
Sarah Fernandes
da PrimaPagina
O trabalho simulou duas situações. Em uma delas, seria implantado um programa que concedesse um benefício mensal para todas as crianças pobres entre seis e 14 anos - semelhante ao Bolsa Família. Na outra, o mesmo montante de recursos seria usado em um programa de geração de postos de trabalho para todos os pobres desempregados ou com salário inferior ao oferecido pelo programa.
As duas iniciativas elevariam o rendimento mensal das famílias de baixa renda e teriam impacto parecido na redução da proporção de pobres. "Porém, os programas de emprego provavelmente teriam um impacto mais forte, por ajudar a construir infra-estrutura social e econômica. Se o programa constrói hospitais e escolas, por exemplo, ele aumenta a oferta de serviços sociais", afirma o artigo em que o estudo é apresentado, intitulado Criação de Emprego versus Transferência de Renda no Quênia.
O texto aponta que os programas de geração de trabalho tenderiam a ser mais benéficos para o grupo dos 10% mais pobres. "Isso porque o número de desempregados e de pessoas com salários baixos é maior entre eles", diz o autor do artigo, Eduardo Zepeda.
Além disso, o programa de geração de emprego teria um impacto maior entre os pobres das zonas urbanas, pois nessas regiões há mais desempregados e mais pessoas com baixos salários no mercado de trabalho. Nesses locais, o rendimento das famílias pobres aumentaria 78% com o programa de emprego e 26% com a transferência financeira.
Já nas zonas rurais um programa semelhante ao Bolsa Família seria mais eficiente, pois os domicílios dessas regiões têm mais crianças em idade escolar do que os dos centros urbanos. Um programa de transferência de renda elevaria o rendimento em 37%, e o programa de geração de trabalho, 27%.
O estudo aponta que os programas de emprego poderiam desequilibrar o mercado de trabalho, ao elevar a média dos salários. "Porém, é necessário avaliar que o equilíbrio nem sempre é benéfico: às vezes, trata-se de uma situação equilibrada em que poucos têm emprego", afirma Zepeda.
Terra Magazine
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Valter Campanato/Agência Brasil
"Programas de geração de trabalho tenderiam a ser mais benéficos para o grupo dos 10% mais pobres"
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