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Quarta, 29 de agosto de 2007, 17h08

Mais mitos e mais verdades

Maria Falcão

Há tempos tenho vontade de escrever algo do tipo "mitos e verdades", ou "perguntas e respostas", porque me parecem formatos de texto simples, rápidos e, geralmente, bastante informativos. O problema é que, sempre que tinha uma idéia para um ou outro, na hora de colocar no papel ficava com a impressão de que já tinha lido sobre aquilo em algum outro lugar. Ou seja, alguém já havia desvendado o mito ou respondido à pergunta e restava a mim apenas a falta de originalidade. Aí fui adiando essa idéia até que me ocorresse algo realmente bom. Não, esse "realmente bom" não aconteceu. Mas, dentro da minha eterna proposta de trazer o cotidiano da saúde para as notícias, achei alguns assuntos que me soaram interessantes ou, no mínimo, úteis, para inaugurar minha incursão nesse novo formato. São eles:

- Febre X febre interna
Essa tal de febre interna é uma das queixas mais ouvidas por nós médicos nas rotinas de nossos consultórios. Acontece que febre interna NÃO existe! Se é febre, é febre, ponto, e ela se manifesta interna E externamente. Ou seja, o seu termômetro, mesmo que seja aquele mais simples de todos, vai detectá-la - a não ser que esteja quebrado!

- Infarto X princípio de infarto
Princípio de infarto também não existe. O que pode acontecer é o indivíduo ter uma angina, que às vezes pode se traduzir como uma espécie de prenúncio do infarto. A angina é um tipo de dor que o paciente sente no peito, braço ou nuca, que se manifesta geralmente durante a realização de esforços ou em momentos de emoção - pode aparecer mesmo quando não se identifica um fator provocador aparente. É uma dor forte, que dura poucos segundos, provocada pela diminuição do sangue que passa pelas artérias que irrigam o músculo cardíaco. Diminuindo-se o esforço ou cessando-se a emoção, a dor regride. Entretanto, se essa dor persistir, isso pode significar que a angina progrediu para um estágio mais grave da doença, como o infarto cardíaco.

- Inflamação de garganta X infecção de garganta
Essas duas condições são bastante confundidas pela população, principalmente por aqueles que gostam de se auto-medicar, com o auxílio do vendedor da farmácia. Aí, por exemplo, chegam ao consultório médico com uma infecção de garganta avançada, porque ao invés de terem feito uso de um antibiótico para combater a infecção, usaram um anti-inflamatório. E como sei que a "consulta com farmacêutico" é uma prática já enraizada nos hábitos do brasileiro, apesar de ser totalmente contra-indicada, é bom esclarecermos esses termos:

A inflamação da garganta é caracterizada geralmente apenas por vermelhidão, dor ou sensação de irritação, e aumento das amígdalas. É muito comum nos períodos de resfriados e gripes ou outras síndromes virais e deve ser combatida com o uso de anti-inflamatórios. Já a infecção de garganta é uma condição um pouco mais séria do que a inflamação isolada, porque além de a garganta apresentar-se também inflamada (já que a inflamação é uma resposta natural do corpo a qualquer tipo de agressão), ela apresenta-se colonizada por microorganismos (geralmente bactérias). Esses microorganismos implicam numa agressão maior ao nosso corpo, que pode evoluir com complicações além dos limites da garganta. A principal e mais fácil forma de se diferenciar uma infecção de garganta de uma inflamação é através da detecção de pontos ou placas esbranquiçadas (pus) e o seu combate deve ser feito com o uso de antibióticos.

Aproveito para dizer que pretendo vir com "mitos e verdades" ou "perguntas e respostas" com mais freqüência. Assim, meu e-mail falcaomaria@terra.com.br fica disponível para quem quiser perguntar ou mandar informações.


Maria Falcão é médica e mestre em jornalismo científico pela Universidade de Londres.

Fale com Maria Falcão: falcaomaria@terra.com.br

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