
Daniel Bramatti
O Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, gestado por empresários e encabeçado pela OAB de São Paulo, não é contra o governo, afirma Sidnei Basile, diretor da Editora Abril, um dos participantes da organização.
O movimento lançou uma campanha publicitária de protesto contra a crise aérea, a corrupção e a alta carga de impostos, entre outros temas usualmente relacionados ao governo. A Abril, juntamente com outros órgãos de imprensa, vai ceder espaço publicitário para a veiculação dos anúncios.
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A campanha convoca uma grande demonstração para o dia 17 de agosto, quando se completarão 30 dias do acidente com o avião da TAM no aeroporto de Congonhas. A idéia é fazer um minuto de silêncio, em todo o país, às 13h.
A mobilização dos empresários começou nas horas seguintes ao acidente, quando a versão mais difundida para a causa era a de possíveis problemas na pista do aeroporto - de responsabilidade do governo. Desde então, ganharam força as hipóteses de falha humana ou mecânica, mas o motivo do desastre segue ignorado.
Leia a seguir entrevista do diretor da Abril a Terra Magazine, concedida por telefone, na noite desta quinta-feira:
O senhor participou das reuniões preparatórias
do movimento, correto?
Participei de uma reunião preparatória. Fui convidado.
Quem convidou o senhor?
Quem originalmente fez esse negócio foi o Jesus Sangalo, da DM9.
Ele fez o contato?
Na verdade foi o Paulo Zottolo, presidente da Philips.
A Abril vai ceder espaço publicitário para o
movimento?
Vai ceder.
Há uma estimativa de quanto espaço?
Não temos estimativa, até porque a campanha não está pronta.
Mas ela não estréia nesta sexta?
Não sei, estou em Brasília... O que acontece é que nossas publicações, com
exceção da Veja, são mensais, quinzenais, fecham na semana que vem.
O senhor diria que é um protesto contra o
governo?
Não necessariamente. Não é um protesto contra o governo, pelo menos não é
assim que os organizadores estão querendo configurar.
Mas, na medida em que há cobrança de
providências em relação a crise aérea, corrupção, violência, o alvo dessa
cobrança não é o governo, ainda que indiretamente?
Não sei, fui chamado, em nome da Abril, a colaborar com espaço publicitário, é
tudo que eu posso lhe dizer, não tenho qualquer espécie de liderança nesse
movimento. Agora, quais são as projeções disso... Por exemplo, no Terra, que
certamente está sendo chamado a colaborar... Perguntar para o Terra se é
contra o governo? Não sei. O que tem deve aparecer nos anúncios...
E o que tem nos anúncios?
Em nenhum momento ficou estabelecido que é uma campanha contra o governo.
Mas é uma campanha contra o quê?
É bom perguntar para quem está formulando a campanha...
A Abril está cedendo espaço sem saber que tipo
de anúncios vai veicular?
Sabemos que é para um movimento cívico. O Terra também se dispôs a ceder?
Não tenho essa informação.
É bom verificar, porque os sites estão entrando também, eu creio que o Terra
foi convidado... Acho que é bom saber se o Terra está se dispondo a fazer, em
que condições está se dispondo a fazer. Eu sou jornalista como você, sou
secretário editorial da Abril. Nós estamos nos mobilizando para ceder espaço
para uma campanha que, até onde estamos informados, tem um conteúdo cívico. É
muito difícil colocar aspas de que é uma campanha contra o governo, porque não
é isso que está proposto.
Conteúdo cívico é uma coisa meio vaga. Temos
apurado que é uma campanha contra violência, crise aérea, corrupção. Todos
esses temas são associados ao governo federal, neste momento.
É uma conclusão sua, não minha.
Mas quando se reclama de crise aérea está se
reclamando de quem, da TAM?
Meu caro, você está concluindo o que você quer concluir. Conclua.
Terra Magazine
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Reprodução
Site do Movimento Cívico pelos Direitos dos Brasileiros
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