
Raphael Prado
- Este não é um ato contra os governos, federal, estadual ou municipal. Não é um ato contra ninguém. É um ato a favor do Brasil.
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Tão a favor que D'Urso declara seu apoio ao protesto liderado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), o "Cansamos", que nasceu como contraponto ao "Cansei". Ele diz que telefonou para o presidente da entidade sindical, Artur Henrique da Silva, para comunicar sua aprovação:
- Tudo o que eles estão defendendo, sobre trabalho escravo e direitos dos trabalhadores, são bandeiras históricas da OAB. A OAB defende direitos da democracia. Mas quando ela defende direitos dos presos, dizem que ela é de esquerda. Quando lutou contra a ditadura, recebeu críticas. Quando apoiou o processo de impeachment do Collor, feriu interesses...
D'Urso critica "vozes isoladas" que tentaram desqualificar o movimento e nega que a caminhada do último domingo, em São Paulo (leia aqui) tenha tido ligação com o "Cansei". Ele reafirma que o evento liderado pela OAB-SP terá um único protesto: um minuto de silêncio no próximo dia 17 de agosto, um mês depois da tragédia com o avião da TAM.
Ele não quis comentar as declarações de seu colega presidente da OAB-RJ, Wadih Damous, de que o "Cansei" seria golpista. Prefere falar com Wadih antes, e alega que nenhuma das cinco ligações que fez foram atendidas. Insinuou que a campanha para o Conselho Federal da OAB pode estar sendo antecipada e essa seria uma explicação para a "deselegância".
Audiência com Lula
De acordo com D'Urso, o ministro da Justiça, Tarso Genro, é um dos interlocutores da OAB-SP dentro do governo. E afirmou que a entidade pedirá uma audiência com o presidente Lula para explicar o "Cansei":
- Conversei com o ministro Tarso e o ministro (Nelson) Jobim (da Defesa), que também é advogado. Pediremos uma audiência com Lula, que ainda não tem data marcada, para conversar sobre nossos objetivos.
Embora discorde, ele diz respeitar a opinião do ex-governador de São Paulo Cláudio Lembo, para quem o "Cansei" é um ato "de um pequeno segmento da elite branca de Campos do Jordão".
Questionado se o Movimento dos Sem-Terra e a luta pela reforma agrária agregariam o "Cansei" - algo que foi descartado pelo presidente da Associação Comercial de São Paulo, Alencar Burti (leia aqui) -, D'Urso diz que qualquer sugestão é bem-vinda. E que a luta pela reforma agrária é legítima.
- Qualquer entidade que tiver uma estratégia para essa questão e que queira participar do movimento pode nos apresentar. Recebemos até propostas de clubes de motoqueiros, com idéias para melhorar o Brasil. É isso que queremos estimular.
Sobre as propagandas gratuitas que o movimento teria em veículos de comunicação (leia aqui), o presidente da OAB-SP atribui as negativas de algumas emissoras à "polêmica que se formou sobre o movimento".
- Mas vamos superar essa confusão.
Todos cansados
Na saída do prédio da OAB-SP, na Praça da Sé, região central de São Paulo, uma cena paralisou os jornalistas por alguns instantes. Ambulantes que vendiam óculos escuros, doces e produtos importados nas ruas, desesperados, corriam do 'rapa', a fiscalização da prefeitura.
- Todo dia é assim. Por isso que eu não gosto de trabalhar nessa região. Cansei - diz um deles.
Terra Magazine
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Divulgação
O presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D'Urso, que diz apoiar o movimento lançado pela Centra Única dos Trabalhadores, o "Cansamos"
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