lábio superior e têmporas, e geralmente têm limites precisos.
Qual a causa desse problema?
O seu surgimento pode estar relacionado à gravidez, ao uso de anticoncepcionais orais (pílula) ou injetáveis e tem sempre como fator desencadeante a exposição solar. Quando essas manchas ocorrem durante a gravidez, recebem a denominação de cloasma gravídico. Além de fatores hormonais e da exposição solar, a predisposição constitucional e características raciais também influenciam o surgimento do melasma, que é mais comum em pessoas morenas.
Como diferenciar de uma mancha comum de pele?
Existem manchas que são chamadas de melanoses solares, muito comuns no rosto. Estas costumam ser menores e melhor delimitadas que o melasma, que se apresenta mais difuso. As melanoses podem surgir em qualquer área do rosto, já o melasma é bastante característico nas regiões malares.
Existe apenas um tipo ou os tipos de melasma podem variar conforme a causa ou a pessoa?
Existem 2 tipos de melasma: epidérmico ou superficial e dérmico ou profundo. O superficial corresponde a 70% dos casos e é mais fácil de ser tratado. Já o dérmico é bastante resistente ao tratamento. Para se diferenciar um do outro, o dermatologista pode utilizar um aparelho conhecido como lâmpada de Wood.
Como fazer a prevenção?
Para evitar o melasma, a principal conduta é evitar a exposição solar, sendo fundamental o uso de filtros solares potentes que contenham filtros físicos, como o dióxido de titânio. As mulheres não devem se expor ao sol sem proteção solar durante a gravidez ou uso de anticoncepcionais hormonais. As pessoas com predisposição ao melasma devem utilizar filtro solar diariamente, mesmo se o dia estiver nublado.
E o tratamento, como é feito?
O cloasma gravídico pode desaparecer espontaneamente após a gravidez, não exigindo tratamento. No entanto, na maioria das vezes é necessária terapêutica específica. Esta é feita com o uso de substâncias despigmentantes, aplicadas na pele. A associação dos despigmentantes com alguns tipos de ácidos geralmente aumenta sua eficácia. Quando o pigmento se localiza mais profundamente, a melhora é mais difícil, exigindo persistência para se obter um bom resultado. Peelings (esfoliamentos) superficiais podem acelerar o processo facilitando a penetração dos despigmentantes e ajudando a remover o pigmento das camadas superiores da pele.
A conduta deve ser orientada de acordo com cada caso, pelo médico dermatologista. Após a melhora, a proteção solar deve ser mantida para evitar o retorno das manchas, que ocorre com bastante freqüência.
Terra Magazine
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As manchas escuras na pele são causadas pela exposição ao sol e têm incidência maior em mulheres grávidas ou que tomam hormônios
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