
Claudio Leal
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) defende, em entrevista a Terra Magazine, a convocação do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), para prestar depoimento sobre o uso de cartões corporativos pelo Estado.
Em 2007, o gasto do governo paulista em cartões de pagamentos de despesas totalizou R$ 108.384.268,26. O número de cartões e o total gasto são superiores aos números do governo federal.
- Mas não pra querer investigar o Serra, investigar São Paulo... É só pra mostrar por que São Paulo está usando a mesma coisa que o Brasil - diz Simon.
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Governo e oposição lutam para liderar a criação da CPI que investigará os gastos federais. Para o senador gaúcho, o melhor mecanismo é uma CPI mista, evitada pelos governistas. Ele defende que as investigações sejam retroativas a 1998, no início do segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
- Acho que o governo tem razão de investigar os cartões corporativos desde que foram criados, no governo Fernando Henrique.
A utilização de cartões corporativos provocou o pedido de CPI após serem divulgados, no Portal Transparência, os gastos da ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro. Ela gastou R$ 461,16 em um free shop. Para atenuar a crise, Matilde pediu demissão antes do Carnaval. O ministro dos Esportes, Orlando Silva, também pode sofrer punições por uso indevido do cartão em gastos pessoais.
Leia a entrevista de Pedro Simon:
Terra Magazine - Como está sendo conduzida a criação de uma CPI dos cartões corporativos pelos governistas?
Pedro Simon - Eu acho que, considerando que a Câmara também quer, o normal é fazer uma só, comissão mista de Câmara e Senado. E acho que o governo tem razão de investigar os cartões corporativos desde que foram criados, no governo Fernando Henrique.
Desde 1998?
Exato.
A oposição não quer.
Mas aí eu acho que ela está equivocada, eu acho que tem. Tem que fazer desde o início. Se é pra criar, tem que ver toda a história.
A CPI mista é a melhor?
Sim, porque não pode fazer no Senado e deixar a Câmara de fora. Senão vão criar duas, aí não é normal.
O que o senhor acha das mudanças anunciadas pelo governo no uso dos cartões corporativos?
O governo não fez mudança nenhuma. Tirou da vitrine. O que chama a atenção no uso dos cartões corporativos é a figura do ministro. Então, agora eles tiram o ministro, o ministro não pode assinar, quem usa é o secretário dele. É piada, né? Tira da manchete o ministro. Eu acho até uma grosseria isso, é tirar o sofá da sala. Se é pra usar o cartão corporativo, tinha que ser a figura do ministro, que aí pelo menos ele vai controlar, vai fiscalizar. Agora, ele saindo e botando o nome de um cidadão que ninguém sabe quem é, aí a farra vai voltar.
Como o senhor vê, nos bastidores, essa luta entre PT e PSDB pra pegarem um, pegarem outro...
Cada um está na sua. A oposição quer mostrar o que está acontecendo agora, o escândalo atual. E pra se ver como isso é aumentativo, em 2007 o governo gastou três vezes mais que em 2006. E o PT quer mostrar que isso tudo começou no governo do PSDB... Logo o PT, que era o partido dos puritanos, dos sérios, agora diz: "não, o PSDB fazia, eu estou fazendo igual".
E os gastos do governo José Serra, em São Paulo, com os cartões?
Tem mais esse aspecto que eu acho interessante analisar. Eu gosto muito do Serra. O fato de o Serra usar... Eu acho que a gente deve convocar o Serra pra depor. Não que se tenha que investigar São Paulo. Não tem nada que ver. É pra investigar o que tem de positivo no uso do cartão. Estão dizendo que dá até pra fiscalizar mais do que sem cartão. Eu acho um absurdo. Mas seria interessante chamar o Serra pra mostrar por que eles estão usando os cartões.
Lá na CPI, no Senado?
É. Mas não pra querer investigar o Serra, investigar São Paulo... É só pra mostrar por que São Paulo está usando a mesma coisa que o Brasil.
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