
Daniel Bramatti
Quem fez ontem uma busca por "Argentina" no Google foi contemplado, no topo da lista de resultados, com uma foto de um time de futebol com o uniforme da seleção derrotada na final da última Copa América. Isso em si já é estranho. Mas mais estranho ainda é o fato de o time ser formado por mulheres. De costas. E com quase nada (de roupa) entre a camisa e as meias.Tudo indica que o país vizinho foi vítima de um bombardeio virtual conhecido como "googlebombing" - estratégia de manipulação que se aproveita da forma como o portal de buscas "lê" a internet para associar determinados resultados a uma palavra-chave qualquer.
No caso em questão, é provável que, em uma ação coordenada, vários sites tenham feito links para a foto das moças e associado o conteúdo ao termo "Argentina". Ao detectar essa abundância de links, o Google "supôs" que a imagem seria relevante o bastante para ilustrar uma busca por "Argentina".
Um dos alvos preferidos de "googlebombers" é o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. Em 2000, seu rosto aparecia como resultado de buscas pelo intraduzível termo "dumb motherfucker". No ano passado, sua biografia surgia quando alguém procurava por "miserable failure" (fracasso deprimente).
Em abril deste ano, o apresentador de TV Stephen Colbert - que provocou furor quando, ao vivo e em rede nacional, inseriu informações falsas na Wikipedia - sugeriu em seu programa que seu nome fosse alvo de "googlebombing". Os fãs logo o declararam "the greatest living american" (o maior americano vivo) em milhares de sites, e logo ele estava no topo das buscas por essa frase.
Hoje pela manhã, a imagem da seleção argentina havia sumido. Os bombardeios não costumam produzir efeitos duradouros, porque o Google atualiza constantemente seu algoritmo de busca e porque notícias sobre os ataques acabam subindo ao topo das buscas relacionadas aos termos explorados.
Ontem à noite, a foto das moças uniformizadas foi alvo de um intenso debate no Digg, site norte-americano de tecnologia, editado pelos próprios leitores e que raramente dedica atenção ao lado de baixo do Equador. Não mais. A julgar pelos comentários escritos pelos "diggers", caravanas de nerds devem desembarcar no aeroporto de Ezeiza nos próximos dias.
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Reprodução
Resultado da busca por "Argentina" no Google
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