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Quarta, 12 de setembro de 2007, 08h02

Brasil perdoa US$ 1 bi em dívida externa

Da PrimaPagina

O Brasil perdoou US$ 1,25 bilhão em dívidas de países pobres como forma de ajudá-los a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), segundo um relatório feito pelo governo brasileiro e por agências da ONU. A iniciativa é parte de uma série de ações que o Brasil tem tomado para contribuir com o oitavo Objetivo (estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento), que inclui ainda apoio técnico às nações do hemisfério Sul.

"O Brasil assume dois papéis distintos. Um deles é o de país em desenvolvimento com desigualdades e assimetrias sociais, regionais e econômicas ainda a serem superadas. O outro é de líder na geração de novos conhecimentos e tecnologias em vários setores, o que possibilita o apoio a outras nações. O governo brasileiro tem atuado em ambos os papéis", afirma o Relatório Nacional de Acompanhamento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio 2007, que analisa o desempenho do Brasil nas metas da ONU.

O alívio na dívida de países com o Brasil beneficiou principalmente nações africanas. Até 31 de dezembro de 2006, foram concedidos descontos de US$ 931,8 milhões a países do continente - US$ 815,2 milhões aos altamente endividados. Com a Nigéria, por exemplo, o abatimento chegou a 67% da dívida, que estava pendente desde 1984 e somava US$ 162 milhões. Os débitos de outros países em desenvolvimento foram reduzidos em US$ 321,8 milhões, US$ 125,1 milhões entre os altamente endividados.

A iniciativa é uma das atividades brasileiras no âmbito da cooperação Sul-Sul, jargão diplomático para definir as relações entre os países em desenvolvimento, localizados no hemisfério Sul. "O foco da cooperação oferecida pelo Brasil é a transferência de conhecimentos e de experiências por meio de treinamentos, de consultorias, da capacitação institucional e da execução de projetos-piloto. Dessa forma, atende-se a dois objetivos principais: melhorar as condições de vida nos locais apoiados e gerar capacidades técnicas que permitam internalizar os resultados da cooperação", afirma o relatório.

Os projetos brasileiros de cooperação incluem áreas bastante diversas, de acordo com o documento. Eles abrangem implantação de centros de formação profissional, doação de vacinas e medicamentos e apoio a programas de prevenção e tratamento de doenças sexualmente transmissíveis, assistência em agricultura familiar e em pesquisa agrícola, auxílio na elaboração de políticas públicas e de governança eletrônica, manejo florestal e combate a incêndios florestais.

Em 2007, o Brasil está executando 184 projetos de cooperação. "São os beneficiários da cooperação brasileira que comandam as iniciativas e definem quais as prioridades na execução dos projetos. Dessa forma, ficam asseguradas a legitimidade e a efetiva apropriação de conhecimento por parte das nações atendidas", diz o texto. "Estima-se que, para cada US$ 1 de investimento direto na cooperação Sul-Sul, o valor do aporte de conhecimentos e de recursos humanos mobilizados pelas instituições brasileiras seja 15 vezes superior", completa.

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Países africanos foram os maiores beneficiados

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