
Roberto de Sousa Causo
Orson Scott Card nasceu no Estado de Washington, Estados Unidos, e cresceu na Califórnia, Arizona, e Utah. Serviu como missionário da Igreja dos Santos dos Últimos Dias no Brasil no início da década de 1970. Parte da sua experiência no Brasil aparece no romance Orador dos Mortos, a seqüência de O Jogo do Exterminador. É autor das séries Homecoming e Tales of Alvin Maker, todas best-sellers, assim como os seus romances de fantasia contemporânea Magic Street, Enchantment e o polêmico Lost Boys.
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A Primeira Saga de Ender é composta de O Jogo do Exterminador, Orador dos Mortos, Xenocida e Os Filhos da Mente (nos planos de publicação da Devir), iniciada em 1985. Mais recentemente, Card retomou a saga com uma série paralela: Ender's Shadow, Shadow of the Hegemon, Shadow Puppets e Shadow of Giant - todos best-sellers nacionais nos EUA e em vários países de língua inglesa. Um volume de contos narrando como Ender conheceu alguns dos principais coadjuvantes da saga, First Meetings in Ender's Universe, também deverá publicado pela Devir.
Orador
dos Mortos, a ser lançado em breve pela Devir Livraria, rompe com
todas as regras para as seqüências de livros de sucesso, ao lançar-se
para três mil anos no futuro dos fatos de O Jogo do Exterminador.
A humanidade expandiu-se universo afora, ocupando os mundos deixados
pelos alienígenas abelhudos. As várias colônias compõem os Cem Mundos,
controlados pelo Congresso das Vias Estelares. Ender Wiggin mantém-se
jovem graças a viagens em vôos relativísticos em que o tempo passa
mais devagar para ele. Tanto tempo depois do Xenocídio dos Abelhudos,
é hora de Ender se defrontar com uma nova espécie alienígena inteligente
- os pequeninos do planeta Lusitânia, uma colônia fundada por brasileiros!
No segundo volume da saga, Card também inova na relação entre as
vidas familiar e comunitária de seus personagens, e o contexto cósmico
em que o futuro da humanidade está em jogo - assim como a redenção
do problemático herói do primeiro livro. O filme que adapta O Jogo
do Exterminador ao cinema está em pré-produção nos Estados Unidos,
com o diretor Wolfgang Petersen (História sem Fim, Inimigo
Meu, Tróia) programado para dirigi-lo. (Sobre o filme, consulte
http://actionfilmscomedies
Após mais
de dez anos longe das livrarias brasileiras, Card retorna com a nova
tradução de Carlos Angelo para O Jogo do Exterminador, lançada
pela Devir, de São Paulo, em 2006. Enquanto a Devir ultima os detalhes
finais para o lançamento de nova tradução - acompanhada de um posfácio
inédito em que o autor se dirige ao público brasileiro -, obtivemos
esta entrevista:
O Jogo do Exterminador
tem sido um sucesso longevo desde o seu lançamento em 1985. Quais são
os seus insights pessoais sobre as razões desse sucesso?
Acho que as pessoas respondem a histórias de sacrifício pelo bem da
comunidade; de pessoas superdotadas que, apesar do fato de não serem
compreendidas por ninguém, ainda fazem o que podem para ajudar as pessoas
a sobreviver e prosperar. Ender não é um super-herói - é um herói
que você crê que possa realmente existir. E as suas maiores realizações
vêm, não do seu gênio, mas do seu coração. Acho que o público
responde a isso, onde quer que tais histórias apareçam. Harry Potter,
por exemplo, refere-se a essa mesma causa.
Ao longo dos anos você
tem insistido em seu desejo de ter toda a sua obra disponível no Brasil.
Como se sente agora que a Devir surge exatamente com essa proposta?
Estou entusiasmado, é claro! Mas também preocupado. Não quero que
uma editora nova e promissora vá a falência tentando vender minha
obra a um público que não a queira - então espero que meus livros
vendam bem aí. Espero que O Jogo do Exterminador possa até mesmo
ter o efeito que tem tido junto a muitos leitores americanos, persuadindo
jovens que pensavam que não apreciavam a leitura de livros, de que
de fato é nos livros que você pode encontrar as histórias mais poderosas
da sua vida.
Também espero que meus livros não tirem o lugar de livros escritos por brasileiros. A minha esperança é de que O Jogo do Exterminador e Orador dos Mortos possa ajudar a aumentar o público de pessoas ansiosas por ficção científica, criando novas oportunidades para os escritores brasileiros chegarem a um público receptivo.
Porque se alguém tem que escolher entre uma literatura americana traduzida e uma literatura local que fala a partir de e para o coração do povo brasileiro, é essa última que é a mais importante. Apenas se a publicação do meu trabalho puder ajudar a apoiar a literatura brasileira, é que vale a pena fazer isso.
Quando você terminou
O Jogo do Exterminador, nunca considerou que a saga de Ender
chegaria a oito romances e uma coletânea de histórias no mesmo universo.
Você vê mais histórias de Ender no futuro?
Quando escrevi o conto original, não tinha nenhuma seqüência em mente.
Sobre o que elas poderiam tratar?
Foi apenas quando eu trabalhava no romance Orador dos Mortos que me dei conta de que poderia ser realmente legal se o personagem do Orador fosse na verdade Ender Wiggin, muitos anos após os eventos de "O Jogo do Exterminador". É claro, então eu tinha o problema de como levar Ender de uma era em que os humanos acabavam de ter acesso ao vôo espacial pela primeira vez, para uma época muito posterior quando já havíamos colonizado muitos planetas em muitos sistemas estelares; eu também tinha que imaginar razões para que Ender Wiggin se tornasse um Orador dos Mortos.
É por isso que concebi o final da versão romance de O Jogo do Exterminador - as coisas que acontecem depois do último dia do treinamento de Ender. A princípio tentei colocar todas essas informações na abertura de Orador, mas ficou mortalmente monótono e adiou o início real desse romance por cem páginas. A única solução foi reescrever "O Jogo do Exterminador" como um romance, com um novo final. Assim, quando escrevi o romance O Jogo do Exterminador, foi com o propósito de montar a seqüência, Orador dos Mortos.
Xenocídio e Os Filho da Mente também têm uma origem separada. Originalmente supunha-se que seriam um único livro, com o título provisório de Philotes, e Ender não estaria nele. Foi apenas quando reconsiderei a história como uma seqüência de Orador dos Mortos é que ela adquiriu vida. Pensei nisso no meio da escrita de Orador, por isso consegui deixar alguns "ganchos" em Orador, que me permitiriam ligar a história de Philotes a ele.
Na época eu não pensava em nada a respeito dos livros da série Shadow - e essa deveria ser um único volume sobre a vida do personagem Bean. Quem imaginava que cresceria para se tornar uma história do futuro em quatro volumes? Não eu! A coletânea First Meetings deveria ser apenas um livrinho que seria tipo um souvenir da primeira EnderCon - uma convenção de devotos dos livros.
Agora, porém, finalmente concluí
que o universo de Ender deveria provavelmente continuar garimpando histórias.
Então na minha revista on line, Orson Scott Card's Intergalactic
Medicine Show (http://www.IntergalacticMedicin
Também, tenho dois livros programados com a TOR Books. Shadows in Flight segue os filhos de Bean, no seu encontro com os personagens de Filhos da Mente, para resolverem o problema do planeta Descolada. Ender in Exile leva Ender Wiggin ao primeiro planeta que ele visita após deixar aquele em que encontrou a última Rainha da Colméia, onde conhece um jovem que se imagina ser o filho de Achilles (de Shadow of the Giant). Então eu definitivamente ainda não terminei com o universo de Ender.
Os brasileiros têm um papel
importante na seqüência Orador dos Mortos, e um menor nos livros
finais da primeira saga, Xenocídio e
Os Filhos da Mente. Há alguma chance do Brasil tomar parte em
futuras histórias e romances?
Lembre-se que eu também coloquei a capital da Hegemonia no Brasil na
série Shadow, a partir de Shadow of the Hegemon. O Brasil
é apresentado de maneira proeminente na minha história "America",
a história final na coletânea The Folk of the Fringe. De fato,
tenho lutado para evitar que todas as minhas histórias tenham
uma conexão com o Brasil. Eu me surpreenderia se o Brasil não aparecesse
na minha ficção mais algumas vezes antes de eu morrer.
Mas não tenho qualquer plano
de "destacar" certos países em minha ficção. Meu plano é o de
simplesmente garantir que a minha ficção científica mostre um futuro
no qual todas as nações da Terra sejam representadas - é a minha
tentativa de equilibrar a atitude de "Americanos no Espaço", típica
da maior parte da ficção científica.
Terra Magazine
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