Terra Magazine

 

Segunda, 20 de agosto de 2007, 16h03

Sepúlveda Pertence não crê em grampo no STF

Bob Fernandes

Terra Magazine ouviu nesta segunda-feira Sepúlveda Pertence, ministro do Supremo Tribunal Federal, sobre hipotéticos grampos telefônicos que teriam sido feitos contra integrantes do STF - segundo matéria de capa da revista Veja. Nas linhas abaixo o diálogo do ministro Pertence com Terra Magazine:

- Ministro, boa tarde. Estou ligando para falar sobre a denúncia, sobre a hipótese de grampo telefônico contra o senhor, contra ministros do Supremo, publicada na Veja desta semana.

- Sim, eu falei com a revista sobre o assunto.

- O senhor foi grampeado?

- ... falei sobre um assunto que aconteceu comigo (publicado neste Terra Magazine em janeiro, leia aqui).

- Sim, é um assunto que conhecemos. Mas, lhe faço uma pergunta: O senhor crê ter sido grampeado?

- Não...

- O senhor acredita ter sido grampeado, ou seus colegas terem sido grampeados?

- Não, não creio em grampos contra mim.

- Nem contra...

- Não, não tenho nenhuma razão para crer em grampo telefônico...

- Mas...

- ... o que eu falei foi sobre aquele episódio... salvo aquele episódio, não tenho nada a dizer sobre este assunto.

- O ministro Marco Aurélio Mello já desmentiu, nesta segunda, a existência de grampo, disse que falava por ele... O senhor acha que houve um engano?

- ... um engano.

Em janeiro, quando era um dos cotados para o posto de ministro da Justiça, o ministro Pertence viu seu nome envolvido em um intrincado caso de lobby. Diga-se, antes de mais nada, que a acusação contra Pertence era fundada em uma mentira.

Então, de posse do material em que um lobista vangloriava-se de ter supostamente dado propina de R$ 600 mil ao ministro, Terra Magazine procurou Pertence.

Este editor não tinha dúvidas, jamais teve, quanto à integridade do ministro Sepúlveda Pertence, e a ele isso foi exposto; primeiro reservadamente e, em seguida, no corpo da matéria. ("Uma biografia limpa, por tudo que se conhece"). O próprio ministro, então, pediu que suas respostas, e o caso, fossem divulgados por Terra Magazine. Em conversa com este repórter concluiu o ministro, corretamente, que o material terminaria vindo à tona de uma maneira ou outra com o objetivo de atingi-lo e/ou ao presidente Lula no caso de sua nomeação para o ministério da Justiça.

Disse agora Sepúlveda Pertence - já aposentado, embora o governo ainda não tenha indicado um novo nome para o STF - à revista Veja:
- Divulgaram uma gravação (em janeiro) para me constranger no momento em que fui sondado para chefiar o ministério da Justiça, órgão ao qual a Polícia Federal está subordinada. Pode até ter sido coincidência, embora eu não acredite.

Em tempo: gravado à época não foi o ministro e, sim, o lobista envolvido na transação em Sergipe e que estava, o lobista, sob investigação da Polícia Federal. Ele, o lobista sob escuta, usou criminosamente o nome do ministro.

 
Fabio Pozzebom/Agência Brasil
Sepúlveda Pertence, ministro do STF: "Não creio em grampos contra mim"

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