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Quarta, 17 de outubro de 2007, 08h53

Dirigente do Grêmio acusa presidente de racismo

Daniel Bramatti

O advogado Carlos Josias Menna de Oliveira renunciou nesta segunda-feira ao cargo de vice-presidente do Conselho de Administração do Grêmio e acusou o presidente do clube gaúcho, Paulo Odone, de praticar um ato de racismo.

Josias, como é conhecido, assistiu ao jogo do Grêmio contra o Goiás, no sábado, em companhia de quatro convidados negros. Após a partida, foi expulso do vestiário por Odone, sob a alegação de que estaria com "seguranças". Um dos convidados é cunhado de Josias.

Procurado por Terra Magazine ontem à tarde, Odone não quis falar sobre o assunto. A assessoria de imprensa do clube informou que ele não viu os acompanhantes de Josias e que foram seguranças do próprio Grêmio que disseram que ele estava com "seguranças". Ainda segundo a assessoria, os funcionários do clube estavam monitorando o vice-presidente porque temiam um confronto entre ele e outro dirigente, que já haviam discutido em público antes.

A repórter Guérula Viero, do Terra, conseguiu contato com o presidente do Grêmio. Ele nega que tenha praticado qualquer ato de racismo e diz que Josias está passando por "uns problemas especiais":

- Não vou comentar as condições em que ele apareceu no vestiário (...) Ele bebe demais, faz coisas erradas, insulta as pessoas. Aí ele passa e-mails recompondo tudo. É uma coisa terrível.

Odone afirma ainda que Josias "não é uma má pessoa", mas precisa "procurar um psiquiatra". E se defende da acusação de racismo:

- Meu motorista é negro, a senhora que cuida dos meus filhos é negra, me acusar de racismo seria puro absurdo (...) Acho que o Josias realmente precisa de ajuda, de tratamento.

Josias registrou o caso na polícia, acompanhado de representantes do Movimento Nacional de Justiça e Direitos Humanos. Leia a seguir entrevista concedida por telefone a Terra Magazine:

O senhor poderia descrever o que aconteceu após o jogo?
O jogo terminou e desci ao vestiário para cumprimentar os atletas, o treinador e o preparador físico. Eu tinha tido um enfrentamento eleitoral, eu e o presidente do Grêmio havíamos ficado em lados opostos. Mas em nenhum momento nos atritamos ou nos desrespeitamos. Depois de cumprimentar os jogadores, já estava indo embora quando fui surpreendido pelo presidente Odone, que segurou fortemente meu braço e disse que estava me expulsando do vestiário porque eu havia cometido uma afronta contra ele e contra a direção do clube, ao assistir ao jogo cercado de seguranças.

Eu ainda tentei argumentar, disse: "Tu estás louco, tu piraste completamente, tu estás falando do meu cunhado, dos meus sobrinhos". Aí meio que caiu a ficha, ele balançou. Mas não sei se ele não acreditou ou se é muito prepotente ou arrogante para pedir desculpas e voltar atrás. Ele continuou e me colocou para fora do vestiário.

Terra Magazine - O senhor acha que é um caso de racismo? Foi entendido assim pelas pessoas atingidas?
Josias - Foi entendido assim. Se eu estivesse com quatro loiros de olhos azuis, ele teria dito que eu estava cercado de seguranças? Como normalmente se vestem os seguranças?

O padrão é usar ternos escuros...
Exatamente. E eles todos estavam com camisetas do Grêmio, um deles enrolado numa bandeira do Rio Grande do Sul. E ainda estávamos tomando uma cervejinha. Eles estavam bebendo em serviço, então? Não tinha como confundi-los com seguranças, a não ser pelo fato de serem negros.

Houve algum pedido de desculpas?
Nenhum.

E vão tomar alguma providência?
Registrei o caso na polícia. A questão agora é da polícia e do Ministério Público.

O senhor teve desentendimentos anteriores com o presidente Odone. Eles têm a ver com a construção do novo estádio do Grêmio?
Houve um desentendimento quando ele ofereceu como candidato para substituí-lo o ex-governador Antônio Britto e se alçou presidente da empresa Grêmio Empreendimentos, que vai construir o novo estádio.

Odone queria renunciar ao mandato de presidente do clube e assumir a presidência da empresa. Quando ele indicou o Britto, numa reunião com cerca de 60 pessoas, rompi com ele, disse que não concordava com a forma da escolha, sem debate democrático. Houve uma rejeição maciça ao nome do Britto na torcida, e ele acabou desistindo.


Atualização:
Após tomar conhecimento dos comentários de Odone, Carlos Josias enviou uma resposta por email a Terra Magazine, que é reproduzida abaixo exatamente na forma como foi recebida:
A SUA RESPOSTA NO TERRA MAGAZINE MOSTRA CLARAMENTE A ENORME DIFERENÇA DE NÍVEL QUE NOS SEPARA. OCEÂNICA. QUER DIZER QUE EU SOU UMA BOA PESSOA MAS TENHO PROBLEMAS COM ÁLCOOL E PRECISO DE UM PSIQUIATRA PRESIDENTE ? QUER DIZER QUE O SENHOR TEM VÁRIOS ´SERVIÇAIS` NEGROS, PRESIDENTE ? QUE MARAVILHA PRESIDENTE ! PARABÉNS POR ISTO !O QUE QUE É ISSO COMPANHEIRO ? QUE BAIXARIA PRESIDENTE ! ESTA DE TER SERVIÇAIS NEGROS FOI MUITO BOA PRESIDENTE ! QUEM CONHECE O SR. E A MIM, SABE MUITO BEM QUAL DE NÓS DOIS, COM UM CÁLICE DE VINHO, OU UMA DOSE DE WISKHY, SE COMPORTA BEM OU MUITO MAL. QUE QUE É ISSO PRESIDENTE ? PSIQUIATRA PRESIDENTE ? ORA, COMPANHEIRO, TODO MUNDO PRECISA DE UM. MAS QUEM NOS CONHECE SABE QUAL DE NÓS DOIS JÁ SE DECLAROU EM PLENO CONSELHO DELIBERATIVO DO CLUBE UM PSICOPATA. E SABE QUAL DE NÓS DOIS VIVE BATENDO NO PEITO E DIZENDO QUE É PSICOPATA. QUE QUE É ISSO PRESIDENTE. O SENHOR ME CONSIDERA UMA BOA PESSOA PRESIDENTE ? ENTÃO ME POUPE DESTA RESPOSTA MALUCA PRESIDENTE ! EU TAMBÉM LHE CONSIDERO UMA PESSOA BOA, POR ISSO SE POUPE TAMBÉM DE RESPOSTAS MALUCAS COMO ESTA ! BEM, DIGAMOS, PRESIDENTE, QUE EU ESTIVESSE ENFERMO E FOSSE PORTADOR DOS MALES QUE O SENHOR ME ATRIBUIU. DIGAMOS PRESIDENTE. AMBOS TEM CURA, PRESIDENTE. PRECONEITO NÃO. PRESIDENTE, PERCA A RAZÃO MAS NÃO A CABEÇA! UM HOMEM CULTO, INTELIGENTE, COM UM DISCURSO ENCANTADOR COMO O SENHOR PRESIDENTE, PODERIA TER A GRANDEZA DE DIZER ME DESCULPE, ME ENGANEI, DIGA QUALQUER COISA, MAS ESTA PRESIDENTE: O QUE QUE É ISSO COMPANHEIRO????????

 
Divulgação
Paulo Odone, presidente do Grêmio

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