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Sexta, 18 de maio de 2007, 11h08

Vendo vídeo no computador

Caique Severo

Pesquisa divulgada pela eMarketer (http://www.emarketer.com/Article.aspx?id=1004927) mostra que nos EUA 25% das pessoas do sexo masculino assistem a vídeos em outros dispositivos em vez de na TV. Se essa é a média nos Estados Unidos, provavelmente já é realidade nas classes mais privilegiadas aqui. Além disso, metade dos participantes que assistem a vídeos online disseram estar interessados em transferir o conteúdo para o aparelho de televisão.

Os resultados reforçam a minha convicção de que o computador vai ser o centro de distribuição, não só de vídeo, mas de todo tipo de conteúdo pela casa. Aliás, outra descoberta da pesquisa é que uma das vantagens de baixar vídeo pelo computador é poder transferi-lo para dispositivos móveis como celulares e tocadores digitais para poder assistir mesmo fora de casa.

Existirão equipamentos específicos para colocar o conteúdo baixado da internet na televisão, como o Apple TV, um computador conectado na banda larga e no aparelho de TV. Mas o PC, por sua flexibilidade, deve ser a plataforma mais usada. Hoje em dia é muito mais fácil dispensar a TV do que um computador em casa. Reportagem do Estadão algumas semanas atrás mostrou um morador da Rocinha que acaba de comprar um computador e diz que não usa mais a TV. "Se eu quero ver alguma coisa, vou no YouTube e procuro", afirmou o cidadão.

Um dos desafios é criar meios de medir a audiência dos programas em todos esses dispositivos diferentes. Imagine que você é a Globo e que deseja permitir download de novelas, noticiários e séries no celular, PC, TV ou em outro dispositivo portátil. Você vai precisar somar a quantidade de vezes que esse conteúdo foi visto em cada uma dessas plataformas se quiser continuar sustentando a produção com o modelo de venda de publicidade.

Se isso não for possível, o modelo de sustentação por anúncios ficará ligado apenas aos meios massivos de distribuição, como a TV aberta ou paga. Outra forma é agregar o conteúdo em plataformas de distribuição específicas, como o Joost, que comentamos há algumas semanas (leia aqui). Mas isso deixa a geração de receita na mão de um terceiro.


Caique Severo é jornalista e trabalha com internet desde 1995.

Fale com Caique Severo: caiquesevero@terra.com.br
 
AP
Tela do Joost, uma das ferramentas revolucionárias da convergência entre TV e internet

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