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Quinta, 13 de dezembro de 2007, 15h31

Rivelino: Copa de 78 é "uma mancha no futebol"

Claudio Leal

O tricampeão mundial Roberto Rivelino define a Copa de 1978 com palavras turbinadas: "É uma mancha no futebol mundial". O craque vestiu a camisa da Seleção Brasileira em 1978 e, desde aquele ano, está certo de que o jogo Argentina 6 x 0 Peru foi melado por uma trapaça de bastidores.

- ... O jogo que culminou foi Argentina x Peru, o 6x0. Era tudo armação - declarou a Terra Magazine.

Para Rivelino, agora é tarde para agir.

- Depois de 30 anos, já acabou, mexer é besteira. Vai mudar o quê? Mas é uma vergonha, misturar futebol e política não dá certo.

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O colombiano Fernando Rodríguez Mondragón, em entrevista a Terra Magazine Latinoamérica, revelou um esquema de suborno para que a seleção do Peru perdesse por 6 a 0 da Argentina, vencedora do título de 78.

Mondragón vai relatar o episódio em um livro. Ele aponta como autor do suborno o falecido vice-almirante argentino Carlos Lacoste (vice-presidente do Comitê Organizador do Muncial de 1978). Os traficantes do Cartel de Cali Miguel e Gilberto Rodríguez - tio e pai de Mondragón - teriam articulado a negociação.

Indagado se a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) deveria questionar a legitimidade do título argentino, o craque Rivelino comentou:

- Não sei... Aí é que tá, né? Tem que ver os interesses que estão por trás disso.

Leia a entrevista de Roberto Rivelino.

Terra Magazine - Como você avalia as denúncias sobre a compra da Copa de 1978, numa jogada que envolveu traficantes de Cali e militares argentinos?
Rivelino - Depois de 30 anos, pô! Agora que falam isso? Todo mundo tinha visto... E agora, vai mudar a história? Não vai. Quiroga também falou... Não vai mudar nada! É uma mancha no futebol mundial.

Em 1978, você sentia em campo que havia uma jogada nos bastidores?
Em campo, não. Porque o jogo que culminou foi Argentina x Peru, o 6x0. Era tudo armação. Depois de 30 anos, já acabou, mexer é besteira. Vai mudar o quê? Mas é uma vergonha, misturar futebol e política não dá certo.

Na época, quem dirigia a Fifa era um brasileiro, João Havelange. A CBF não deve agir nesse caso?
Não sei... Aí é que tá, né? Tem que ver os interesses que estão por trás disso.

Hoje, você tem a certeza de que o Brasil foi trapaceado?
Tá na cara, pô! Na época que podiam denunciar, não fizeram nada. Depois...

Em algum momento, em conversas com ex-jogadores da Argentina e do Peru, você ouviu algum relato sobre a compra da Copa?
Não, nunca. E não vão falar, não. Por que não falaram na época?

É que agora o filho de um dos dirigentes do Cartel de Cali resolveu contar num livro...
Devia ter lançado dois dias antes do jogo!

Conhece outro episódio semelhante no futebol mundial?
Assim, não. Mas hoje falam de aposta no tênis, aposta no golfe, o caralho... Isso não foi comentado na época, de que adianta denunciar agora?

 

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