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Quinta, 14 de fevereiro de 2008, 13h28

Halliburton não se pronuncia sobre furto

Exclusivo, direto do Rio de Janeiro

A Halliburton é tida como a maior empresa de serviços em campos de petróleo do mundo. Ela transportava em um container um disco rígido e dois notebooks furtados com informações confidenciais da Petrobras sobre pesquisas e dados das recentes megadescobertas de petróleo e gás em águas profundas. A presidência da Petrobras e o presidente da República, Lula, foram informados sobre o caso no dia 1º de fevereiro. A Halliburton afirmou nesta quinta-feira, 14, a Terra Magazine, não ter "nada a dizer neste momento" sobre o arrombamento e o furto.

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A empresa, que já foi presidida pelo atual vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, transportava em um container as informações desde uma plataforma da Bacia de Campos (RJ) para o continente, em uma sede na cidade de Macaé (RJ).

Procurados por Terra Magazine sobre o caso - que foi confirmado pela Petrobras nesta quinta - a Halliburton, através da secretária-executiva do vice-presidente para a América Latina, Dalila Muniz, disse que a empresa não tem o que dizer:

- Ainda está tudo sendo averiguado, investigado, não temos nada a declarar.

Terra Magazine questiona: ora, se está sendo investigado, algo houve.

- Meu filho, não sei - diz a secretária-executiva - (...) Vocês têm que conversar com a Petrobras, não é com a gente. A gente realmente não tem nada a declarar.

A Halliburton é uma empresa norte-americana que presta serviços à estatal brasileira de petróleo há algum tempo. Pelo menos dois contratos foram firmados nos últimos anos. Um deles, no valor de US$ 2,5 bilhões e o outro, em agosto de 2007, de US$ 270 milhões.

Nos dois notebooks e no disco rígido furtados estavam dados sobre as recentes descobertas brasileiras de megacampos de exploração de petróleo e gás, que podem colocar o Brasil na lista das dez maiores reservas do planeta. A Petrobras tem cópias das informações furtadas.

Até mesmo o nome do vice-presidente da empresa para a América Latina, a secretária-executiva não quis revelar. É o chileno Roberto Muñoz. Leia os principais trechos com a secretária-executiva da Halliburton:

Terra Magazine - Vocês reconhecem que o furto ocorreu?
Dalila Muniz - Não sei, meu filho. Ainda está tudo sendo averiguado, investigado, não temos nada a declarar.

Mas se está sendo investigado, houve um furto?
Meu filho, não sei. O que foi que a Petrobras disse? A Petrobras confirmou que foi roubada alguma coisa?

A Petrobras confirmou. Você viu a reportagem?
Eu vi. Mas aí vocês têm que conversar com a Petrobras, não é com a gente. A gente realmente não tem nada a declarar.

Eu entendo. Mas trata-se uma companhia estrangeira, que presta serviços para a Petrobras e que, segundo a Petrobras era responsável por esses equipamentos. Os equipamentos foram furtados e você acha que não deve haver uma explicação?
Não, eu realmente não acho nada.

A Halliburton acredita que não há uma explicação que deva ser dada à sociedade brasileira?
A Halliburton não está se pronunciando no momento. Nesse momento, a Halliburton não vai se pronunciar.

Desculpe, qual é a função que você ocupa mesmo?
Sou secretária-executiva do vice-presidente para a América Latina.

Qual o nome dele, por favor?
Olha, eu vou pedir a você que, por favor... (silêncio) não me coloque nada além do que eu já te falei. Porque a gente não tem o que pronunciar.

Sim, eu entendi. Mas vamos publicar uma matéria dizendo que a Halliburton não quer se pronunciar sobre esse assunto.
Não, ela não está dizendo que ela não quer. Ela está dizendo que não vai se pronunciar agora. Não tem o que pronunciar.

 
Divulgação
Plataforma da Petrobras, empresa que teve documentos confidenciais furtados durante transporte até o continente

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