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Sábado, 12 de janeiro de 2008, 08h10

Richarlyson elogia ensaio de nudez da ex-namorada

Luciano Borges

Richarlyson já viu a edição de janeiro da revista Playboy. E gostou do ensaio com a ex-namorada Letícia Carlos. Mas não mudou de idéia. Continua achando que, por uma questão de princípios, foi melhor ter encerrado o relacionamento depois de cinco meses, quando ela decidiu posar nua.

As fotos de nudez de Letícia não foram a única novidade neste início de 2008. O ano começou cheio na vida o jogador eleito o melhor volante (pela esquerda) do Campeonato Brasileiro de 2007.

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Richarlyson pediu para o São Paulo colocar o nome "Ricky" na camiseta, mudou a cor dos cabelos e, pela segunda vez consecutiva, se reapresentou depois das férias com o melhor desempenho físico do elenco tricolor.

Ele também já traçou os sonhos que quer realizar nos próximos meses. Um deles é vencer a Copa Libertadores da América. O outro? "Ser convocado para a seleção brasileira".

Na última quinta-feira, o filho do ex-jogador Lela (campeão brasileiro de 2005, pelo Coritiba) e irmão do atacante Alecsandro (que se transferiu para o futebol árabe), conversou com Terra Magazine. Na entrevista, ele saiu em defesa de Adriano, novo colega de clube, e criticou a postura da mídia diante da intimidade do atleta.

Terra Magazine - Você viu o ensaio da Letícia na Playboy?
Richarlyson - Eu vi. Ela está linda como sempre. A Letícia está sempre bonita e não só neste ensaio. Eu sempre fui muito explícito sobre a beleza dela: é linda não só no aspecto exterior, mas é linda interiormente.

Vocês se separaram sem brigar?
Não houve briga. A gente já se falou depois da separação. Não tenho ressentimento nenhum dela. A Letícia optou por uma coisa que, na mente dela, ia ser legal. Eu respeitei a decisão dela, mas tenho minha opinião. Não quero que, futuramente, minha esposa e eu tenhamos filho e ele ia saber que mãe dele posou nua na Playboy.

Esta é uma postura que me parece racional. Mas você ainda gosta da Letícia?
Gostar dela, isso existe. Ficamos cinco meses maravilhosos juntos. Claro que tivemos algumas discussões como qualquer outro casal tem. Eu sempre gostei dela. Acho que seria a mulher ideal para mim. Mas agora é bola pra frente. Vamos ver o que o futuro prepara para mim.

Então não tem volta?
Isso só Deus pode dizer.

Você voltou aos treinos com algumas novidades. Por quê o Ricky na camiseta?
Primeiro, porque já me adaptei a esta forma de me chamarem. Todo mundo aqui no São Paulo já me chama de Ricky. Mesmo vocês, jornalistas, me chamam assim. E depois, acho que fica mais bonito na camiseta. Richarlyson é muito grande. Ricky fica visualmente melhor, mais centralizado.

E em casa, como você é chamado?
A minha mãe (Maria de Lurdes) me chama de dois jeitos diferentes. Quando está brava comigo é Richarlyson. Quando está boazinha, querendo me agradar, ela me chama de... bom, vou dizer... "meu bebê". E o meu pai (Lela) só me chama de Richarlyson.

O cabelo voltou diferente, vermelho. Quando você decidiu mudar?
No dia 1 de janeiro. Eu quis mudar e sempre fiz isso. Meu cabelo já foi grande, já teve trança, já cortei curto, já foi moicano aqui mesmo no São Paulo. E já pintei o cabelo antes. No Fortaleza, eu descolori e depois pintei de marrom. Ficou um marrom claro.

Você sabe que, com essas mudanças, você se tornou uma pessoa que chama mídia?
Não tenho problema com isso. De vez em quando, brigo com o Felipe (Espíndola, assessor de imprensa do São Paulo), peço para não dar entrevistas porque acho que estou aparecendo demais. Algumas pessoas, sem saber direito o que acontece, podem achar que você quer se promover. Mas fico tranqüilo, apesar deste pensamento. O que importa é o que eu mostro dentro de campo. Mas, às vezes, peço para ficar fora das entrevistas. Até porque, muitas vezes tenho que responder as mesmas perguntas. É meio chato.

Mas mudar o nome e pintar o cabelo, não são jogadas de marketing?
É como acabei de falar: marketing de jogador, ele faz dentro de campo. O que mostra jogando é o que atrai outras equipes, times da Europa. O que eles querem ver - e o torcedor também - é se o cara é bom, se corre, se marca bem, se tem bom desempenho em campo, se mostra vontade.

Foi o que aconteceu com você no ano passado?
É. E o importante é você ser você mesmo, respeitando os companheiros de clube, a hierarquia, a comissão técnica. No ano passado, conquistei uma vaga no time titular sempre respeitando meus colegas, atendendo o que o técnico pedia e respeitando a diretoria. Em 2007, tive conquistas com o São Paulo, mas também consegui algumas conquistas individuais, como ser eleito o melhor volante pela esquerda do Campeonato Brasileiro. Agora, aqui no São Paulo, vale aquela frase de que a gente "tem que matar um leão a cada dia" se quiser continuar na equipe.

Já tem planos para 2008?
Tenho dois sonhos: ser campeão da Libertadores e conquistar uma vaga na seleção brasileira.

Você acha que consegue ser chamado pelo Dunga (técnico do Brasil)?
Olha, os dois caras em que espelho são o Josué e o Mineiro. Eles estão na seleção. Eu tenho colocado em prática o que eles fizeram aqui no São Paulo. Por que não posso ter êxito? É trabalhar bastante e esperar que o Dunga olhe para mim com bons olhos para me chamar para a seleção.

Seria o primeiro Felisbino a vestir a amarelinha?
Meu pai, o Lela, jogou na seleção Sub-23. Disputou o Torneio de Jovens de Toulon. Mas, lá em casa, eu me tornaria o primeiro a jogar na seleção principal. Vou brigar por isso. Quero manter minha regularidade no São Paulo.

Você jogou pela seleção do Brasileiro contra a Sub-23 no final do ano. Acha que deu para mostrar alguma coisa para o Dunga?
Na verdade, os dois treinadores do nosso time - Joel Santana e Caio Junior - foram muito felizes na preleção. Eles nos lembraram que nós tínhamos sido eleitos os melhores do Brasil no ano e isso poderia nos dar a chance de uma vaga na seleção. Então, a gente sabia que tinha que jogar bem para o Dunga ver. Depois, os meninos da Sub-23 tinham sido convocados pela primeira vez e precisavam mostrar qualidade só naquele jogo. A gente jogou só com a experiência, com movimentação. O time era muito bom: tinha Leonardo Moura, Juan, Acosta, Hernanes, só fera. Foi só tocar a bola. Acho que deu para mostrar alguma coisa.

O que você precisa melhorar como jogador?
Muita coisa. Preciso ganhar experiência em termos de "cortar caminho", me posicionar de maneira que precise correr menos. Assim não me desgasto com pique errado. Preciso também de mais tranqüilidade em alguns momentos. No futebol, a gente não pode nunca achar que chegou no máximo. Tem sempre que procurar melhorar.

Você voltou a treinar e mostrou estar com o melhor condicionamento.
Acho importante isso. Acabou este negócio do boleiro de antigamente que achava assim: "Férias é férias, vou comer e beber à vontade". Não é mais assim. Aqui no São Paulo, outros atletas voltaram até abaixo do peso ideal. Penso assim: não posso mais voltar zerado, preciso estar num nível de competitividade. Precisava voltar num nível melhor para ganhar algumas etapas na prepração. Quando senti que a musculatura estava mais descansada, decidi me preparar. Nós só vamos ter 10 dias de pré-temporada. Chegando bem vai me ajudar a uma adaptação mais rápida.

No início de 2007, foi assim também. Você chegou com o melhor condicionamento.
É, mas no ano passado eu ainda não jogava no time titular. Por isso, não foi notícia. E eu tinha dois oponentes fortíssimos: o Josué e o Mineiro. Menino, o que aqueles dois corriam não era mole.

Mas o que você fez nas férias?
Na última semana, eu corri 30 minutos por dia em velocidade de 14 km por hora. Fiz também peso, mas só para os membros inferiores. A gente praticamente tem o conhecimento das cargas que o Carlinho Neves determina para cada um. Só repeti.

Não é chato trabalhar nas férias?
Eu gosto de ficar trabalhando fisicamente. Meu pai até me dava bronca, me cobrando descanso.

Onde você passou as férias? O que fez antes desta semana de trabalho físico?
Fiquei em Bauru com a família, que é o mais gostoso. É muito bom ficar com seu pai, sua mãe, gente que me quer bem. Adorei ficar em casa, comer a comida da mamãe, ver meu sobrinho. E também pude passar um tempo legal com meu irmão Alecsandro. Fazia tempo que não ficamos juntos assim. Antes, cada um estava viajando nas férias. Agora foi legal. Foi bom para me despedir porque ele vai jogar no futebol árabe.

O que vocês conversaram?
Ah, ele vai jogar nos Emirados Árabes, em Dubai. Eu desejei muita sorte para ele, a esposa e o filho. Somos uma família muito ligada. Então disse para ele ligar, não se preocupar com a conta porque a gente racha. Depois, a gente vai se comunicar pela internet. E pedi uns presentinhos também (risos)...

O que você pediu?
Pedi um Rolex de ouro. Lá tem e não é caro. E pedi também uns cinco barris de petróleo, que está valendo muito (risos)...

O que você acha do time do São Paulo em 2008?
Rapaz, é forte. É... olha, saiu uma peça importante no ano passado - o Breno - mas trouxeram um substituto que não deixa a desejar (Juninho). Contrataram o Joílson para uma posição carente. O Fábio Santos vai melhorar o meio de campo e com o Jorge Wagner ficando, a gente mantém a base e ganha jogadores que interessam a qualquer time do mundo. O Adriano então, dispensa comentários.

Por falar em Adriano, você viu que ele também atrai a mídia?
É, mas achei uma falta de respeito com o ser humano o que fizeram com ele nesses dias. Até porque, quando se diz férias, é férias. Se você pegar todos os jogadores dos clubes grandes, quem não gosta de uma cervejinha e de um show? Garanto que eles não deixaram de fazer o que gostam. A gente sabe o limite. No ano passado, no começo da temporada, também bati meu carro. O Adriano bateu o carro dele só porque bebe? Não é verdade. Acho que faltou respeito com ele. Primeiro, é preciso saber o que aconteceu e depois publicar. Acho que o jornalismo esportivo deveria respeitar a intimidade do jogador. Isso é coisa de sites e revistas de entretenimento.

Mas você e o Adriano são pessoas públicas, despertam o interesse das pessoas.
Nem gosto muito de falar desse assunto, porque sou meio turrão. Acho que se cada um fizer sua parte, o Brasil ia ser bem melhor. Os repórteres da área de esporte deveriam cobrar o que o atleta faz em campo, nos treinos. Se ele sai para beber, se sai com 50 mulheres, se é homossexual, não cabe à crônica esportiva. Isso é coisa de quem cobre fofoca, fuxicos e outras coisas. Aí o jogador tem que saber que está à mercê desses veículos. O cara tem que se cuidar.

O Adriano ganhou um defensor?
Eu defendo. Ele nem me falou nada. Mas sei o que é passar por isso. Porque quando você está bem, jogando bem, ninguém segue você. Mas quando acontece algo ruim, as pessoas levam mais para baixo. Deveria ser o contrário: quando alguém está por baixo, precisa de ajuda. Mas as pessoas só derrubam mais. Sou defensor do respeito ao profissional. Alguém vai publicar matéria quando o Adriano está com a família? Ninguém.

O Adriano ainda não falou com você?
Só o normal. Não falamos nada sobre a vida dele. Se ele me procurar e precisar de ajuda, eu vou ter prazer em ajudar no que for preciso.

Como anda o processo que você moveu contra o vice-presidente do Palmeiras, José Cyrillo Junior, pela insinuação de que você seria homossexual?
A queixa-crime foi recusada e não vou recorrer. Agora a ação por danos morais ainda está correndo. Porque, apesar de não ter ocorrido nada no presente, não sei o que pode me causar em termos negativo no futuro.

Em campo, você andou fazendo gols no Palmeiras. É pessoal?
É curioso. Eu sempre entro em campo com muita vontade. Sempre quero fazer gols em qualquer adversário. Mas tenho recebido esta bênção de fazer gols bonitos contra o Palmeiras, a única equipe com que tive problemas extra-campo.

Fora dos gramados, você sai com os colegas do São Paulo?
Eles me convidam para jantar, sair junto. Mas meu tempo é curto. Quando treino de tarde, saio e vou para a faculdade. Saio de lá às 23 h e tenho que voltar para o CT até meia-noite, se não eles fecham o portão. Então não dá muito para sair. Mas quando a gente está concentrado ou viajando eu procuro tirar o máximo deste convívio.

Quem é seu melhor amigo no grupo?
Não tem. Converso com todo mundo. Brinco com todo mundo. Este é o diferencial do São Paulo: aqui todo mundo se respeita, é amigo, entrosado. O ambiente de trabalho aqui só faz bem. Eu não via a hora de chegar o dia 7 para reencontrar os companheiros. É para você ver como é gostoso trabalhar aqui.


Luciano Borges é editor-chefe do Bandsports e autor do Blog do Boleiro.


Fale com Luciano Borges: borges.luciano@terra.com.br

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Richarlyson, eleito o melhor volante pela esquerda do Campeonato Brasileiro

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