Roberto de Sousa Causo
Amor Vampiro. São Paulo: Giz Editorial, 2007, 176 páginas. Capa de Amauri Modesto de Oliveira.
Esta nova antologia de contos de terror reuniu sete autores com o pretexto de falar de amor e vampiros. Pode uma premissa como essa resultar? Um predador ama sua presa? E a vítima seu algoz? Bem, estamos na dimensão da fantasia. O vampiro é um enganador, ele tem duas caras e finge ser humano quando não é. A "voz vampírica" pode obrigar qualquer um a fazer o que ele quer, mas quando se trata de sentimentos, a coisa muda de figura.Pode o vampiro amar? É isso o que esses autores pretendem responder, com resultados desiguais.
O livro abre com Adriano Siqueira, desenhista gráfico que curte histórias em quadrinhos, filmes e tudo o mais relacionado a vampiros. Seus três contos curtos são pouco desenvolvidos e cheios de pontos de exclamação - hábitos provavelmente adquiridos por excesso de HQs e carência de literatura de melhor qualidade.
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Fuja rápido e caia de cabeça no conto seguinte, "A Canção de Maria¿, de André Vianco, o mais famoso autor brasileiro do gênero. Seu conto, muito original, é ambientado na cidade de Nazaré na época de Jesus Cristo. Narra a história de um lenhador que acolhe uma mãe solteira. Ela morre em sua casa, deixando-o com a criança. A mulher volta da tumba para vampirizar a filha, e o pobre lenhador vai ter que arrumar um jeito muito pessoal de resolver o "problema". Fala de um tipo de amor vampírico que envolve a maternidade e um desejo muito humano de transcender a morte.
Na seqüência, a autora Martha Argel, bióloga e escritora de literatura fantástica, nos brinda com uma história ambientada na antiga Florença, "A Flor do Mal", narrada por uma poderosa vampira perseguida por um jovem que pretende vingar a morte do irmão. Vencido, ele é subjugado num jogo de sedução, perda da inocência, prazeres proibidos e sentimentos de separação e dor.
Dois contos são apresentados por J. Modesto, arquiteto que aposta numa carreira de escritor. O primeiro, "Amante Notívago", é uma história de amor e traição que pouco acrescenta ao livro, porque o assunto já foi exaustivamente explorado. O segundo, "O Anjo e a Vampira", apresenta uma vovozinha muito incomum, que conta histórias para o neto, mas que guarda um segredo em meio ao seu prosaico tricô. Premissa interessante e original.
Nelson Magrini é engenheiro e já publicou dois livros voltados para o público adolescente. Seu conto, "Isabella", coloca um humano na perseguição a uma vampira por quem ele ousou se apaixonar. Apesar do perigo, ambos se arriscam a desvendar e alimentar esse novo sentimento, sem que sangue esteja envolvido.
A autora seguinte, Regina Drummond, também é editora e tradutora. Sua história, "A Velha, o Jovem e o Casarão", mistura a típica casa mal-assombrada, uma velha misteriosa, alquimia e vampiros, com resultados surpreendentes.
A história que fecha o livro, "Dragões Tatuados", foi escrita por Giulia Moon. Publicitária e editora, ela realiza uma pequena fábula brilhantemente ambientada no bairro paulistano da Liberdade, onde uma vampira finge-se de prostituta para atrair suas vítimas, mas é desmascarada por um "olheiro", um observador e catalogador de vampiros. O encontro de ambos alterna os papéis de caçador e presa como uma dança erótica cheia de múltiplos significados. Sem dúvida, o mais original de todos os contos do livro, tanto pelo uso de uma vampira oriental, como pela realista descrição da Liberdade, com seu colorido e exotismo. Uma chave de ouro.
Com um projeto gráfico muito bonito, Amor Vampiro é um livro desigual, como costumam ser as antologias temáticas. Com respeito à questão do amor e os vampiros, é a autora Martha Argel quem responde: "A essência da imortalidade talvez não esteja na busca do amor, mas na aceitação da solidão."
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Reprodução
Amor Vampiro. São Paulo: Giz Editorial, 2007, 176 páginas. Capa de Amauri Modesto de Oliveira.
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