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Segunda, 10 de setembro de 2007, 09h58

Duprat diz que Boris não investiu no Corinthians

Luciano Borges

Se o MSI tivesse investido no Palmeiras, "daria tudo certo". A avaliação é do empresário Renato Duprat, homem-chave da parceria entre o grupo representado pelo iraniano Kia Joorabchian e o Corinthians.

Hoje, ele acha que a crise e os problemas com a Justiça - ele é acusado de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro - que enfrenta são frutos de dois conflitos: "Primeiro, o Dualib brigou com o Kia. E, depois, o Dualib entrou em crise política com o pessoal dele no clube", disse Duprat, no domingo, ao Blog do Boleiro.

Duprat leu a reportagem
PF expõe vísceras do Corinthians/MSI, publicada no sábado por Terra Magazine e pelo colunista Juca Kfouri, da Folha de S. Paulo. Ele abriu a conversa com o aviso: "Meu advogado pediu para não falar sobre o que está no processo, porque ele corre em sigilo".

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Algumas perguntas não foram respondidas: 1) Onde e como ele conheceu Kia Joorabchian?, 2) Quanto ganhou por intermediar a parceria MSI/Corinthians e 3) O que pretende fazer no futuro?

Por outro lado, Renato Duprat deu sua versão para algumas conversas gravadas pela Polícia Federal e que estão transcritas no dossiê da "Operação Perestroika".

Boris é ou não é investidor da MSI no Corinthians?
"O Boris nunca disse ou demonstrou que tinha dinheiro no Corinthians. Ele, desde o primeiro dia em que falamos da parceria, disse que não queria entrar, que não entendia de futebol. O único interesse que ele demonstrou foi o de construir um estádio."

Você o acompanhou no Brasil. Esteve com Dualib na reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para pedir que o governo conversasse com Boris sobre investimentos. Você tinha interesse na entrada dele no Brasil?
"O Boris queria investir aqui, mas em biodiesel, álcool e no setor de aviação. Eu estive com ele com o vice-presidente da Varig, com o presidente e vice da Petrobras, estive com ele na Embraer. E, sim, fui na reunião no Palácio do Planalto. Mas, veja bem, na visita do Boris, quem acertou os encontros foi o deputado estadual Vicente Cândido (PT-SP). Eu fiquei junto apenas."

Mais uma vez, o interesse nestes movimentos de Boris Berezovski era o de intermediar negócios e ganhar comissão. Quando ainda tentavam fechar a parceria com o MSI, Duprat, Alberto Dualib e até a neta do dirigente, Carla Dualib, conheceram o empresário georgiano Badri Patarkatsishvili.

O trio, mais o homem de negócios que foi sondado para investir no Corinthians, chegou a caminhar por uma rua de Tbilisi (capital da Geórgia, república do Cáucaso) acompanhado de seguranças. Dois deles carregavam bazucas portáteis.

Badri Patarkatsishvilli é investidor da MSI?
"Estivemos com ele uma vez só em Tbilisi. Ele nos foi indicado pelo Boris como um amigo que poderia se interessar em investir na parceria. Mas não sei se ele fez isso ou não."

Até aqui, Duprat segue as orientações dos advogados que o defendem das acusações do Ministério Público Federal, junto com o presidente licenciado do Corinthians, Alberto Dualib. A afirmação de que não sabe se Boris e Badra são investidores do MSI foi dita na oitiva (depoimento) dada pelos dois indiciados na PF.

Duprat não nega a conversa gravada com Dualib, mas não lembra o teor que está no dossiê. Aliás, Duprat diz que retornou à cena da parceria em agosto do ano passado, depois que Kia e Dualib brigaram.

Qual foi exatamente o seu papel no último ano?
"O Dr. Alberto me chamou e pediu a ajuda porque o Corinthians ficou sem dinheiro, sem nada, a pé. Como fui eu que intermediei o negócio, trouxe o Kia, me senti na responsabilidade de ajudar e ir atrás de novos parceiros. Quando consegui, no dia seguinte, o Dualib pediu licença da presidência."

Quais eram os novos parceiros?
"Não posso dizer."

E com quem você falou da MSI em Londres?
"Sempre e só falei com o Kia e os advogados do MSI."

Ao ler as transcrições das conversas telefônicas gravadas pela Polícia Federal, Duprat viu dados que podem ajudá-lo e se livrar de críticas feitas por vice-presidentes do Corinthians. Uma delas é a de que teria contratado o técnico Émerson Leão a peso de ouro.

Os números do dossiê estão corretos?
"Estão. Foram R$ 3 milhões de luvas e R$ 500 mil de salários. Mas veja que quem fez o acerto foi o (Paulo) Angioni, funcionário do MSI. Do salário, o Corinthians pagaria apenas R$ 100 mil. Não fui eu que coloquei o Leão lá. Ele é até meu amigo."

E as promessas de reforços que não se concretizaram?
"O Robinho foi mais uma sondagem. Ele estava na reserva do Real Madrid, desgostoso com o técnico Fábio Capello. Mas ele preferiu ficar. Já o Cícero, ele estava na mesma negociação que fizemos com o Figueirense para trazer o volante Carlos Alberto. Mas ele pediu muito. O Borges, realmente conversamos com o empresário dele e chegamos a mandar o doutor Heraldo Panhoca (advogado do Corinthians) para o Rio. Não deu certo."

O Blog do Boleiro apurou, também, que o ex-dono do Unicor e ex-patrocinador do Santos disse, em seu depoimento, que é apenas "um médico, empresário que intermediou a parceria MSI/Corinthians. E que ele conheceu Kia em Londres".

PARCERIA NÃO ACABOU E MSI TEM DIREITO À VENDA DE CARLOS ALBERTO

Aos amigos, entre eles empresários de jogadores, Duprat tem dito que a "parceria ainda não foi desfeita pelo Corinthians". Lembra que, por isso, o MSI tem direito a 20% dos R$ 18 milhões que o Corinthians faturou ao vender o atacante William para o Shakthar, da Ucrânia.

Dualib e Duprat - nos bastidores - garantem que as vendas de William, Marcelo Matos e Carlos Alberto foram todas articuladas pelo presidente licenciado. Segundo cálculos da dupla, o clube faturou cerca de R$ 60 milhões, mas o anúncio dessas transações foi feito depois da licença de Dualib. "Aquilo é briga política. O Dualib perdeu poder e o dinheiro entrou", teria dito Duprat a um interlocutor.

Na conversa com o Blog do Boleiro, Renato Duprat não quis confirmar estas informações, mas respondeu duas outras perguntas.

Qual o seu papel nos últimos tempos em que os vices do Corinthians o acusavam de mandar mais do que o próprio Dualib?
"Meu 'goal' (objetivo, em inglês) era fixar bem a parceria. Veja bem. Depois que a parceria foi aprovada pelo Conselho Deliberativo do Corinthians - com votos de deputados, desembargadores, gente de nível - eu saí de cena. Só voltei em agosto do ano passado porque não quis deixar o Dr. Dualib com o pincel na mão. Saí para procurar novos parceiros."

E as promessas seguidas de envio de dinheiro que estão nas conversas telefônicas?
"Elas me foram garantidas pelo Kia. Aliás, o Dr. Dualib tem tudo documentado e vai mostrar na hora certa. Mais do que isso, não posso falar."

Duprat encerrou a conversa. Alegou outra vez sigilo de Justiça. Ele pareceu estar tranqüilo com relação às conversas telefônicas que foram publicadas. Achou que, na maioria das vezes, seu papel era do homem que estava tentando conseguir dinheiro para o clube paulista.

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