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Quarta, 18 de julho de 2007, 17h54

Governo é culpado por "matança", acusa Jungmann

Daniel Bramatti


As idas e vindas do governo federal em relação à crise aérea o transformaram em "suspeito usual" quando algo no setor dá errado. Não há nenhuma certeza sobre a causa do acidente com o avião da TAM em São Paulo, mas inúmeras vozes se apressaram em culpar, direta ou indiretamente, a inação governamental pela tragédia.

Poucas dessas vozes foram tão diretas e incisivas como a do deputado Raul Jugmann (PPS-PE), que considerou o caso "uma matança". Para ele, a presunção de inocência não vale neste caso, ou seja, o governo é culpado até prova em contrário.

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Em entrevista a Terra Magazine, ele disse que o país vive uma emergência nacional e que o ato de viajar de avião virou uma "loteria", em que todos se sentem vítimas potenciais. Leia a seguir:


Terra Magazine - Em uma entrevista pela TV o senhor afirmou que o governo é responsável pelo acidente até prova em contrário. Tendo em vista que as causas são desconhecidas, não é uma declaração prematura?

Raul Jungmann - Não é prematura porque o que estamos vendo é uma seqüência de desacertos, de desgoverno, de acidentes não tão graves que vêm acontecendo há aproximadamente dez meses.

Nós temos uma desordem que facilita a ocorrência de acidentes, ela convoca acidentes, seja por uma pista entregue como não deveria, seja porque a Anac permite a saturação da pista e de horários, seja porque se permite que aeronaves inadequadas sejam utilizadas... Até prova em contrário, a responsabilidade é do governo, e isso não vejo por que não afirmar. Pode-se ter um problema técnico, mas até que se prove isso é lícito pressupor uma responsabilidade governamental.

O governo não vem cumprindo com suas atribuições há muito tempo. O conjunto da obra aponta para uma responsabilidade governamental. Estou pronto para reconhecer o contrário, mas até aqui estou dizendo o que parece o senso comum: a crônica do desastre anunciado, que terminou acontecendo com essa força dramática e trágica.


O senhor era amigo do deputado Júlio Redecker?

Sim, era amigo nosso, trabalhamos juntos na CPI das Sanguessugas, era uma figura com a qual eu me encontrava todos os dias de trabalho. Isso não maximiza a crise, a crise não tem para onde crescer, apenas dá uma face, um tom mais próximo, a torna mais fisicamente dolorosa.


O senhor vê uma possibilidade de o Congresso adotar uma postura mais firme em relação à crise aérea?

Acho que deveria tomar, sob pena de ser co-responsável. Hoje temos um sentimento de impotência. O que podemos fazer? Tudo bem que se sinta isso, mas o Congresso não pode fugir de suas atribuições constitucionais, investigar, fiscalizar, propôr alternativas. O Congresso tem de exercer suas prerrogativas, sobretudo numa situação como essa. Isso não é só um acidente, é uma emergência nacional. Ou você acha que alguém sobe em um avião sem o sentimento de ser uma vítima potencial disso que está acontecendo? Na semana passada pousei no mesmo aeroporto, com o mesmo equipamento e com a mesma companhia. É uma loteria.


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Antonio Cruz/Agência Brasil
Jungmann: Acidente foi "uma matança"

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