
Claudio Leal
A presidente da comissão de Turismo e Desporto da Câmara, Lídice da Mata (PSB-BA), declarou a Terra Magazine que "passou do tempo" a instalação de uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) para apurar operações financeiras de clubes de futebol.Ontem, o deputado Sílvio Torres (PSDB-SP) e o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) protocolaram, na Mesa do Congresso, o requerimento de criação da CPMI Corinthians/MSI. Conta com a assinatura de 209 deputados e 38 senadores.
O movimento dos congressistas veio no mesmo dia em que a Fifa anunciou o Brasil como sede do mundial de 2014.
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Lídice argumenta que o processo investigatório já foi deflagrado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. A CPMI teria apenas uma posição "secundária e auxiliar".
Em 9 de setembro, um dia após a reportagem de Terra Magazine (leia aqui) e do colunista da Folha de S. Paulo, Juca Kfouri sobre a Operação Perestroika da PF, a deputada e ex-prefeita de Salvador defendeu a necessidade de uma CPI para apurar as denúncias. Na época, alega, não recebeu o apoio de outros parlamentares, refratários à proposta.
- Não mudei minha posição. Na época (do início do escândalo Corinthians/MSI), eu propus e fiquei sozinha. Passou do tempo. Consultei os membros da Comissão, que compreenderam que o caminho era outro.
Em 24 de setembro, o deputado Sílvio Torres, hoje o principal defensor da CPI na Câmara, ainda se mostrava reticente. A esta revista, Torres afirmou (leia aqui):
- Vou dizer com toda sinceridade: não quero sair coletando assinaturas para uma CPI que pareça oportunista. Particularmente, acho que a CPI seria mais objetiva, mais eficiente...
Na segunda-feira, 29 de outubro, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, afirmou que a Fifa "não permitiria" a CPI Corinthians/MSI. Mais: opinou que ela seria usada para atingir a organização da Copa do Mundo de 2014.
A deputada do PSB acredita que a comissão de inquérito reforça a imagem negativa do futebol brasileiro. Como alternativa, defende o acompanhamento das investigações do MP para estudar mudanças na legislação.
- Um futebol que é escolhido para sediar a Copa do Mundo e aparece nos noticiários internacionais com uma CPI no Congresso Nacional, óbvio que não é a melhor das imagens.
Leia a entrevista de Lídice da Mata.
Terra Magazine - O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, disse que a Fifa "não permitiria" uma CPI para apurar lavagem de dinheiro. Logo depois, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, disse que isso não tem influência. Qual sua posição a respeito da CPMI do Corinthians/MSI?
Lídice da Mata - Não deixa de ser uma notícia negativa para o futebol brasileiro. Um futebol que é escolhido para sediar a Copa do Mundo e aparece nos noticiários internacionais com uma CPI no Congresso Nacional, óbvio que não é a melhor das imagens. Mas essa não é a questão. Eu fui a primeira a lançar publicamente a idéia (da CPI). Houve uma reação enorme dos próprios membros da Comissão (de Desporto). Obviamente, a Comissão fez a sua parte. Investigou, levou para lá todas as pessoas que estavam envolvidas na investigação...
E a discussão em torno da CPI?
Primeiro, há a idéia de que a CPI deve dar uma contribuição a quê? À investigação. Solicitar a investigação. Tudo isso foi feito. Um inquérito se encontra aberto. Então, nós perdemos um pouco a função. A função que nós temos e que está extremamente válida e que nos interessa é justamente fazer com que esse processo possa dar à Casa Legislativa a condição de, percebendo os equívocos e os erros, identificar a melhor forma de corrigi-los com uma legislação que proíba, iniba as práticas que aconteceram. Efetivamente, as investigações apontam para isso.
Lá no Congresso...
E aí nós temos proposta de investigação, que foi feita a partir da presença dos conselheiros do Corinthians.O (Rubens) Aprobatto apresentou uma proposta de lei. Nós temos o Estatuto do Esporte paralisado na Câmara, sem ir pra frente. Enquanto a legislação não vem, o futebol fica de um lado com a pressão para uma CPI que hoje, acredito, não tenha maior conseqüência, porque a investigação já está sendo realizada. As investigações correm em sigilo de Justiça. Nós vamos fazer uma CPI para quebrar o sigilo de Justiça? Essa não é a função da CPI. E também a tentativa que se deu o tempo inteiro de tentar envolver o governo, enquanto nenhuma denúncia tinha qualquer indício de envolvimento, de participação do governo federal. Em nenhum momento isso ficou demonstrado.
Não é o momento para uma CPMI?
Eu acho que a CPMI não cumpre esse objetivo. Nós precisamos é pressionar, acompanhar, para que as investigações prossigam e que se desvendem. A CPMI não poderá investigar mais que o Ministério Público e a Polícia Federal estão fazendo. Ao que parece, são pessoas extremamente comprometidas com as investigações dos fatos.
Ricardo Teixeira pressionou os deputados para retirarem as assinaturas do requerimento?
Não creio, não vi. Em nenhum momento, eu fui contatada por Ricardo Teixeira. Não conheço Ricardo Teixeira, nem tenho relação com Ricardo Teixeira. E não sei quem são os deputados que estão sendo contatados por ele. É preciso dizer. Porque tudo que a gente vê fica sob suspeita. Não mudei minha posição. Na época, eu propus e fiquei sozinha. Passou do tempo. Consultei os membros da Comissão, que compreenderam que o caminho era outro. Como presidente da Comissão, eu acompanho a maioria. Muita gente não queria que a gente fizesse todas as sessões (audiências). Nós fizemos todas. Agora, todo o processo investigatório já foi deflagrado. Nossa posição é que uma CPI seria secundária e auxiliar.
Terra Magazine
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Wilson Dias/Agência Brasil
A presidente da comissão de Turismo e Desporto da Câmara, Lídice da Mata (PSB), acredita que "uma CPI seria secundária e auxiliar"
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