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Segunda, 28 de maio de 2007, 07h56

Spam ataca web 2.0

Caique Severo

Há duas semanas, em um texto sobre a cauda longa do spam, comentei sobre as formas de poluir blogs com mensagens não solicitadas (leia aqui). Hoje vi uma nota no Adverlab (http://adverlab.blogspot.com) sobre como os sites de conteúdo colaborativo estão sendo utilizados por spammers. Existem empresas que prestam serviços que podem tornar um conteúdo mais popular do que os outros artificialmente. Um dos exemplos é de um comercial de um refrigerante que recebeu a nota máxima de mais de 70 mil supostos usuários do YouTube. É o spam atacando a web 2.0.

O site de vídeos tirou a propaganda do ar depois que descobriu que o conteúdo havia sido promovido a um dos melhores do site por uma combinação da compra de tráfego através de empresas como a Buy Hits Cheap (em português: compre acessos barato) e de softwares maliciosos que instalam programas na sua máquina para gerar visitas a sites automaticamente.

A Buy Hits Cheap promete entregar 10 mil visitantes para o seu site por apenas US$ 12. Segundo a empresa, eles negociam espaço em sites parceiros em troca de uma comissão para publicar os links para os clientes. A empresa também utiliza os famigerados pop unders, janelas que abrem atrás do seu navegador sem que você tenha pedido.

O outro método consiste em esconder dentro de outros programas uma espécie de vírus para gerar audiência sem que o usuário perceba. Um outro programa chamado you tube video downloader, sob o pretexto de ajudar você a baixar vídeos do YouTube para o seu computador, instala programas dedicados a inflar a audiências de vídeos do YouTube.

Há também o caso de um vídeo de uma empresa de RP que foi favoritado por 280 pessoas em 18 horas e entre elas estavam usuários como o nome OPSPL1, OPSPL2 e assim por diante.

Há alguns meses era possível inflar a popularidade de um vídeo apenas fazendo a página recarregar infinitamente. Por exemplo, um usuário foi capaz de assistir mais de 1 vídeo por minuto, 24 horas por dia. O YouTube afirma que o sistema foi modificado para dificultar esse tipo de manipulação. Mas como já vimos acontecer com o spam no email, os spammers são muitos e persistentes e sempre acham uma forma de dar a volta nos bloqueios.

Esse é um grande desafio para todos os sites de conteúdo colaborativo nos quais a audiência e a participação das pessoas é utilizado para avaliar a qualidade e a popularidade dos conteúdos. No caso do email, o problema do spam já está praticamente resolvido com os filtros por conteúdo.No caso da web 2.0 a briga está apenas começando.


Caique Severo é jornalista e trabalha com internet desde 1995.

Fale com Caique Severo: caiquesevero@terra.com.br

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