
Na tarde de segunda, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) afirmou que o PSDB votará contra a entrada da Venezuela no Mercosul. "Isso não acabará bem: Hugo Chávez vai acabar guerreando com um país vizinho", disse o tucano. (leia mais aqui)
A Câmara dos Deputados, logo depois das críticas de Chávez, emitiu uma nota de repúdio "às declarações levianas e irresponsáveis do Presidente da Venezuela, que não condizem com a estatura que se requer de um Chefe de Estado".
Na sessão desta segunda, alguns deputados se pronunciaram sobre Hugo Chávez e o Congresso brasileiro. Leia a seguir alguns trechos:
Roberto Magalhães (DEM-PE):
"Sr. Presidente, em nome da Liderança do Democratas, quero parabenizá-lo pela nota de desagravo ao Congresso brasileiro pelas palavras inoportunas, grosseiras e inaceitáveis sobre o Congresso Nacional proferidas pelo Presidente da Venezuela, Hugo Chávez."
Luiz Sérgio (PT-RJ):
"(...)Como não queremos que o Chávez opine sobre a nossa política, devemos entender também que não temos direito de opinar sobre a política de Chávez. Lá há os partidos políticos e não nos cabe fazer ingerência na política do povo venezuelano."
Ivan Valente (PSOL-SP):
"(...) Acho que essa campanha que tem sido feita desinforma sobre várias questões. A primeira delas é que essa medida não é ilegal; é legal. Aqui no Brasil é o Poder Público que outorga a concessão de serviço público a qualquer emissora de rádio e televisão, que pode ou não ser renovada (...) No caso específico da Venezuela, todos sabem que a maioria esmagadora das emissoras de rádios e televisão fizeram naquele país uma campanha direta pela derrubada do governo Chávez. A RCTV esteve à frente desse processo (...) A revista Carta Capital traz uma reportagem que esclarece muito do que se passou na Venezuela. Essas empresas comandaram um golpe de Estado aliadas naquele momento a empresas de petróleo controladas pela oligarquia norte-americana.
(...) A campanha que está sendo feita - e o fato de o Presidente Hugo Chávez ter repudiado - e o fato de o Senado brasileiro ter enviado uma nota pedindo que a emissora fosse reaberta é uma ingerência. Pode-se contestar a forma como foi respondido, mas não o conteúdo. O Presidente da República Bolivariana da Venezuela tem razão, não houve nenhuma ilegalidade."
Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP):
"Chávez fez desaforos ao Congresso Nacional, ao dizer que este é um Congresso submisso ao congresso americano e que é mais fácil voltar o Império português a dominar o Brasil do que eventualmente reconsiderar o gesto autoritário do seu governo de cassar a concessão da mais popular das emissoras de televisão da Venezuela, simplesmente porque ela não entrava no séquito, no rol daquelas que bajulam o Governo.(...)
É mais um passo no sentido de, amanhã ou depois, fazer concessões também ao Paraguai, mais um passo no sentido de perdoar futuras dívidas por parte de países africanos."
Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM):
"(...) O que fez não foi cassar o direito de concessão de uma empresa, mas tão-somente não renovar a concessão, o que, aliás, é previsto na legislação da Venezuela.
(...) Se determinados setores defendem tanto a democracia, (...) por que os setores que levantaram críticas ao Presidente Hugo Chávez, há alguns anos atrás, não criticaram a RCTV, que foi uma das operadoras da tentativa de golpe contra o próprio Presidente venezuelano?
Os Estados Unidos, que tanto criticam a atitude de Hugo Chávez, não dizem ao mundo que, da década de 30 até a de 90, cancelaram ou não renovaram mais de 140 concessões de canais de televisão. Isso não só acontece nos Estados Unidos, aconteceu na Espanha, na Irlanda, na Rússia, na França, no Canadá, em vários países do mundo.
(...) Podemos até considerar exagerada as expressões do presidente Hugo Chávez. Entretanto, o que ele fez foi uma reação e não uma ação, reação a um requerimento aprovado no Senado, porque direito de expressar opinião todos temos. Porém, o que o Senado fez foi aprovar um requerimento solicitando a devolução da concessão para RCTV."
Terra Magazine