Terra Magazine

 

Quinta, 25 de outubro de 2007, 08h08

FIQ - Outro como esse só daqui a dois anos

Claudio Martini

Na semana passada, o 5º FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos) de Belo Horizonte, mostrou a quem se dispôs a ir até a capital mineira, um panorama excepcional das HQs que foi ou está sendo realizada em diversas partes do mundo.

Com esta edição, que este ano homenageou o Japão, o festival confirma seu status como o mais importante evento dos quadrinhos no Brasil. A qualidade, diversidade e quantidade de exposições, palestras, autores presentes e lançamentos garantiram que muitas vertentes, interesses e pontos-de-vista estivessem ali representados, mostrando o vigor e poder dos quadrinhos: os super-heróis, a escola argentina, os quadrinhos europeus e africanos, os mangás e animês, os brasileiros (consagrados e independentes).

Começando pelos autores presentes, nacionais e internacionais, que participaram de palestras bate-papos, entrevistas e oficinas: os franceses Pascal Rabaté e Benoît Sokal, os argentinos Eduardo Risso, Domingo Mandrafina, Juan Sáenz Valiente e Carlos Sampayo, o italiano Giancarlo Berardi, a japonesa Kan Takahama, os brasileiros Sergio Macedo, Orlando, Fábio Moon, Gabriel Bá, Antonio Cedraz, Lelis, Renato Guedes, Marcatti, Bira, Santiago, dezenas de independentes (Quarto Mundo e outros).

As exposições também foram um dos pontos principais, distribuídas pelo belo espaço da Serraria Souza Pinto, no centro de BH. Além das mostras dedicadas aos artistas convidados e que estavam presentes, tivemos o prazer de conhecer os originais do brasileiro Julio Shimamoto e do japonês Yoshihiro Tatsumi. Pudemos ver a bela exposição de desenhos de super-heróis da coleção de Ivan Freitas, a retrospectiva de revistas mineiras alternativas e da argentina Fierro, uma homenagem a Oscar Niemeyer por artistas do mundo todo, e um trabalho realizado pelos maiores desenhistas brasileiros explicando o Brasil através dos quadrinhos.

A participação de pesquisadores e artistas, como Sonia Luyten, Gazy Andraus, Paulo Ramos, Eloar Guazzelli, João Marcos, aprofundaram a discussão sobre as HQs, em temas como Educação e Quadrinhos, Quadrinhos e Inclusão, Pesquisa e HQs.

A biblioteca de quadrinhos independentes franceses, organizada pelo desenhista brasileiro Túlio Caetano e patrocinada pelo Consulado da França, também foi uma das grandes atrações do evento. Túlio, que viveu e trabalhou muitos anos na França, realizou um incrível trabalho de pesquisa, selecionando cerca de 400 livros, para crianças e adultos, de grandes e pequenas editoras, que enfatizavam o trabalho autoral e inovador dos autores. A coleção, que agora vai viajar por várias cidades brasileiras, é imperdível.

As oficinas de Pascal Rabaté (de técnica de lavis, utilizando acrílico e nanquim), de Berardi (de roteiro) e de Zimbres (de fanzines para crianças) foram um privilégio único para quem estava lá e participou.

Enfim, um festival de gente grande para todas as idades, realizado pela editora Casa 21 e pela Fundação Municipal de Cultura de BH, que não deve nada aos grandes eventos (principalmente os realizados na Europa e Estados Unidos) dedicados às histórias em quadrinhos. Só resta agora os fãs de todo o Brasil que ainda não o conhecem, tomarem consciência da importância e excelência desse evento e comparecerem em peso, daqui a dois anos, em Belo Horizonte.


Claudio Roberto Martini é designer gráfico e publisher da editora de HQs Zarabatana Books

Fale com Claudio Martini: claudio.martini@terra.com.br

As opiniões expressas aqui são de exclusiva responsabilidade do(a) autor(a) e não necessariamente coincidem com os parâmetros editoriais de Terra Magazine.
 
Reprodução
Cartaz do festival de quadrinhos que aconteceu em Belo Horizonte

Exibir mapa ampliado

O que Claudio Martini vê na Web

Terra Magazine América Latina, Veja a edição em espanhol