
Maria Falcão
Nesta semana, felizmente, vi jornalistas da área de saúde se preocuparem com a desmistificação de temas médicos. A revista Veja veio com a capa "Saúde sem Neurose", que teve como motivação dois novos estudos científicos, que chamam atenção para os exageros, de médicos e pacientes, quando o assunto é o controle dos níveis de colesterol e do açúcar sangüíneo - glicemia. Em termos gerais, a matéria prega o que nós da área médica estamos cansados de saber: na medicina não existe "nunca" e nem "sempre". Pacientes evoluem de forma diferente. O que é eficaz no tratamento de um, pode não ser no do outro. E assim são as ciências em geral: teorias questionáveis e que podem ser derrubadas.
Mas mudando de assunto, hoje venho com uma coisa diferente. Trago uma bula de remédio e, ao longo de seu conteúdo, pretendo "decifrar" algumas terminologias médicas. O objetivo é um só: ao invés de ficar remando contra a corrente e todos os dias fazer apelos contra a auto-medicação (porque todo mundo sabe que isso acontece e vai continuar acontecendo), quero esclarecer as pessoas, traduzir termos ininteligíveis para o leigo, para que aqueles que insistem nesse erro, ao menos o fazerem com mais conhecimento. Não tenho a pretensão de esgotar tais termos, já que existe muita informação técnica numa bula, que só algumas aulas poderiam ser suficientemente esclarecedoras. Assim, procurarei me ater àqueles termos necessários a uma compreensão satisfatória desta e de outras bulas.
O medicamento escolhido é a amoxicilina. O motivo dessa escolha é simples: esse é, pelo menos entre os meus pacientes, o líder, o supra-sumo, o "best seller" da auto-medicação. Vejo, incrivelmente, gente que usa essa substância em tratamentos (se é que pode se chamar assim) que vão desde dor de cabeça a depressão! Esclarecendo logo, a amoxicilina é um antibiótico que deve ser usado somente em infecções bacterianas. Mais especificamente, infecções bacterianas nas quais a bactéria é sensível (significado: pode ser inativada ou morta) a essa substância.
* Bula original extraída do DEF (Dicionário de Especialidades Farmacêuticas) 2005.
Amoxicilina (Essa é a substância ativa, ou seja, o principal componente do medicamento. Pode ser precedido do nome comercial, que varia de laboratório para laboratório, como por exemplo Amoxil e Amoximed)
Antibiótico
Uso adulto
Forma farmacêutica e apresentações (Aqui especifica-se de que formas a substância em questão pode ser encontrada: se em cápsulas, comprimidos, suspensão, ampolas, etc.; e a quantidade por embalagem) - Cápsula de 500 mg: Embalagens com 10, 15, 21 e 30 cápsulas. Embalagens hospitalares com 300, 420, 450 e 500 cápsulas.
Fórmula de composição - Cada cápsula contém: Amoxicilina 500 mg. Excipientes (estearato de magnésio, laurilsulfato de sódio, croscarmelose) q.s.p. 1 cápsula. sigla q.s.p. quer dizer "quantidade suficiente para" que é usada para dizer que certas substâncias foram adicionadas à formula em quantidade suficiente pra completar uma certa requisição. Neste caso, 1 cápsula)
Informações ao paciente - Ação esperada do medicamento: AMOXICILINA é um antibiótico usado no tratamento de infecções não-complicadas(Que ainda não tenham provocado danos ou lesões importantes). Tem ação bactericida (Mata a bacteria e não apenas a inativa - se esse fosse o caso, a ação seria bacteriostática) nas infecções causadas por microrganismos sensíveis à sua ação. Armazenamento: Conservar o produto na embalagem original, em local fresco, ao abrigo da luz, calor e umidade excessivos. Prazo de validade: O seu prazo de validade é de 24 meses e encontra-se gravado na embalagem externa. Ao comprar qualquer medicamento, verifique o prazo de validade. Atenção: Nunca use medicamento com o prazo de validade vencido; além de não obter o efeito desejado, você estará prejudicando a sua saúde. Antes de utilizar o medicamento, confira o nome do produto gravado na embalagem, para não haver enganos. Não utilize AMOXICILINA caso haja sinal de violação e/ou danificação da embalagem.
Gravidez e lactação: AMOXICILINA não deve ser administrada durante a gravidez e a lactação. Informe ao seu médico a ocorrência de gravidez na vigência do tratamento ou após o seu término. Informe ao seu médico se está amamentando. AMOXICILINA, da mesma forma que outros antibióticos desta classe, é excretada pelo leite materno; portanto, deve-se ter cuidado quando AMOXICILINA é administrada a mulheres que estão amamentando.
Cuidados de administração: Antes de administrar AMOXICILINA, deve-se verificar se o paciente apresenta histórias (Se em alguma ocasião anterior o paciente apresentou reações indesejadas em consequência ao uso do medicamento) de alergia à penicilina. Outras drogas só devem ser administradas sob orientação médica. Siga a orientação do seu médico, respeitando sempre os horários, as doses e a duração do tratamento.
Interrupção do tratamento: Não interromper o tratamento sem o conhecimento do seu médico. Caso ocorra gravidez durante ou logo após o tratamento com o produto, suspenda a medicação e comunique imediatamente ao seu médico.
Reações adversas (Como dito logo adiante, reações adversas são reações desagradáveis): Informe ao seu médico o aparecimento de reações desagradáveis como: flatulência, diarréia, náuseas, urticárias (Empolação da pele e coceira intensa), coceiras e vermelhidão da pele, que podem eventualmente exigir a interrupção do tratamento.
Ingestão concomitante com outras substâncias: A alimentação não interfere na ação de AMOXICILINA, podendo ser ingerida juntamente com alimentos. Informe ao seu médico caso você use ou esteja usando outro medicamento durante o tratamento com AMOXICILINA, principalmente antibióticos (Outros antibióticos), alopurinol, digoxina e contraceptivos orais(Pílulas para evitar gravidez).
Contra-indicações (Situações ou condições do paciente que impedem o uso desse medicamento) e precauções(Situações ou condições do paciente que pedem um cuidado maior no uso desse medicamento): Informe ao seu médico sobre qualquer medicamento que esteja usando antes do início ou durante o tratamento. Não deve ser utilizado durante a gravidez e a lactação. AMOXICILINA é contra-indicada a pacientes que apresentam história de reações alérgicas e hipersensibilidade às penicilinas, nos casos de infecções por Staphylococcus penicilino-resistentes e nas produzidas por bacilo piociânico, Rickettsias e vírus.
Todo medicamento deve ser mantido fora do alcance das crianças.
Não tome remédio sem o conhecimento do seu médico. Pode ser perigoso para a sua saúde.
Informações técnicas - Ações farmacológicas: O produto contém como princípio ativo (Principal substância do medicamento; aquela que vai agir no organismo do usuário) amoxicilina, quimicamente a D-(-)-alfa-amino p.hidroxibenzil penicilina, uma penicilina semi-sintética de amplo espectro de ação, derivada do núcleo básico da penicilina, o ácido 6-amino-penicilânico. Seu nível máximo ocorre uma hora após a administração oral, tem baixa ligação protéica e pode ser administrada com as refeições, por ser estável em presença do ácido clorídrico do suco gástrico. A amoxicilina é bem absorvida tanto pela via entérica (Estômago ou intestino) como pela parenteral (Intra-muscular ou sanguineo). A meia-vida (Tempo necessário para que metade de uma substância seja removida do organismo) da amoxicilina após a administração é de 80 minutos. AMOXICILINA é um antibiótico semi-sintético com largo espectro de atividade bacteriana contra muitos microrganismos Gram-positivos e Gram-negativos. AMOXICILINA é, todavia, suscetível à degradação por betalactamases e, portanto, o espectro de atividade não inclui microrganismos produtores destas enzimas. AMOXICILINA é bactericida para uma larga faixa de bactérias, incluindo Streptococcus, espécies de Staphylococcus não-produtoras de betalactamase. Pneumococcus, Enterococcus, Listeria, Corynebacterium, Clostridium, Bacillus anthracis, Erysipelothrix, Rhusiopathical e bactérias Gram-negativas, como Meningococcus, Gonococcus, Bordetella pertussis, Haemophilus influenzae e parainfluenzae, Escherichia coli, Proteus mirabilis, Salmonella e Shigella.
Indicações (Situações em que se recomenda o uso dessa substância) - No tratamento das infecções causadas por germes sensíveis à AMOXICILINA.
Contra-indicações - AMOXICILINA é contra-indicada a pacientes que apresentem história de reações alérgicas e hipersensibilidade às penicilinas, nos casos de infecções por Staphylococcus penicilino-resistentes e nas produzidas por bacilo piociânico, Rickettsias e vírus.
Precauções e advertências - A segurança para o uso de AMOXICILINA na gravidez não foi estabelecida. Deve-se ter cuidado quando AMOXICILINA é administrada a mulheres que estão amamentando, pois pode provocar no lactente diarréia, candidíase (Infecção causada por um fungo denominado Candida albicans) e rash cutâneo (Vermelhidão da pele). Reações de hipersensibilidade (anafilactóides) sérias e ocasionalmente fatais têm sido relatadas em pacientes recebendo tratamento com derivados penicilânicos. Essas reações requerem tratamento de emergência com epinefrina. Oxigênio, esteróides intravenosos e assistência respiratória, inclusive intubação, podem ser administrados, conforme a indicação. A ocorrência de diarréia pode interferir com a absorção de outros medicamentos e, desta forma, reduzir sua eficácia. Embora a anafilaxia (Reação alérgica sistêmica, severa e rápida, a uma determinada substância) seja mais freqüente após tratamento parenteral, podem também ocorrer em pacientes recebendo tratamento oral. Estas reações são mais passíveis de ocorrer em indivíduos com história de hipersensibilidade à penicilina e/ou reações de hipersensibilidade a múltiplos alérgenos (Substâncias que causam alergia). Tem sido relatado caso de pacientes com história de hipersensibilidade à penicilina e que tiveram grandes reações quando tratados com cefalosporinas. Antes de iniciar um tratamento com um derivado penicilânico, deve ser realizada uma criteriosa e minuciosa pesquisa do passado alérgico do paciente quando há reações às penicilinas, cefalosporinas ou a outros alérgenos. Caso ocorra uma reação alérgica, AMOXICILINA deve ser imediatamente descontinuada(Interrompida) e uma terapêutica adequada deve ser instituída. Da mesma forma que com outras drogas potentes, o acompanhamento das funções renal (Função dos rins), hepática (Relativa ao fígado) e hematopoética (Produção dos elementos que compõem o sangue) deve ser feito durante a terapia prolongada. Um grande número de pacientes com mononucleose que recebem ampicilina desenvolve rash cutâneo. Assim, os antibióticos desta classe não devem ser administrados a pacientes com mononucleose. A possibilidade de superinfecções por fungos ou bactérias deve ser considerada durante o tratamento. Se a superinfecção ocorrer (usualmente envolvendo Enterobacter, Pseudomonas ou Candida), a droga deve ser descontinuada e/ou a terapia apropriada instituída.
Interações medicamentosas (Substâncias que podem interferir na ação dessa substância) - A probenecida inibe a secreção renal da amoxicilina. O seu uso concomitante com AMOXICILINA pode resultar em aumento do nível de amoxicilina no sangue; portanto, não é recomendado. AMOXICILINA não deve ser administrada concomitantemente com antibacterianos bacteriostáticos (tetraciclinas, eritromicinas, sulfonamidas, cloranfenicol), já que um efeito antagônico pode ocorrer. A administração concomitante de alopurinol durante o tratamento com AMOXICILINA pode aumentar a probabilidade de ocorrência de reações alérgicas da pele. A absorção da digoxina, quando usada concomitantemente, pode ser aumentada durante o tratamento com AMOXICILINA. Da mesma forma que outros antibióticos de amplo espectro, AMOXICILINA pode reduzir a eficácia dos contraceptivos orais. As pacientes devem ser avisadas quanto a este fato.
Reações adversas - Como ocorre com outras drogas da mesma classe, espera-se que as reações desagradáveis estejam essencialmente limitadas a fenômenos de hipersensibilidade. Elas são mais prováveis de ocorrer em indivíduos que tenham demonstrado hipersensibilidade às penicilinas e naqueles que tenham histórico de alergia, asma, febre do feno ou urticária. As seguintes reações adversas foram associadas a uso de penicilina: Gastrointestinais: Náusea, vômito e diarréia. Candidíase intestinal e colite associada ao antibiótico têm sido raramente relatadas. Reações de hipersensibilidade: Rash eritematoso e urticária, que podem ser controladas com anti-histamínicos e, se necessário, corticosteróides sistêmicos. De maneira semelhante a outros antibióticos, reações alérgicas graves, incluindo edema angioneurótico, anafilaxia, doença do soro e vasculite de hipersensibilidade têm sido relatadas raramente. Hepáticas: O aumento moderado da SGOT foi relatado, mas a significância deste achado é desconhecida. Sistemas sangüíneo e linfático: Anemia, trombocitopenia, púrpura trombocitopênica, eosinofilia, leucopenia e agranulocitose foram relatadas durante a terapia com penicilina. Estas reações são geralmente reversíveis com a descontinuação do tratamento. Sistema nervoso central: Hiperatividade reversível, agitação, ansiedade, insônia, confusão mental, mudanças no comportamento e/ou vertigem foram relatadas. Convulsões podem ocorrer em pacientes com função renal comprometida ou naqueles recebendo altas doses.
Posologia - Cápsulas 500 mg: Adultos: 1 cápsula de 500 mg de 8 em 8 horas. A posologia deve ser aumentada, a critério médico, nos casos de infecções graves. A absorção de AMOXICILINA não é afetada pela alimentação; portanto, pode ser administrada às refeições.
Superdosagem - É improvável que ocorram problemas de superdosagem com AMOXICILINA. Se aparecerem sintomas gastrintestinais, tais como: náusea, vômito e diarréia poderão ser evidentes. Nestes casos o tratamento deve ser sintomático com atenção ao balanço hidreletrolítico. AMOXICILINA pode ser removida da circulação por hemodiálise.
Pacientes idosos - Não existem restrições ou cuidados especiais quanto ao uso do produto por pacientes idosos. Mesmo assim, antes de iniciar o tratamento, consulte o seu médico.
Venda Sob Prescrição Médica.
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