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Sábado, 23 de fevereiro de 2008, 08h05

Mano Menezes quer reação de Acosta

Luciano Borges

O Corinthians se prepara para tentar vencer a Copa do Brasil e, no Campeonato Brasileiro, retornar à Série A. Mas esses objetivos, traçados pela diretoria, não impedem o técnico Mano Menezes de querer um título antes da hora. Ele acha que o Campeonato Paulista está aberto. "Nossa equipe pode dar bons resultados já no Paulista", disse em entrevista a Terra Magazine.

O treinador gaúcho falou depois do treino da quinta-feira, ainda no campo do Parque São Jorge. Ele tinha acabado de saber que ficou sem o ala Alessandro por duas semanas e que o goleiro Felipe era a dúvida para a partida deste domingo contra a Ponte Preta, em Campinas.

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» Assista à entrevista com Mano Menezes

Ele ainda não tinha conhecimento da intenção do presidente Andrés Sanchez em acertar contrato por quatro anos. Se isso ocorrer e der certo, Mano passará a ser o técnico com mais tempo em um só clube no futebol profissional brasileiro.

Mano Menezes confessa que - se pudesse - colocaria o Corinthians no ataque. Mas acha que a equipe que tem ainda não pode correr o risco de perder jogos nos contra-ataques adversários.

Ele ainda espera reforços para os dois torneios considerados mais importantes pela diretoria. Ainda acha que precisa acertar a armação e o ataque da equipe. Mas já está observando os atletas atuais.

A defesa é considerada por Mano como estável e bem organizada. "Temos a defesa menos vazada do Campeonato Paulista", diz.

Alessandro e André Santos convenceram o treinador de que as alas estão resolvidas. Lulinha ganhou pontos pelo jogo coletivo.

Já o uruguaio Acosta precisa melhorar. O treinador, com palavras medidas, deixa entender que a fila anda e o vice-artilheiro do Campeonato Brasileiro do ano passado corre risco de ficar fora de vez do time.

A seguir, a íntegra da conversa com Mano Menezes:

Terra Magazine - Você já vê uma boa perspectiva para a Copa do Brasil e para a Série B?
Mano Menezes - Vejo. A equipe está num processo de evolução concreto, constante. Que precisa, certamente e a partir de agora, sofrer um processo de aceleração principalmente na sua última parte da formação da equipe. Buscamos alguns jogadores para qualificar o setor, dar mais alternativas para a formação de um jeito de jogar que possa ser mais repetido. E algumas variáveis quando as coisas não funcionarem tão bem.

Esta última parte envolve o meio e o ataque?
Exatamente. A equipe tem uma idéia bastante clara para se defender e tem conseguido fazer bem. Tanto que sofremos poucos gols, somos a defesa menos vazada do Campeonato. Esta última parte agora vai dar aquele salto que a equipe precisa dar se quiser já dar bons resultados no Campeonato Paulista.

Você pensa então em disputar o título do Paulista?
Como vimos, o Campeonato está aberto ainda em termos de classificação para os quatro finalistas.

Você tem dois jogadores com mais presença de área e que, por motivos diferentes, não estão jogando como titulares. Que futuro você vê para o Acosta e Finazzi?
Bom...a equipe vai se formando, né. Hoje nós estamos com jogadores mais de movimentação para compensar um pouco esta chegada de trás, movimentando mais, tirando o setor defensivo do adversário do lugar. Nós temos uma chegada boa pelos lados. Temos, no mínimo, mais um homem de meio de campo que chega (que é o Lulinha). Então esta é a idéia pra este momento, mas é óbvio que nós temos que ter alternativas de jogadores com características de presença de área. Às vezes você não vence uma partida somente com movimentação. Tem volume, tem chegada, mas falta um pouco mais de definição. Aí será a vez destes jogadores que são mais de trabalhar em cima da última linha defensiva.

O Acosta tem enfrentado a hostilidade da torcida. Ele mal toca na bola e já é chamado de "sono" e "morto". Nas últimas partidas, ele tem começado na reserva. Você está preservando este jogador?
Não adianta preservar muito. O profissional tem que saber conviver com este tipo de reação da torcida. Já o preservei num primeiro momento, esperando uma reação, dentro de campo. Num segundo momento, o retirei do jogo para que possa observar o time. Daqui do banco é possível ler o jogo melhor. Aos poucos vou dando oportunidade para ver se ele vai mudando ou se vai ser definitivo.

Existe esta possibilidade do Acosta não se encaixar no time?
Futebol é assim. Não tem jeito. O estilo de jogo do Acosta é um pouco mais difícil de encaixar. Mas tenho lembrado os jogadores que, quando não está bom, o jeito é compensar com doação em campo, com mais garra lá dentro (aponta o gramado do Parque São Jorge).

O que faz uma equipe de futebol ser letal?
Ter maturidade de equipe, ter entendimento do jogo e ter jogadores com bom poder de decisão.

Um por vez: o que é "maturidade de equipe"?
Quando uma equipe já está madura, ela sabe trabalhar com menos posse de bola e não fica brava, ansiosa. Quando um time não está maduro, ele quer a posse de bola de qualquer jeito e aí dá espaço. Se der espaço, sofre o contra-ataque.

O que é "entendimento do jogo"?
É exatamente saber que se pode jogar assim, com menos posse de bola, se expondo menos. Muitas vezes, o time pega a bola e quer decidir logo. Mas quando não está bem preparado, bem posicionado, vai atacar mal e o adversário vai se aproveitar disso.

E "jogadores com bom poder de decisão"?
São exatamente aqueles que, sabendo que terão poucas chances, vão lá e definem. Não erram na hora de completar uma ação ofensiva.

O Corinthians é um time com esta maturidade?
Temos um bom entendimento do estágio que nós estamos. A equipe já sabe que não pode ir ao ataque todo momento. No início chegamos a atacar com sete jogadores. Sofremos muitos contra-ataques. Até nos treinamentos em Itu, a equipe de base nos venceu se aproveitando disso. Hoje, já estamos mais definidos neste aspecto. O time está maduro. Mas falta definir a parte ofensiva.

O estilo de seus três homens de frente, Lulinha, Herrera e Dentinho se encaixa neste perfil de "jogador com poder de decisão"? Ele são mais carregadores de bola.
Na verdade, é preciso ter a capacidade de enxergar a jogada correta. O Lulinha tem mais esta qualidade. O Dentinho ainda comete erros. Contra a Portuguesa, ele teve um contra-ataque em que bastaria tocar para o companheiro e o deixaria em condições de marcar o gol. Mas preferiu chutar. Seria ideal se ele fizesse como o Herrera na partida contra o Barras. Ele poderia ter chutado em gol, mas serviu o Dentinho livre para fazer. Mas estamos melhorando.

Mas esta tarefa de chegar "com qualidade" não é só dos atacantes.
Não. E já temos boas alternativas com o Alessandro e o André Santos. O André tem boa chegada e boa conclusão. Aos poucos, o time vai se encaixando.

Você já detectou algum atleta, aqui no Corinthians, que entende o jogo mais rápido?
Eu acredito mais no entendimento coletivo. Sempre digo que para um jogador ser cobrado, é preciso que ele entenda o papel dele. Mesmo entre eles, quando um atleta que cobrar algo de outro, ele precisa saber o que vai dizer. No meu time, não adianta chamar o companheiro gritando palavrões. Aqui tem que dizer quem merca quem, onde está errado o posicionamento.

Até aqui, os jogadores só têm elogios ao treinador. O Bruno Octavio disse que você sabe falar claro o que quer.
Deixe-me contar uma história. Quando eu dirigia um time da base do Juventude, tive um jogador para quem eu pedia que fizesse a diagonal. Mais de uma vez, disse a ele: "Você faz a diagonal". Ele concordava e, no jogo, não fazia. Na terceira preleção, olhei para este jogador e pedi de novo: "Dessa vez, vê se faz a diagonal". Aí percebi o jeito como ele me olhava. Aí perguntei: "O que é fazer a diagonal?". Ele não sabia. Foi uma lição que aprendi. Tinha que falar com clareza para que o atleta entendesse o que quero.

É difícil acertar o time durante os jogos?
É. O treinamento é o lugar onde a gente trabalha posicionamento, mostra o que quer fazer. Quando a gente pede mais tempo para treinar, não é choro de técnico. Nesta semana, na terça-feira, organizei um treino técnico. Depois na entrevista coletiva, um jornalista perguntou se não teria sido melhor fazer um trabalho tático. Mas, antes desse jogo, o Felipe já sentia dores no ombro, o Fabinho, Chicão, Bóvio, Alessandro e André Santos já acusavam dores musculares. O treinador está morrendo de vontade de dar um treino tático, mas está numa situação que precisa de uma coisa mais leve.

Ainda assim, o Felipe e o Alessandro se machucaram.
O Alessandro vinha jogando todos os jogos. Mas fiquei sem o Coelho e não deu para dar um tempo. Aliás, o Alessandro começou a carreira como meia. Quando chegou no Grêmio, eu o utilizei na segunda linha de quatro. Depois, até pedi para que jogasse mais atrás, na marcação. Aqui, a idéia era utilizá-lo junto com o Eduardo Ratinho, mas ele foi negociado. Depois, tentei formar a dupla com o Coelho, mas achamos melhor deixar o Coelho sair. O André Santos também está jogando muito. Mas neste momento é o que podemos fazer.

O Corinthians tem jogado de forma cautelosa, às vezes com três zagueiros, dois alas e três volantes. Por quê tanto cuidado?
Jogamos o mais seguro possível. Já recebi críticas por não abrir a equipe. Mas, neste momento, se você perde um jogo, tem que mudar a equipe. Se perde outro, começa a perder referência, o jogador perde a confiança e não temos tempo para treinar.

A torcida ainda não pegou no seu pé?
Não. Acho até que função do momento que o Corinthians passou. Todo mundo sabia que o reinício ia ser difícil. A imprensa, que forma opinião, também foi compreensiva e isso ajuda a torcida a entender que estamos num momento de armação da equipe.

O Grêmio jogava assim? Você já colocou o time em cima do adversário?
No ano passado, na Libertadores. No segundo jogo contra o Santos, no estádio Olímpico, nós ficamos 90 minutos em cima deles. Ganhamos por 2 a 0, mas poderia ter sido uns 4 a 0. Em geral, dentro de casa, a gente jogava assim, na frente.

Dá vontade de fazer o mesmo com o Corinthians?
Vontade dá, mas só posso fazer quando o time estiver bem preparado.


Luciano Borges é editor-chefe do Bandsports e autor do Blog do Boleiro.


Fale com Luciano Borges: borges.luciano@terra.com.br

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"Nossa equipe pode dar bons resultados já no Paulista", crê o treinador Mano Menezes

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