
Julio Gomes de Almeida
Todos os sinais levam à conclusão de que o movimento de fim de ano do comércio e o desempenho da indústria e da economia no último trimestre serão especialmente bons em 2007. A confiança dos consumidores, que aumentou significativamente nos últimos meses, é um dos fatores responsáveis por isso. Um impulso adicional do crédito constitui outro fator explicativo. O crédito adianta poder de compra para a população, o que aliado à maior confiança do consumidor amplia o crescimento do consumo.Pois bem, os últimos dados do IBGE para o emprego e a renda urbana no Brasil identificam outro fator que também está concorrendo para um final de ano mais feliz, pelo menos no que diz respeito ao consumo. Segundo os dados do Instituto, a massa real de rendimentos acelerou sua evolução nos meses finais de 2007. A indicação, assim, é a de que se a economia apresenta maior movimento no final do ano, isto se deve à confiança do consumidor e ao crédito, que melhoraram, mas também decorre do maior emprego e do rendimento real das pessoas.
Sem ser um mês tipicamente em que ocorre aumento do emprego e do rendimento médio real, novembro registrou crescimento expressivo em ambos os casos, gerando uma combinação muito favorável para o aumento da massa real de rendimentos. Como se sabe, esta resulta da multiplicação do número de pessoas com rendimentos e do rendimento médio. O crescimento da massa de rendimentos foi de 2,5% na comparação com outubro (sem ajuste sazonal) e 6,4% diante de novembro do ano passado. Cabe notar que nos meses anteriores as variações da massa real de rendimentos vinham declinando.
Assim, após ter acusado um percentual tão alto como 8,4% em abril com relação ao mesmo mês de 2006, o aumento recuou para 6,0% em julho e daí para 5,2% em setembro e 4,4% em outubro. O índice de novembro, portanto, pode representar um novo fôlego para o poder de consumo da população, o qual tem entre seus determinantes principais a massa de rendimentos.
Para sua evolução em novembro, concorreu uma variação de 2,9% do rendimento real médio e o crescimento de 3,5% do pessoal ocupado. O que é digno de nota é que em ambos os casos o mês de novembro indica uma aceleração. No caso do aumento do número de pessoas ocupadas, o percentual de 3,5% é o maior desde março de 2005 e constitui o degrau mais alto de uma progressão que, de um índice de 2,7% em setembro, passou para 3,1% em outubro até chegar aos 3,5% de novembro. Do lado do rendimento médio real, a variação de novembro contra o mesmo mês de 2006, da ordem de 2,9%, é a maior desde maio desse ano, sendo superior aos 1,2% de variação ocorrida em outubro.
Esta evolução do emprego propiciou o recuo da taxa de desocupação nas grandes regiões metropolitanas do país. O índice passou de 8,7% em outubro para 8,2% em novembro, representando uma genuína melhora no mercado de trabalho e não apenas um resultado sazonal. Na comparação com novembro do ano passado (9,5%), a taxa de desemprego em novembro último foi 1,3 pontos percentuais menor.
Cabe observar que assim como o emprego industrial, a ocupação nas regiões metropolitanas do país demorou a reagir positivamente ao maior ritmo de desempenho da economia ao longo do ano. Mas a partir setembro a melhora ficou patente, de forma que a progressão desde então foi significativa. A taxa de desocupação, que permanecera em torno a 9,5% desde junho até agosto desse ano, regrediu gradativamente até alcançar o índice de 8,2% já citado para novembro.
A conclusão geral é que o ano de 2007 está se encerrando com um quadro muito favorável para o emprego com um maior ritmo de crescimento do número de pessoas ocupadas e uma mais significativa queda da taxa de desemprego. Quanto ao rendimento médio real da população, a tendência de queda da taxa de crescimento que vinha ocorrendo desde maio desse ano parece ter sido interrompida. Em suma, melhora inequívoca no emprego e interrupção, ao menos parcial, da queda da evolução do rendimento real são as principais tendências desse final de ano.
Terra Magazine
|
Guilherme Lara Campos/Futura Press
Movimento intenso na rua de comércio 25 de março, em São Paulo, nas vésperas do Natal
|