
Claudio Leal
O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, respondeu às declarações do bispo d. Luiz Cappio, que sustenta uma greve de fome contra a transposição do rio São Francisco.Em entrevista a Terra Magazine, Geddel afirma que "não há diálogo" com o bispo Cappio. Para o ministro, o religioso não quis retomar os debates com o governo e assumiu uma postura antidemocrática.
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Às 15h50 desta segunda, d. Cappio declarou a Terra Magazine que não pretende encerrar a greve de fome. Justificou:
- Eu já fui enganado uma vez. E não quero ser enganado outra.
Leia a entrevista com Geddel Vieira Lima.
Terra Magazine - Agora há pouco, d. Luiz Cappio disse que já foi enganado uma vez e não vai sair do jejum porque o governo não cumpre os acordos. O bispo ligou para o senhor?
Geddel Vieira Lima - Não, querido. Em 16 de janeiro, quando eu tomei posse, tomei a inciativa de ligar pra D. Cappio. E chamei pra conversar comigo, me pus à disposição para conversar com ele. Ele disse que ia consultar algumas pessoas e...
Não retornou?
Não retornou até hoje. Mas não é isso que está em questão. O que está em questão é como se comportar a democracia diante de um fato desses. Como é o comportamento da democracia? Ela se avilta ou ela cresce quando uma pessoa quer submeter a sua vontade a todo um governo que é legítimo, eleito legitimamente?
O senhor escreveu um artigo, na Folha de S. Paulo, e chamou a greve de fome de "terrorismo simbólico". Não foi um pouco duro?
Não, não. O que eu penso está ali naquele artigo. Exatamente isso.
Depois que o bispo entrou em greve, o senhor não pretende retomar o diálogo? Não pretende ligar para ele?
Não há diálogo. Porque a carta do bispo d. Cappio diz que só há uma saída: paralisar a obra e retirar o Exército de lá, que é quem está fazendo a obra.
O bispo afirma que não é verdade que a Transposição vai atingir 14 milhões de pessoas, é uma enganação.
Aí são argumentos técnicos e a gente pode debater quantas vezes quiser. O governo tem estudos, dados claros, a Transposição é uma saída para essa questão. O governo tem dados concretos, claros, para essa situação. A verdade não é mais essa, a verdade é que o Cappio é contra a obra.
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