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Quinta, 13 de dezembro de 2007, 14h28

Diplomata holandês desiste de filha adotiva

Arnild Van de Velde

Uma menina sul-coreana que, em 2000, havia sido adotada pelo casal Meta e Raymond Poeteray, diplomatas holandeses em Hong Kong, passou à custódia do serviço social daquela região chinesa depois que os Poeterays decidiram que ela não era "compatível" com a família, que a vinha criando desde os quatro meses de idade.

A pequena Jade, de apenas 7 anos, foi dispensada por não "gostar da comida de casa" e ter se tornado "incontrolável", como declarou o ex-pai adotivo, num breve pronunciamento por telefone, de Hong Kong. O episódio já ganhara as manchetes dos jornais asiáticos e de língua inglesa, no início desta semana, e ontem foi o destaque do diário de maior circulação da Holanda , o Telegraaf. Até o fechamento desta matéria, o artigo de primeira página do jornal havia recebido quase 600 comentários. Centenas de leitores pediam a demissão de Poeteray, um diplomata de prestígio e de amplo trânsito na Ásia. Hoje, depois do barulho e da pressão popular, Raymond Poertenay resolveu negar a desistência da menina. Jade estaria apenas temporariamente fora de casa, "em terapia", por ser incapaz de formar elos afetivos.

O governo holandês, entendendo que o assunto é da intimidade de seu funcionário, resolveu não se pronunciar. Em e-mail enviado a Terra Magazine, o porta-voz do ministério das Relações Exteriores (na Holanda: Buitenlandse Zaken - Negócios Estrangeiros), Peter Mollema, limitou-se a dizer que, como não houve infração de leis, "e tudo ocorreu de acordo com a legislação do país em questão", o governo só podia desejar que Raymond Poeteray e família encontrassem uma solução para o problema "o mais breve possível".

Em Hong Kong, o tom dos comentários também foi tímido. Apesar do choque - o caso não tem precedentes - as autoridades imediatamente começaram a procurar um novo lar para Jade, uma menina de rosto redondo e olhar sério, que a despeito da situação dos pais não recebeu a cidadania holandesa e nem tem residência definitiva no lugar.

Jade cresceu entre holandeses que nunca lhe ensinaram a língua deles - ela fala inglês e o dialeto local - mas que esperavam fazer dela uma holandesa até mesmo no paladar. Por tudo isto, sua ex-mãe foi parar no psiquiatra - para a ex-família, um sofrimento maior.

Em 2000, Meta e Raymond Poeteray eram apenas os pais de um menino de sete anos, a quem tentavam desesperadamente dar um irmão. A tão desejada - mas nunca vingada - segunda gravidez deu lugar à adoção do então bebê sul-coreano, ainda quando os Poeterays viviam em Seul. Em seguida a família se mudou para Hong Kong, onde, como em muitos casos do gênero, acabou acontecendo o inesperado: Meta engravidou do segundo filho. Para muitos, a origem do conflito estaria nesta circunstância: a chegada do ansiado bebê teria revelado o quanto o casal se precipitara ao adotar a menina.

"Agora eles têm os filhos deles", sugeriu uma fonte do consulado da Coréia do Sul, que pediu sigilo de identidade. As autoridades sul-coreanas receberam a decisão com estranheza, mas também evitaram opinar publicamente. Pelas leis daquele país, ao contrário das de Hong Kong, não é possível desfazer uma adoção.


Arnild Van de Velde é jornalista e colabora com Terra Magazine na Holanda.

Opiniões expressas aqui são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente estão de acordo com os parâmetros editoriais de Terra Magazine.

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Raymond e Meta Poeteray, cuja filha adotiva de 7 anos foi encaminhada à custódia social por "incompatibilidade" com a família

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