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Quinta, 29 de novembro de 2007, 09h57

Estádio do Vitória está "aberto" para o Bahia

Claudio Leal

Uma decisão espinhosa aguarda os diretores do Esporte Clube Bahia. Com a interdição da Fonte Nova - no último domingo, um bloco do anel superior desabou e sete torcedores morreram -, o tricolor baiano vai procurar um novo gramado para disputar a Série B do Campeonato Brasileiro, em 2008.

Órfão da Fonte Nova, mítica arena hoje ameaçada de implosão, o Bahia pode recorrer ao campo rubro-negro - o Estádio Manoel Barradas, com capacidade para 35 mil torcedores. Neste caso, encontrará abrigo na casa do adversário.

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O presidente do Vitória, Jorge Sampaio, garante que o clube está "aberto" para ceder o Barradão, caso o espaço seja solicitado pelo Bahia.

- A possibilidade existe, mas não teve nenhum contato conosco em relação a isso. (...) E, se formos contatados, estamos completamente abertos para a discussão e para ajudar.

Falta somente acertar com os torcedores. Nem os rubro-negros nem os tricolores engolem a idéia em seco. Situado no ex-aterro sanitário da Canabrava, o campo do Vitória é alvo de anedotas. Por sua vez, o Bahia não possui estádio próprio. Não deixa de ser um desfecho anedótico ter de recorrer aos refletores desde sempre criticados.

Sampaio faz uma ponderação à generosidade rubro-negra: vai ser preciso um seguro de proteção do patrimônio para se precaver contra atos de vandalismo. Domingo, 25, no jogo Bahia x Vila Nova, os tricolores invadiram o gramado da Fonte Nova e quebraram equipamentos do estádio.

- Milhares e milhares de torcedores depredaram tudo, derrubaram alambrado, arrancaram a grama... Aqui, no Vitória, nós comemoramos um feito histórico, a subida da série C para a série A em dois anos, e nada disso aconteceu, não houve invasão de campo, nenhum incidente.

Há poucas alternativas para o Bahia. Sua torcida pode recorrer a três estádios - todos com lotação inferior ao Barradão.

O Pituaçu, em Salvador, comporta entre 5 mil e 8 mil torcedores. Sediou o juvenil, o infantil e a segunda divisão do campeonato baiano; em 1995, abrigou jogos do Campeonato Brasileiro.

O Armando Oliveira, em Camaçari, tem capacidade para 10 mil. Numa opção drástica, o Bahia irá para o Jóia da Princesa, em Feira de Santana - 20 mil torcedores.

O Barradão também enfrentou restrições do Ministério Público. A direção rubro-negra tem feito reformas para adequá-lo às exigências. Mas, dificilmente o Bahia encontrará outro estádio que comporte jogos da Série B no Estado.

Só com nível inferior.

A seguir, a entrevista com o presidente do Vitória, Jorge Sampaio.

Terra Magazine - Com a interdição da Fonte Nova, o Vitória aceita ceder seu estádio para o Bahia?
Jorge Sampaio - A possibilidade existe, mas não teve nenhum contato conosco em relação a isso. A gente está solidário com todo o problema, com toda a tristeza que se abateu sobre o Estado. E, se formos contatados, estamos completamente abertos para a discussão e para ajudar.

O Barradão tem condições de abrigar os jogos do Bahia?
O Barradão tem total condição. Tivemos vários jogos pela série B, com 37, 35 mil pessoas, na mais perfeita ordem, não houve nenhum tipo de incidente, total segurança...

Não houve restrições às arquibancadas?
Pelo contrário, pelo contrário. A arquibancada do Barradão é favorecida porque ela foi feita numa encosta. Ela não tem edificação de concreto. Ela fica na inclinação de um morro. Portanto, há total segurança e a gente trata isso aqui com cuidado artesanal. Fizemos esse ano um trabalho impecável de correção de infiltrações e de rachaduras - mais de 300 mil reais com esse trabalho de infra-estrutura, depois pintamos todo. A gente tem o maior orgulho do Barradão e ele está apto a abrigar qualquer jogo.

Se o Vitória for solicitado, a rivalidade fica de lado?
Nesse momento, fica de lado.

Como o senhor avalia a tragédia na Fonte Nova?
É isso, primeiro a gente ficou com uma tristeza muito grande, completamente consternado com o que aconteceu. Agora, aos olhos da razão, a gente acha que foi uma irresponsabilidade liberar um estádio que já apresentava falhas estruturais, visíveis a olho nu. Ferragens aparentes, pedaços de concreto se despregando, o teto do anel superior... Tudo isso nós pudemos presenciar ao vivo, lá, no início do ano. Mesmo assim, resolveram liberar esse estádio nessa condição. E a tragédia era anunciada, acabou acontecendo para a tristeza de todos.

Como é feita a negociação pra outro clube usar o Barradão? Quanto custa?
Isso nunca aconteceu, né? (risos) Mas é dentro da prática normal que existe de aluguel de estádio, 10% da renda, mais ou menos é essa a praxe. Nessa parte financeira, a gente entraria no denominador comum sem problema. O que tem que ver é seguro de proteção ao patrimônio. Porque, além da tragédia, lá na Fonte Nova, houve cenas de vandalismo explícito. Milhares e milhares de torcedores depredaram tudo, derrubaram alambrado, arrancaram a grama... Isso não pode acontecer. Aqui, no Vitória, nós comemoramos um feito histórico, a subida da série C para a série A em dois anos, e nada disso aconteceu, não houve invasão de campo, nenhum incidente. Além da presença das duas musas (Ivete Sangalo e Daniela Mercury), das duas divas da música baiana... Mesmo com tudo isso, transcorreu tudo na mais perfeita ordem.

 

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