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Sexta, 27 de julho de 2007, 14h00

Doria afirma que 'Cansei' é movimento cívico

Passadas 48 horas do acidente com o avião da TAM em Congonhas, um grupo de empresários começou a organizar o movimento "Cansei", lançado em campanhas publicitárias por todo o país.

No site www.cansei.com.br, a campanha, oficialmente chamada Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, é assinada apenas pela OAB-SP. Mas tem o apoio declarado de empresários, outras associações de classe e ONGs.

A reunião que criou o projeto foi no escritório de João Doria Jr. que, no entanto, nega ser o líder de qualquer movimentação: "Não tem autor. Decidimos isso para colocar como um movimento cívico".

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Doria é jornalista, publicitário e organizador de eventos. É presidente da Doria Associados e da Videomax Produções. Apresenta o "Show Business", programa semanal de entrevistas exibido pela RedeTV! aos domingos. É dono do Campos do Jordão Arts & Convention, situado na cidade turística paulista onde, no começo deste mês, organizou o 6º Passeio de Cães e o Passeio de Bebês - que premiaram o cão e o bebê mais belos da cidade.

O empresário organiza anualmente encontros como o Meeting Internacional, que recebe homens de negócios e políticos. No ano passado, o Meeting aconteceu em Bariloche, e teve apresentação de humor de Tom Cavalcante e personagens como o ex-presidente colombiano César Gaviria e Fernando Henrique Cardoso na platéia. Neste ano, o encontro será em Mendoza, Argentina, e terá o senador José Sarney (PMDB-AL) como primeiro palestrante. Em seguida, o governador amazonense Eduardo Braga (PMDB-AM).

Em outubro do ano passado, o ex-presidente tucano foi homenageado por Doria - e presenteado com uma escultura da artista plástica Anita Kaufmann - por sua trajetória política e contribuição à transição democrática do país. Durante a campanha eleitoral de 2006, Doria foi um dos organizadores de um almoço de Geraldo Alckmin com empresários.

Na entrevista abaixo, Doria fala sobre a criação do "Cansei":

Terra Magazine - Como foi a organização do movimento?
João Doria Jr. -
O acidente foi no dia 17, nós nos reunimos dia 19. E esse grupo, com várias pessoas, ganhou aderência numa velocidade muito grande, e cristalizou-se na idéia de criar um movimento pelo direito do cidadão brasileiro.

E ele é apolítico?
Sim, é cívico, não tem nenhum viés político. Nenhuma vinculação partidária, nada. É uma manifestação cívica de cidadania.

Alguns slogans da campanha, como o da crise aérea, podem levar a uma questão política. Você não acha que corre o risco de haver vinculação?
Não. O caos aéreo não é político, é uma realidade. Basta olhar os aeroportos, a TV.

Vocês já conseguiram muitas adesões em uma semana?
Muitas, e continuam no Brasil inteiro. De entidades e associações de classe, cidadãos, médicos, advogados. É impressionante. E ele começa amanhã (hoje, sexta) publicamente. Mas as informações que já correram ampliaram as adesões.

E qual é a sua participação no grupo?
É um grupo grande. Tanto que não tem autor. Decidimos isso para colocar como um movimento cívico, sem autor.

Tudo começou depois do acidente, então...
Sim, foi muito rápido.

E quem estava nesse 'embrião' do movimento?
Uma porção de pessoas. Foi muito rápido. Trocamos e-mails e as pessoas se mobilizaram, todas muito sensibilizadas. Quando a causa é boa e sólida é muito rápido.

 
NetCampos/Divulgação
O empresário João Dória Jr., que cedeu o escritório para a criação do Movimento Cívico, mas diz que não se deve "personalizar" o manifesto

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