Atualizada às 08h19 Raphael Prado
Na análise do líder do PSDB na Câmara, deputado Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP), a população brasileira não está bem informada sobre os últimos acontecimentos do País - crise aérea e as eventuais responsabilidades do governo no acidente com o Airbus da TAM. Para ele, isso explica a aprovação do governo Lula.
Pesquisa Datafolha divulgada no final de semana indica que 48% dos entrevistados consideram ótimo ou bom o mandato do presidente. O índice é o mesmo da pesquisa anterior, feita em março.
- A gente sabe que, infelizmente, o número de pessoas que lêem jornal ainda é muito reduzido no País e mesmo os que vêem os noticiários pela televisão não constituem maioria - diz o deputado tucano.
Veja também:
» Datafolha: acidente não afeta popularidade de Lula
» "Não estou preocupado com pesquisa", diz Lula
Com essa dificuldade, o líder do PSDB admite que fica "complicado" fazer oposição. Ele considera que, ao contrário do PT, seu partido desempenha esse papel com responsabilidade.
- Fazer uma oposição séria como nós fazemos é mais complexo, mais difícil do que aquela que era feita no tempo em que esse mesmo pessoal (PT) estava na oposição. Que era irresponsável, inconseqüente, estridente.
Pannunzio diz que os bons índices econômicos do País - crescimento de 4,8% na atividade industrial no primeiro semestre, Bolsa batendo sucessivos recordes de pontos - não podem ser atribuídos apenas ao atual governo.
- Apesar do governo e graças às mudanças que aconteceram nos 8 anos de governo do PSDB, o País segue crescendo.
Leia a entrevista do líder do PSDB a Terra Magazine:
Terra Magazine - Como o senhor e o PSDB recebem esses números da pesquisa?
Antonio Carlos Pannunzio - Eu considero isso, na verdade, uma dificuldade de acesso à informação que a maior parte da população tem. Na verdade, os segmentos plenamente informados da sociedade criticaram e muito a falta de ação do governo. E mais do que isso, além da inação toda, o desaparecimento do Lula em momentos mais importantes, em que ele deveria no mínimo ter sido solidário (NR: o presidente Lula fez um pronunciamento em rede nacional 3 dias depois do acidente). Depois os gestos que se seguiram, com demonstração de nenhum apreço, nenhum respeito por parte de personagens importantes da República (NR: o deputado se refere ao gesto obsceno do assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, exibido pela TV Globo). Eu entendo que passa por aí. Na média, a população brasileira não tem nível de informação adequado.
O senhor acha que a população não está informada sobre os problemas recentes que tivemos no País?
Não está. A gente sabe que, infelizmente, o número de pessoas que lêem jornal ainda é muito reduzido no País e mesmo os que vêem os noticiários pela televisão não constituem maioria.
Fica difícil fazer oposição assim, né?
É complicado, é lógico. Fazer uma oposição séria como nós fazemos é mais complexo, mais difícil do que aquela que era feita no tempo em que esse mesmo pessoal (PT) estava na oposição. Que era irresponsável, inconseqüente, estridente. A responsabilidade nos impõe limites na ação. Não no sentido de o quanto devemos ser oposição. Somos oposição, eu entendo, na acepção mais ampla. Mas isso não nos coloca numa posição de sermos irresponsáveis com o País.
Até porque os índices econômicos, como o crescimento industrial que foi divulgado na semana passada (leia aqui), são positivos.
Pois é. Apesar do governo e graças às mudanças que aconteceram nos 8 anos de governo do PSDB, o País segue crescendo. E num contexto internacional extremamente favorável. Então, embora tenhamos índices positivos, são índices medíocres, se compararmos com a média mundial ou com o crescimento dos chamados países emergentes. Agora, com isso tudo o presidente tem um benefício de opinião pública.
|
Antonio Cruz/Agência Brasil
O deputado Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP), líder na Câmara, atribui a aprovação de Lula à desinformação dos brasileiros
|
» Ministro da Justiça: Sob pressão, aprovar PEC 300 é inviável