
Atualizada às 18h21 Bob Fernandes e Cláudio Leal
Os diálogos entre os dirigentes do Corinthians, capturados pela Operação Perestroika da Polícia Federal, já fornecem elementos para uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), segundo a presidente da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados, Lídice da Mata (PSB):-(...) É estarrecedor... pela dimensão, pelo nível das denúncias, é necessário uma CPI - opinou a deputada, depois de ler a reportagem publicada por Terra Magazine.
A reportagem é a mesma produzida e publicada pelo colunista e blogueiro Juca Kfouri, da Folha de S.Paulo e do UOL (leia aqui), uma vez que este Editor-Chefe de Terra Magazine e o jornalista corintiano tiveram acesso exclusivo e trabalharam conjuntamente no material do relatório.
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A comissão de esportes da Câmara tem uma audiência marcada para a próxima quinta-feira, 13, quando deverá analisar a parceria Corinthians/MSI, a pedido do deputado Sílvio Torres (PSDB).
Com as novas denúncias de lavagem de dinheiro e sonegação, entre outros crimes, expostas em relatório de 72 páginas da PF e publicadas por Terra Magazine, a audiência mudou de rumo, informa a deputada: deverão ser convocados dirigentes do Corinthians e representantes da Polícia Federal.
Os convites para os depoentes devem sair até terça-feira e, neste final de semana, a deputada Lídice da Mata, ex-prefeita de Salvador, apura junto ao Congresso Nacional se já existe um pedido de CPI do Corinthians/MSI. Veja a íntegra da entrevista.
Terra Magazine - O que a senhora achou do conteúdo das conversas dos dirigentes do Corinthians?
Lídice da Mata - Fiquei em choque. É estarrecedor. Não é uma novela, como está dito, é um filme americano. Na condição de torcedora, admiradora do espetáculo, fiquei em choque. É como se o sonho do futebol, o último estágio do imaginário do brasileiro, estivesse tão corrompido que não valesse mais a pena admirar nossos ídolos. Ver Leão envolvido nessa história... Ele foi um ídolo de minha geração!
Qual será a reação da Comissão de Esportes da Câmara?
Teremos uma reunião no próximo dia 13, quinta-feira, provocada pelo Sílvio Torres (PSDB), para tratar desse assunto. Existia uma desconfiança, uma conversa de bastidores sobre problemas graves na estrutura do Corinthians. Ele trouxe essa proposta e nós concordamos que pudesse haver essa audiência. Eu não esperava que fosse tão avassalador, envolvesse tantos segmentos da política e do esporte. A minha esperança é que uma parte do amor, do mito, da garra do futebol não se perca numa relação deturpada.
Diante do que foi publicado, que é apenas uma parte da história, quais são as outras medidas que a Câmara deve tomar?
A partir dessa audiência, podemos propor uma CPI. Até estou ligando para a Comissão, para saber se já existe um pedido de CPI. Vou ter essa resposta e acho que, pela dimensão, pelo nível das denúncias, é necessário uma CPI.
Há, então, elementos para a criação de uma CPI?
Sim, não podemos deixar que o futebol brasileiro seja estuário de um processo de corrupção, de lavagem de dinheiro, da marginalidade e do crime. Já vemos denúncias contra o carnaval do Rio, de envolvimento das escolas de samba com o jogo do bicho. Isso abala a alma do brasileiro.
A senhora pretende convocar os investigados pela Polícia Federal para depor?
Todos que nós pudermos, dirigentes do Corinthians e representantes da Polícia Federal. Os convites a essas pessoas saem, formalmente, até terça-feira.
Chegou aos deputados alguma informação sobre a investigação da PF?
Como disse, houve o requerimento de Silvio Torres, com base em notícias da imprensa, na verdade a notícia de um blog, mas sem confirmação, insinuando que estaria para acontecer um escândalo. Mas não sabíamos de nada. Impressionante o que chegou à Presidência da República. Eu, por exemplo, amo o Esporte Clube Bahia. Seria natural, se fosse presidente da República, receber dirigentes do Bahia. Mas vemos que por trás (da visita de dirigentes do Corinthians ao presidente Lula), havia mais do que o amor. Eles queriam o envolvimento do Planalto, houve uma tentativa de envolver o presidente, que não tem nada com isso.
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