
Felipe Corazza Barreto
A Câmara dos Deputados vai receber cinco conselheiros do Corinthians para uma audiência pública na quinta-feira. O objetivo: explicar aos parlamentares os detalhes da parceria que virou alvo de investigação da Polícia Federal.O pedido de audiência partiu do deputado Silvio Torres (PSDB-SP). Em entrevista a Terra Magazine, o deputado diz que a idéia é começar a investigar não só a parceria Corinthians/MSI, mas o uso de clubes de futebol em geral para lavagem de dinheiro:
- O futebol brasileiro é extremamente vulnerável, dado o grau de desorganização e de situação financeira precária que vive. É um alvo fácil.
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Torres diz, ainda, que o caso do clube de Parque São Jorge é o primeiro a apresentar indícios "gravíssimos", mas que não se deve restringir as investigações a isso:
- MSI fez outras tentativas de ter outros clubes sob investimento. (...) Não dá para imaginar que isso começou no Corinthians, só tem no Corinthians. Não dá para, antecipadamente, achar que o resto está tudo certo.
Leia a entrevista com Silvio Torres:
Terra Magazine - O que o sr. espera dessa audiência pública?
Sílvio Torres - A audiência pública foi marcada e pedida por mim em função do acatamento das denúncias que o Ministério Público Federal fez contra essas pessoas. Era para ter acontecido antes, mas foi adiada porque dois ou três não poderiam ir.
Quem não podia?
O próprio Romeu Tuma Jr. e o Citadini, que estavam acompanhando um outro depoimento. Vai haver a audiência já marcada, agora, evidentemente, com os fatos novos ela ganha uma outra amplitude.
As revelações já serão debatidas?
Certamente, eles vão complementar os objetivos da audiência. Ela foi requerida justamente para avaliarmos a penetração de esquemas de lavagem de dinheiro no futebol brasileiro. O Corinthians já tinha entrado nesse barco, vamos dizer assim. Vamos tentar avaliar, fazer uma análise, ouvir os depoimentos. É uma etapa inicial de dar conhecimento ao Congresso Nacional.
A deputada Lídice chegou a mencionar a possibilidade de uma CPI sobre isso. O sr. acredita que seja aberta?
Eu acho que falar em CPI agora seria antecipar a própria audiência. Os fatos são gravíssimos, tanto os revelados quanto os já conhecidos. Na audiência pública, provavelmente, deverão surgir novos fatos. Depois disso é que a gente deve fazer uma avaliação da necessidade de ampliar a investigação e, até mesmo, uma CPI. Não se descarta, mas também não dá para dizer que vá haver.
O sr. falou de lavagem de dinheiro envolvendo futebol. Há outros clubes na mira ou o Corinthians é o único, por enquanto?
Nos termos que estão sendo comprovados, o Corinthians é único. Mas a MSI fez outras tentativas de ter outros clubes sob investimento.
Já se pode montar um quadro claro com os indícios que se tem sobre a MSI?
Eu acho que está muito claro que o interesse da MSI é de dupla natureza: primeiro, tendo muito dinheiro como tem o Boris, buscar onde desaguar esse dinheiro. E o futebol brasileiro é extremamente vulnerável, dado o grau de desorganização e de situação financeira precária que vive. É um alvo fácil para esse tipo de "ataque". Por outro lado, vislumbrou-se no futebol brasileiro um modo de o Boris conseguir um local seguro para ele, tendo que sair da Inglaterra, aportar.
O sr. acredita, então, na intenção de se asilar aqui?
Acredito, acho que quando ele viu que o Brasil era possível... Acho que, com relação ao Corinthians, a intenção era essa, não tenho dúvida. Acho que vislumbrava também um mercado ainda maior do que o Corinthians.
As supostas sondagens sobre o Flamengo...
Clubes em situação frágil, devendo muito e dependendo de injeção de capital. Alvos fáceis pra esse tipo de ação.
Mas há indícios de lavagem em outros clubes, já?
Eu acho que... não dá para imaginar que isso começou no Corinthians, só tem no Corinthians. Não dá para, antecipadamente, achar que o resto está tudo certo. A Câmara tem que cumprir o seu papel e a Polícia Federal vai investigar também.
Terra Magazine
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Divulgação
Kia Joorabchian, homem forte do início da parceria Corinthians/MSI
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