
Felipe Corazza Barreto
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) abriu uma representação contra a Philips na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Para a Central, a empresa violou o regulamento da OCDE, já que o presidente da multinacional declarou abertamente apoio ao Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros - o "Cansei"."A Philips se coloca como patrocinadora de uma campanha que, na nossa opinião, tenta fazer um movimento político se aproveitando de um trágico acidente como foi aquele da TAM", avalia Artur Henrique da Silva, presidente da CUT.
A carta de diretrizes da OCDE recomenda, no 11º item das "Políticas Gerais", que as multinacionais devem "Abster-se de qualquer envolvimento abusivo nas atividades políticas locais".
A representação foi entregue ao Ponto de Contato da OCDE em Brasília. "Nós fizemos diretamente no Ponto de Contato, que é o instrumento em que qualquer cidadão pode fazer esse tipo de interpelação", diz Artur Henrique.
A Philips, por meio de assessoria de imprensa, afirmou que "não pode comentar sobre fatos que desconhece ou que possam ter sido gerados a partir de especulação".
Ontem a CUT realizou um ato em Brasília que reuniu 20 mil manifestantes, segundo a própria entidade. "A gente cumpriu uma agenda importante de articulação com vários ministérios envolvendo a pauta dos trabalhadores", avalia Artur Henrique.
A agenda apresentada para vários parlamentares e membros do executivo tem, entre outras reivindicações, a manutenção do veto à "Emenda 3" - que motivou, entre outras coisas, uma greve do metrô de São Paulo no fim de abril - e a redução da jornada de trabalho.
Depois do ato em Brasília, o presidente da CUT reuniu-se com o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP). O sindicalista diz que o parlamentar foi receptivo e se comprometeu a realizar debates e seminários sobre a pauta de reivindicações apresentada pela CUT:
- Ele se colocou à disposição para construir na Câmara uma articulação e colocar essa agenda no Congresso.
Também no fim da tarde, uma outra marcha reuniu cerca de duas mil pessoas em Brasília. O protesto foi convocado pelo movimento Brasil Sem Aborto, que tenta barrar a proposta de um plebiscito sobre o tema.
Terra Magazine
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Valter Campanato/Agência Brasil
Protesto da CUT diante do Congresso
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